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Estado de Minas PANDEMIA

COVID-19: Índia encara segunda onda e bate recordes diários de novos casos

O país asiático passou o Brasil no ranking mundial de infectados pela doença e fica atrás apenas dos Estados Unidos; por dia são mais de 217 mil casos


16/04/2021 11:28 - atualizado 16/04/2021 11:54

Índia supera 217 mil novos casos diários de COVID-19(foto: AFP)
Índia supera 217 mil novos casos diários de COVID-19 (foto: AFP)
A Índia tem enfrentado a segunda onda da pandemia de COVID-19 com recordes diários de novos casos e hospitais com escassez de medicamentos, segundo a imprensa local.

O país asiático passou o Brasil em maior número de infectados e agora é o segundo no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. Apesar do novo agravamento, indianos e peregrinos se aglomeram para festival religioso sem cumprir regras recomendadas pelas autoridades de saúde.

De acordo com o monitoramento feito pela Universidade Johns Hopkins, em 14 de março, a Índia, com mais de 1,3 bilhão de habitantes, registrava média de 23.578 casos da doença por dia. Nesta quinta-feira (15/4), essa média chegou a 174.308, com pico de 217.353 casos.


 
O site de notícias Aljazeera compartilhou imagens de um indiano no Twitter. A cena mostra ambulâncias fazendo fila na porta de um hospital na cidade de Ahmedabad.
 
 
 
Em alguns vídeos é possível ver corpos das vítimas de COVID-19 sendo empilhados do lado de fora das unidades de saúde.
 
 
Segundo a infectologista e epidemiologista Luana Araújo, considerando o tamanho da população indiana, a expectativa é mesmo de números elevados da doença.

“Inicialmente, e contrariando as expectativas, por conta do tamanho da população, das diversidades socioeconômicas que a gente encontra na Índia, a gente achava que uma vez que a COVID-19 chegasse no país, teria um comportamento muito mais agressivo da pandemia do que o que a gente viu”, explica.

Luana considera as primeiras medidas tomadas pelo governo local como eficazes para o controle do novo coronavírus. “O governo indiano tomou uma série de medidas iniciais de controle de movimentação da população, essas restrições que a gente vem tentando por aqui e conseguiram diminuir bastante a disseminação da doença pela população. Mas, como todo mundo, acaba por passar por uma fadiga dessas medidas de restrições”, destacou.

Ela avalia que, pelo tamanho da população, o relaxamento das medidas era inevitável. “A população indiana é absolutamente gigantesca, estamos falando de mais de 1 bilhão de pessoas, esse controle acaba por falhar e precisa ser relaxado em algum momento. Então esse relaxamento acabou por permitir essa recirculação viral e o aumento do número de casos da ordem que estamos vendo”, observou.

Um estudo da Lancet, uma das mais antigas e conhecidas revistas médicas do mundo e descrita como uma das mais prestigiadas, estimou que as mortes na Índia podem dobrar em junho.

“A maior luta que temos é na sociedade. Durante um período de tempo, as pessoas adotaram uma abordagem casual”, disse o ministro da Saúde, Harsh Vardhan.

Apesar do desespero de Nova Délhi para tentar evitar a repetição do doloroso confinamento do ano passado (sobretudo economicamente), alguns estados - como Maharashtra e sua capital, Mumbai - já adotaram medidas restritivas para evitar ainda mais mortes. Maharashtra, principal foco de contaminação, decretou um confinamento aos fins de semana e um toque de recolher noturno.

Ao mesmo tempo, a campanha do governo para vacinar 1,3 bilhão de cidadãos não têm o efeito esperado. Até o momento foram aplicadas apenas 114 milhões de vacinas, o que representa 1,10% da população total, e os estoques estão acabando, segundo as autoridades.

A infectologista Luana Araújo também avaliou que esta quantidade de distribuição das vacinas precisa ser acelerada.

“Todas as vezes que falarmos da Índia, a gente vai falar em números que são muito assustadores pelo tamanho da população que o país tem. Eles já vacinaram mais de 110 milhões de pessoas, o que parece muito, mas pelo tamanho da população, é insuficiente para auxiliar nesse controle. Eles vão precisar acelerar muito essa vacinação para que haja algum tipo de repercussão do processo vacinal no controle da pandemia”, acrescenta.

Aglomerações

Especialistas culpam as festas religiosas, os comícios políticos e os locais públicos lotados. Por isso, a Índia registrou este mês dois milhões de novos contágios, um número que parece que continuará crescendo.
 
Vários líderes políticos indianos têm realizado grandes comícios para seus apoiadores em meio a eleições em cinco regiões, incluindo Bengala Ocidental.

Imagens dos comícios mostraram milhares de pessoas sem máscara amontoadas e gritando slogans enquanto ouviam discursos de políticos, em clara violação do distanciamento social e outras normas de segurança sanitária contra a proliferação da COVID-19.

Enquanto isso, centenas de pessoas que participaram de uma reunião religiosa em Haridwar, no Norte do país, testaram positivo para COVID-19 enquanto dezenas de milhares de peregrinos devotos se acotovelavam para dar um mergulho sagrado no Rio Ganges.

O festival Kumbh Mela, que já dura uma semana, onde religiosos se banham para lavar seus pecados, começou no início deste mês e as autoridades alertaram que esperam que os casos aumentem significativamente. Um oficial local chamou o evento de “superdegradação”.

[Com informações da agência AFP]


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