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Estado de Minas SEM COMPROVAÇÃO

Médico francês que defendia cloroquina admite ineficácia do medicamento

O francês Didier Raoult publicou um estudo no início da pandemia que indicava eficiência da hidroxicloroquina na redução de mortalidade pela COVID-19


20/01/2021 13:22 - atualizado 20/01/2021 14:40

No Brasil, o maior defensor do medicamento é o presidente Jair Bolsonaro, mesmo sem a comprovação da eficácia no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus (foto: AFP)
No Brasil, o maior defensor do medicamento é o presidente Jair Bolsonaro, mesmo sem a comprovação da eficácia no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus (foto: AFP)
O médico e microbiologista francês Didier Raoult voltou atrás em um estudo publicado no início da pandemia que apontava a eficácia do uso de hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19. Em carta publicada no site do Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia, da França, um periódico científico, ele mudou de posição e reconheceu que o medicamento não reduz a mortalidade pela doença.

Na época em que divulgou o estudo recomendando o uso da hidroxicloroquina no tratamento, Raoult foi criticado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e virou alvo de investigação do Conselho Nacional da Ordem dos Médicos, da França.

Agora, ele admite que ter excluído pacientes do estudo afetou o resultado. "Concordamos com os colegas que excluir seis pacientes da nossa análise pode ter enviesado os resultados", afirmou Raoult na carta, assinada por toda a equipe.


Os pesquisadores disseram ter feito nova análise dos dados incluindo um paciente que morreu e outros que foram internados em unidade de tratamento intensivo ou que precisaram parar o tratamento por efeitos colaterais — que haviam sido excluídos da análise inicial.

"Não houve diferença significativa na necessidade de terapia de oxigênio, transferência para UTI e mortes entre os pacientes que usaram hidroxicloroquina (HCQ) com ou sem azitromicina (AZ) e nos controles, que receberam apenas o tratamento padrão", continua a nota.

No entanto, a equipe francesa diz que a duração das internações em hospitais "parece ter sido significativamente menor" entre os pacientes tratados com HCQ sozinha ou em combinação com AZ, e que a "persistência viral foi significativamente mais curta" entre esse grupo.

Pesquisadores norte-americanos revisaram o artigo original da equipe de Raoult e apontaram falhas na pesquisa. Eles também destacam que não é possível confirmar eficácia clínica a partir apenas da análise de redução da carga viral, como feito no estudo, e que outros fatores deveriam ter sido considerados para uma avaliação da eficácia dos medicamentos, como alívio dos sintomas e sobrevivência à doença causada pelo novo coronavírus.



Bolsonaro defende cloroquina

Um dos grandes defensores da hidroxicloroquina no Brasil é o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em diversas ocasiões, mesmo sem comprovação científica, ele recomendou o uso do medicamento.
Um deles, foi horas depois de anunciar o teste positivo para o novo coronavírus. Bolsonaro postou um vídeo nas redes sociais em que aparece engolindo um comprimido, segundo ele, de hidroxicloroquina. Bolsonaro diz que aquela era a terceira dose que tomou da medicação.
 
"Estou tomando aqui a terceira dose da hidroxicloroquina. Estou me se sentindo muito bem. Estava mais ou menos domingo, mal na segunda-feira. Hoje, terça, estou muito melhor do que sábado. Então, com toda certeza, né, está dando certo", disse rindo, antes de engolir a cápsula.
 
*Estagiária sob supervisão da subeditora Kelen Cristina


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