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Estado de Minas BRASÍLIA

Cinco feridos em conflito armado entre garimpeiros ilegais e yanomamis brasileiros


10/05/2021 20:38

Um confronto entre indígenas Yanomami e garimpeiros ilegais que invadiram seu território no norte do Brasil deixou ao menos cinco feridos por arma de fogo nesta segunda-feira (10), incluindo quatro garimpeiros, segundo denúncia da Associação Hutukara Yanomami (HAY).

O conflito ocorreu no final da manhã, quando "sete barcos de garimpeiros atracaram" na comunidade Palimiu, dentro da Terra Indígena Yanomami, no estado de Roraima, "e atacaram os indígenas da comunidade, dando início ao tiroteio no local, em conflito aberto por cerca de meia hora", relatou a HAY.

Quatro garimpeiros foram baleados e um indígena foi "atingido de raspão" por um projétil, acrescenta a nota, enviada à Fundação Nacional do Índio (Funai) - vinculada ao Ministério da Justiça -, à Polícia Federal, à brigada militar destacados à região e ao Ministério Público de Roraima.

"As embarcações dos garimpeiros saíram para a proximidade e ameaçaram voltar", detalha a denúncia assinada pelo vice-presidente da HAY, Dario Kopenawa Yanomami.

"Solicitamos aos órgãos que atuem com urgência para impedir a continuidade da espiral de violência no local e garantir a segurança para a comunidade Yanomami de Palimiu", ressalta o documento.

A Funai declarou que "acompanha o caso junto às forças policiais e aguarda mais informações" e esclareceu, em nota enviada à AFP, que "não comenta fatos em apuração".

Desde o último ano, os Yanomami têm alertado sobre a situação de grande tensão em sua reserva indígena, a maior do país, com 96 mil km2 e cerca de 27 mil indígenas.

O garimpo ilegal, uma das principais causas de destruição ambiental da floresta amazônica, teve um aumento de 30% em 2020 nas terras Yanomami, devastando o equivalente a 500 campos de futebol, segundo relatório publicado no final de março pela HAY.

Segundo relatório da Polícia Federal de janeiro passado, existem cerca de "20 mil garimpeiros ativos" em território Yanomami.

Este número também é mencionado por ONGs de defesa ao meio ambiente, embora o governo do presidente Jair Bolsonaro tenha afirmado no ano passado que esse total não ultrapassava os 3.500 garimpeiros.

Em fevereiro, garimpeiros ilegais atacaram a aldeia indígena de Helepe, causando confrontos que deixaram um indígena ferido e um garimpeiro morto, informou a HAY na época.

Em junho de 2020, garimpeiros atiraram e mataram dois jovens Yanomami.


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