Publicidade

Estado de Minas JERUSALÉM

Convencidos, otimistas ou indecisos, os israelenses voltam às urnas


20/03/2021 12:16

Os habitantes de Israel, incluindo os colonos da Cisjordânia ocupada e árabes de Jerusalém Oriental anexada, votam na terça-feira (23) nas quartas legislativas em menos de dois anos, marcadas pela vacinação contra a pandemia.

As eleições voltam a ser disputadas pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (direita) e o centrista Yair Lapid. Dias antes das eleições, a AFP pediu a israelenses de diferentes ideologias políticas e origens sociais que explicassem a escolha que estão prestes a fazer.

- Pró-Netanyahu na colônia de Kfar Etzion -

Com chapéu e barba, Yoram Bitan, que nasceu na França, mora perto da colônia de Kfar Etzion, ao sul de Jerusalém. Ele acredita que apenas "Bibi" (apelido de Netanyahu) pode favorecer a anexação da Cisjordânia ocupada.

Prefere dar seu voto ao Likud, o histórico partido da direita israelense, do que a uma formação de direita menor.

"Vou continuar a votar em Bibi. Acho que ele fez muitas coisas até hoje. Fez nosso país avançar. Tem ideias de direita, realmente de direita, como eu. Não vou dar o meu voto a um partido pequeno porque é importante que um partido grande vença", afirma.

O homem de 54 anos defende um Estado (Israel) e não dois (Israel e Palestina), anexando "todas as terras que são consideradas territórios ocupados". E dando "a possibilidade aos palestinos de viverem conosco, em paz", ressalta.

"Não vim ocupar, mas vim viver aqui, para estar junto a Jerusalém. Amo a terra e acredito que as minhas raízes estão aqui. As raízes deles também estão, por isso não vejo nenhuma razão pela qual não podemos viver juntos. E é o que fazemos, é o que fazemos todos os dias", explica.

- Pró-Lapid em Tel Aviv -

Originária da Filadélfia, nos Estados Unidos, Devorah Treatman, uma estudante de 26 anos, imigrou para Israel em 2013 e cumpriu o serviço militar.

Afirma ter encontrado um "otimismo prático" no partido centrista Yesh Atid, do líder da oposição Yair Lapid.

"Em hebraico, 'Yesh Atid' significa literalmente 'Há um futuro'. E é o que eles representam: um otimismo prático. Eles têm uma visão para melhorar nosso país e um plano para alcançá-lo. Além disso, respeito muito a integridade da direção deste partido, acredito em Yair Lapid e no grupo que ele formou para as listas eleitorais", garante.

"Acredito absolutamente que pode haver uma mudança em Israel. Mas não acredito que essa mudança possa ocorrer com as mesmas pessoas no poder. Então, para mudar a situação, você tem que mudar não apenas o primeiro-ministro, mas a coalizão no poder".

- Pró-ortodoxo em Jerusalém -

O empresário imobiliário e pianista nas horas vagas Yitzhak Richard, um judeu ultraortodoxo de 30 anos, consultou seu rabino na hora de escolher. Veredicto: Votará em um partido ultraortodoxo (Shas ou Judaísmo Unificado da Torá), um aliado de Netanyahu.

"Para tudo que faço na minha vida, consulto pessoas mais inteligentes do que eu. Às vezes são rabinos, às vezes são profissionais. É importante não tomar decisões sozinho o tempo todo. E também os partidos ultraortodoxos têm responsabilidades com [a defesa] do judaísmo", diz.

"A unidade da comunidade ultraortodoxa torna quase ilusório para um ultraortodoxo votar em outro partido. Toda a nossa vida está a serviço da comunidade. Tudo, tudo, tudo, tudo. São comunidades fechadas que não são ligada, ideologicamente ou socialmente, ao resto do país".

- Pró-partido árabe em Jerusalém Oriental -

Amer Nasser, um advogado de 48 anos, se define como um "palestino" de Jerusalém Oriental, embora nos últimos anos tenha obtido a cidadania israelense.

Netanyahu aumentou os acordos de normalização com os países árabes (Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão, Marrocos) nos últimos meses, mas Amer o repreende por não trabalhar pela paz com os palestinos.

"Netanyahu está muito interessado em desenvolver relações com os países árabes, mas não em fazer a paz com os palestinos, mesmo que venham daqui e vivam aqui. Todas os outros partidos têm pontos de vista semelhantes, não estão interessados na paz com os palestinos, só na paz com os países árabes", acredita.

Para essas eleições, os partidos árabes israelenses (uma minoria que constitui cerca de 20% da população) se dividiram em duas listas: uma estende a mão a Netanyahu e a outra, a "Lista Árabe Unida", se opõe.

"Votarei na 'Lista Árabe Unida' na esperança (...) de uma coexistência pacífica entre palestinos e israelenses."

- Uma indecisa em Jerusalém -

Com longos cabelos ruivos e uma máscara azul no rosto enquanto caminha pelo mercado Mahane Yehuda em Jerusalém, Shira Cohen, uma estudante de 18 anos, explica que ainda está indecisa alguns dias antes das eleições, nas quais votará pela primeira vez.

"Quatro eleições em menos de dois anos, é complexo e preocupante, para não dizer doloroso. Não gostava de pensar nisso, não era agradável, e aí pensei: 'Que os políticos briguem entre si'. Mas, depois, disse a mim mesmo que tudo isso afeta o meu futuro, o dos meus [futuros] filhos, meus parentes e que tudo isso era importante demais para não me preocupar".

Então, em quem votará? Shira não revela nada: "Tento pensar que algo pode mudar, senão essas eleições são inúteis. E mesmo que sejam as quartas [em menos de dois anos], acho que, talvez, haja uma mudança".


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade