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Estado de Minas HONG KONG

Condenações à prisão impulsionam opositores de Hong Kong ao casamento


22/04/2021 11:30

Para Chan Po ying e Leung Kwok hung, um casal de marxistas com décadas de luta pró-democracia em Hong Kong, o casamento era um legado inútil da sociedade patriarcal, até que a repressão chinesa à dissidência os convenceu a se casarem.

Esses dois esquerdistas de Hong Kong, que vivem juntos há 45 anos, lutaram primeiro contra a política colonial do Reino Unido, antes de se oporem ao governo cada vez mais autoritário da China.

Em muitas ocasiões, Leung Kwok hung, de 63 anos e apelidado "Long Hair" devido aos seus cabelos compridos, cumpriu curtas penas de prisão devido a sua militância.

Mas na semana passada foi condenado a 18 meses de prisão por participar de uma "manifestação não autorizada", junto com outros ativistas.

A drástica Lei de Segurança Nacional imposta no ano passado por Pequim - que pode punir até com prisão perpétua- finalmente o convenceu a se casar.

"Nunca teríamos pensado nisso até que nos ameaçaram com uma longa sentença de prisão", explica Chan à AFP, também com 63 anos, no escritório da Liga dos Social-Democratas, um partido de esquerda que os dois ajudaram a fundar em 2006.

- Direito de visita -

Como casados, eles podem se beneficiar de um maior direito de visita durante a prisão.

No início de janeiro, Leung foi detido pela polícia encarregada de aplicar a Lei de Segurança Nacional. Ele faz parte das dezenas de militantes da oposição perseguidos por "subversão", em relação às primárias da oposição organizadas no ano passado. Chan e Leung se casaram pouco depois, mas ficaram apenas 40 dias juntos.

Desde então, Chan passa seus dias entre os centros de detenção, tribunais e seu escritório.

Como membro da família de um acusado, conseguiu assistir a todos os seus julgamentos e conhece perfeitamente as consequências da Lei de Segurança Nacional.

Este texto é um dos dois instrumentos usados por Pequim para reprimir toda a dissidência em Hong Kong, após meses de imensas e geralmente violentas manifestações pró-democracia em 2019, que abalaram o território semiautônomo.

O segundo instrumento é uma reforma radical do sistema eleitoral de Hong Kong, que marginalizará totalmente a oposição e proibirá os "não patriotas" de exercerem funções públicas.

Após a prisão de muitos ativistas e a partida de outros ao exterior, Chan é uma das poucas mulheres políticas que permanece na linha de frente e sempre está presente nas audiências para solicitar a liberdade sob fiança das pessoas acusadas de violarem a Lei de Segurança Nacional.


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