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Estado de Minas

Trump ataca China enquanto ONU alerta sobre nova 'Guerra Fria'


22/09/2020 13:37

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta terça-feira (22) na Assembleia Geral da ONU que a China seja responsabilizada pela pandemia de coronavírus, enquanto o chefe da organização alertou para o risco de uma "Guerra Fria" entre as duas potências mundiais.

A seis semanas das eleições presidenciais em que buscará a reeleição, e atrás de seu rival democrata Joe Biden nas pesquisas, Trump voltou a se referir à covid-19 como "o vírus chinês".

O presidente chinês, Xi Jiping, garantiu, por sua vez, que a China não tem intenção de entrar em uma "Guerra Fria" e lamentou a "politização" da luta contra a covid-19.

"Devemos responsabilizar as nações que soltaram esta praga no mundo, a China", disse Trump em um discurso virtual e pré-gravado em razão da pandemia.

"Aqueles que atacam o excepcional desempenho ambiental dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que ignoram a poluição galopante na China, não estão interessados no meio ambiente. Só querem punir os Estados Unidos", afirmou.

O presidente americano, que já havia denunciado como a China silenciou inicialmente os primeiros casos de coronavírus no final do ano passado na cidade de Wuhan, anunciou que vai retirar seu país da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"O governo chinês e a OMS - que é virtualmente controlada pela China - declararam falsamente que não havia evidência de transmissão de pessoa para pessoa", disse Trump, em referência às declarações da OMS no início da pandemia, que foram corrigidas posteriormente.

Os críticos asseguram que Trump procura transferir a culpa por sua gestão da crise nos Estados Unidos, onde a doença já matou mais de 200.000 pessoas, mais do que em qualquer outro país.

Biden garante que manterá os Estados Unidos na OMS, se vencer as eleições de 3 de novembro.

- "Grande fratura" -

Diante da pandemia do coronavírus, o mundo deve "fazer todo o possível para evitar uma nova Guerra Fria", alertou o chefe da ONU, António Guterres, ao abrir a 75ª Assembleia Geral da entidade.

"Estamos caminhando em uma direção muito perigosa", alertou, denunciando a crescente rivalidade entre China e Estados Unidos no mundo.

"Nosso mundo não pode se dar ao luxo de um futuro em que as duas maiores economias dividam o planeta em uma Grande Fratura, cada uma com suas próprias regras comerciais e financeiras e capacidades de Internet e de Inteligência Artificial", apontou.

Guterres também criticou os nacionalismos ao lidar com a pandemia, sem mencionar Trump, ou outros líderes.

"O populismo e o nacionalismo fracassaram. Essas abordagens para conter o vírus muitas vezes pioraram as coisas significativamente", disse ele.

- Brasil: "vítima" de campanha de desinformação? -

Já o presidente Jair Bolsonaro, que chegou a ter covid-19, usou seu discurso, o primeiro segundo a tradição, para denunciar que o Brasil "é vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal", regiões atualmente devastadas por incêndios.

"A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil", disse.

O presidente minimizou os incêndios e explicou que "nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente, nos mesmos lugares, no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas".

Ambientalistas e defensores dos direitos humanos, que consideram os indígenas vítimas dos incêndios provocados por madeireiros e grandes agricultores, não tardaram a reagir.

Bolsonaro "negou a gravidade da destruição ambiental, culpou 'pequenos agricultores e indígenas' e atacou o trabalho das organizações ambientais", lamentou Camila Asano, da ONG Conectas Direitos Humanos.

Em meio a uma pandemia que já deixou quase um milhão de mortos no mundo, a Assembleia Geral da ONU começou nesta terça com mais discursos do que nunca em seus 75 anos de história, mas todos virtuais e pré-gravados com dias de antecedência.

Não haverá reuniões bilaterais, diplomacia "por baixo da mesa", ou reunião dos ministros do Grupo Lima para discutir a crise na Venezuela, ou ainda visita do presidente cubano a uma igreja no norte de Nova York para atacar o capitalismo.

O site da ONU disponibilizará os discursos dos 193 países-membros da entidade, que falarão ao longo de oito dias, e haverá várias cúpulas temáticas virtuais sobre covid-19, combate ao aquecimento global, Líbano, Líbia e biodiversidade.

Os Estados Unidos anunciaram que farão sua própria reunião virtual sobre direitos humanos, após desafiar a ONU, na segunda-feira (21), ao anunciar sanções contra o Irã e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Segundo Washington, ambos violam um embargo de armas da ONU.

Quase todos os outros países, incluindo aliados europeus, afirmam que os Estados Unidos não têm autoridade para impor essas sanções.


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