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Estado de Minas JOANESBURGO

Jihadistas sequestraram 51 crianças em Moçambique em 2020, diz ONG


08/06/2021 21:12

Grupos jihadistas que aterrorizam o nordeste de Moçambique há mais de três anos sequestraram em 2020 pelo menos 51 crianças, a maioria meninas, segundo a ONG Save the Children.

"O sequestro de crianças se tornou uma nova tática, de regularidade alarmante, por parte de grupos armados implicados no conflito", alerta a organização em um comunicado que será publicado na quarta-feira. A cifra, acrescenta, reflete apenas os casos denunciados.

A Save the Children se baseia em dados coletados entre janeiro de 2020 e janeiro de 2021 pela ONG americana Acled, que compila informação sobre conflitos.

Grupos conhecidos localmente como "Al Shabab" ("jovens", em árabe) multiplicam os ataques na província pobre e de maioria muçulmana de Cabo Delgado, na fronteira com a Tanzânia.

São muito violentos, ateiam fogos a povoados, decapitam homens e sequestram para recrutar novos soldados ou escravas sexuais.

No fim de março uma família de quatro filhos fugiu da cidade de Palma, alvo de um ataque que provocou dezenas de mortos, segundo a Save the Children.

Homens armados os interceptaram, afastaram suas filhas e as "trancaram em casas. Depois nos retiveram em outra casa", conta a mãe de 42 anos.

"Mais tarde, retornaram e levaram as meninas que lhes interessavam", afirma. Os pais conseguiram fugir com os três filhos, mas nunca mais voltaram a ver a filha de 14 anos.

"Antes de 2020 não havia rastro de assassinados ou sequestros deliberados de crianças" na região, ressalta a ONG, que especifica desconhecer quantas crianças conseguiram fugir ou continuam desaparecidas.

A violência jihadista causou 2.800 mortes e obrigou 700.000 pessoas a fugir, inclusive 364.000 menores, segundo as ONGs e a ONU.


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