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Estado de Minas

Polícia russa quer interrogar opositor Navalny na Alemanha


11/09/2020 10:26

A polícia russa anunciou nesta sexta-feira que deseja interrogar na Alemanha o opositor Alexei Navalny, hospitalizado em Berlim depois de ter sido envenenado por um agente nervoso, de acordo com os médicos de Berlim, uma acusação rejeitada pelas autoridades de Moscou, que afirmam que não existem provas.

Apesar das ameaças de sanções, até o momento a Rússia ignorou os pedidos dos países ocidentais de investigação do caso.

O departamento de transportes do ministério do Interior, responsável pela investigação "preliminar" do caso, enviará uma solicitação aos órgãos competentes em Berlim para que os investigadores russos possam acompanhar os alemães "quando escutarem as explicações de Navalny e também para que possam fazer perguntas e pedir detalhes".

Moscou insiste que não há indícios que apontem um crime.

Em 20 de agosto, Navalny, 44 anos, passou mal a bordo de um avião e foi internado em um hospital da Sibéria, onde investigava a corrupção do governo, segundo seus partidários, antes de ser transferido para a Alemanha, onde os médicos afirmam que detectaram rastros de envenenamento.

O líder opositor saiu do coma induzido nesta semana e seu estado de saúde registra avanços.

A Rússia já solicitou a Alemanha que apresente todo o prontuário de Navalny, incluindo as análises de uma laboratório militar germânico que identificou no corpo do opositor russo uma substância do tipo Novichok, um agente neurotóxico desenvolvido na época da União Soviética para fins militares.

As autoridades russas afirmam que suas análises, feitas durante a hospitalização do opositor em Omsk (Sibéria), antes da transferência para a Alemanha, não revelaram nenhuma substância tóxica.

A Rússia questionou repetidamente a veracidade da informação alemã.

"Não pode existir um processo penal (na Rússia) com base nas análises feitas do lado alemão, e menos ainda se aconteceram em um laboratório do exército alemão", afirmou nesta sexta-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Para o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, a Alemanha está "escondendo cuidadosamente" os dados que afirma ter.

O MP de Berlim afirmou nesta sexta-feira que recebeu instruções para responder ao "pedido de ajuda legal" de Moscou, incluindo informações sobre a saúde do opositor, caso este concorde.

Ao mesmo tempo, a União Europeia (UE) ameaça impor sanções e a Alemanha não descarta que o caso afete o projeto de gasoduto russo-germânico Nord Stream 2, caso Moscou não inicie uma investigação confiável.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou que a tentativa de assassinato foi provavelmente orquestrado por "altos funcionários russos", acusações consideradas "absurdas" por Moscou

O ministério russo das Relações Exteriores afirmou esta semana que o governo alemão usa o caso Navalny para "desacreditar a Rússia no cenário internacional".

Também destacou que a recusa de Berlim a atender os pedidos russos de acesso à investigação seria considerada uma "provocação grosseira e hostil".

Vários oponentes ou opositores do Kremlin foram envenenados nos últimos anos. Em cada ocasião, a Rússia rejeitou as acusações contra o governo, enquanto as potências ocidentais afirmam que têm provas irrefutáveis.

O agente neurotóxico Novichok já foi utilizado contra o ex-agente duplo russo Serguei Skripal e sua filha Yulia em 2018 na Inglaterra. De acordo com as autoridades britânicas, o GRU, serviço de inteligência militar russo, é o principal suspeito. O caso provocou sanções contra a Rússia.

Alexei Navalny se transformou nos últimos anos no principal opositor do Kremlin por publicar investigações sobre a corrupção das elites russas e do entorno do presidente Vladimir Putin.

A organização de Navalny, o Fundo Anticorrupção, se concentra nas eleições locais e regionais para apresentar ou apoiar candidatos com possibilidades de vender os aspirantes do partido governante, Rússia Unida.

A estratégia teve um sucesso relativo em setembro de 2019, na eleição para o Parlamento de Moscou, e os partidários de Navalny esperam repetir o bom desempenho nas eleições de domingo em quase 40 regiões.


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