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Estado de Minas

Coronavírus: Itamaraty conversa com aéreas para repatriar brasileiros retidos

Cerca de 4 mil pessoas estão retidas no Peru; a Gol e a Latam estariam estudando como trazê-los para o país


postado em 18/03/2020 18:09 / atualizado em 18/03/2020 18:48

Aeroportos estão lotados de pessoas tentando volta para casa, em meio ao caos provocado pela pandemia do novo coronavírus(foto: Divulgação/ Tales Maciel)
Aeroportos estão lotados de pessoas tentando volta para casa, em meio ao caos provocado pela pandemia do novo coronavírus (foto: Divulgação/ Tales Maciel)

Ao longo da semana, com o fechamento das fronteiras ao redor do mundo, cresce o número de brasileiros retidos em vários continentes. Por causa da intensa propagação do novo coronavírus, países da União Europeia, América do Sul e Ásia vêm suspendendo voos nos principais aeroportos e fazendo da rotina de turistas um verdadeiro pesadelo. Já há registros de brasileiros retidos em ao menos quatro países da América do Sul, dois da Europa, um na Ásia e um na África.

No Peru, há ao menos 3.770 turistas brasileiros - os dados são do serviço de migrações do governo local. O elevado número faz com que o país vizinho seja uma dos pontos mais críticos analisados pelo Ministério das Relações Exteriores. De acordo com o Itamaraty, estão sendo mantidas conversas com companhias aéreas para que elas possam viabilizar o rápido regresso dos brasileiros.

Inicialmente, levantou-se a hipótese de que a Latam Airlines e a Gol Linhas Aéreas seriam as responsáveis pelo serviço. No entanto, procurado, o Itamaraty não confirmou a informação. A Latam informou que está em “contato com as autoridades do Brasil e do Peru para analisar a viabilidade da repatriação de seus clientes que não conseguiram retornar aos seus países de origem por conta do recente fechamento das fronteiras peruanas”. O Estado de Minas procurou também as companhias, mas até a tarde desta quarta-feira não havia recebido resposta.

O ministério informou que já tem conhecimento de brasileiros em diversas áreas do exterior, mas ponderou que cabe aos consulados de cada país as medidas adequadas. O Itamaraty indicou, porém, que não há dados sobre o número dos retidos fora do país, já que os casos são manejados localmente pela rede consular brasileira.

“As embaixadas e consulados do Brasil, assim como o Itamaraty em Brasília, se dedicam com total prioridade para viabilizar, em coordenação com outros órgãos, o retorno ao Brasil dos viajantes brasileiros que enfrentam dificuldades em países estrangeiros por restrições ligadas ao coronavírus”, indicou por meio de nota.
No Peru, a embaixada brasileira afirmou estar acompanhando a situação dos turistas que estão tentando retornar ao Brasil após a decretação do estado de emergência por parte do Governo peruano em decorrência da COVID-19.

O Itamaraty confirmou também casos de brasileiros retidos no Vietnã e na Hungria. No primeiro país, segundo o ministério, o caso já estaria resolvido, enquanto a solução do segundo estaria avançada. Apesar do destaque, o ministério não quis detalhar como está sendo feito em cada sitiuação. A reportagem apurou ainda que há cerca de 200 brasileiros retidos no Marrocos. Ao menos 25 estão no mesmo hotel em Casablanca.

“Recebemos os avisos de cancelamento de todos os voos pela Air Maroc e hoje o hotel nos avisou que teremos que sair porque ele será fechado até amanhã, às 15h. Muitos de nós estão nos aeroportos sem ter para onde ir e sem saber como voltar para casa”, contou Maria Guilhermina, brasileira que está em Marrakech.

Na terça-feira, o Estado de Minas já tinha apurado que há vários brasileiros retidos em Lisboa e em Quito, capital do Equador. A maioria do grupo de Portugal está em viagem pela europa desde o início do mês e decidiu adiantar a volta para o Brasil, devido à situação da pandemia e do quadro mais grave no continente europeu. Também na terça-feira, a TAP Air Portugal suspendeu três rotas para o Brasil: Porto- São Paulo e Porto- Rio de Janeiro até 16 de junho; Lisboa- Porto Alegre, suspenso até 30 de junho. 

*Estagiário sob supervisão da subeditora Ellen Cristie


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