O primeiro-ministro britânico, o conservador Boris Johnson, enfrenta nesta terça-feira um desafio dos deputados contrários a um Brexit sem acordo - que poderia resultar em eleições legislativas antecipadas que ele afirma não desejar - e ações judiciais contra a suspensão do Parlamento.
Os legisladores voltam ao trabalho depois das férias de verão, em um dia que pode ser crucial para o conturbado processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE).
Diante da instabilidade política, a libra esterlina caiu nesta terça-feira abaixo da cotação de 1,20 dólar pela primeira vez desde janeiro de 2017. Às 6h40 GMT (3H40 de Brasília), a moeda britânica era negociada a 1,1972 dólar.
Na semana passada, o chefe de Governo provocou uma onda de indignação ao anunciar a decisão de suspender as atividades do Parlamento entre a segunda semana de setembro e 14 de outubro, apenas duas semanas antes da data prevista para o Brexit, que poderia ser brutal se ele não conseguir renegociar o acordo com Bruxelas.
Os deputados opositores e os conservadores contrários ao Brexit sem acordo criticaram a medida como uma tentativa de impedir seu trabalho.
Para contra-atacar a medida, os deputados tentarão apresentar e aprovar em caráter de urgência uma lei que obrigue o Executivo a pedir a Bruxelas um novo adiamento da data de saída do bloco na ausência de um acordo em 31 de outubro.
Para isto, no entanto, eles precisam em primeiro lugar assumir o controle da agenda legislativa do governo, que nesta terça-feira tem várias intervenções previstas após o início dos trabalhos parlamentares, às 14H00 GMT (11H00 de Brasília).
Ao mencionar que acredita na possibilidade de um acordo com Bruxelas, Johnson pediu na segunda-feira aos deputados conservadores que não votem com o líder opositor "Jeremy Corbyn a favor de outro adiamento sem sentido".
"Se fizerem isto, qualquer nova negociação será absolutamente impossível", completou.
Antes, Johnson havia ameaçado os rebeldes com a expulsão do partido, o que provocou especulações sobre eleições legislativas antecipadas, já que o expurgo deixaria o governo em minoria no Parlamento.
"Eu não quero uma eleição e vocês não querem uma eleição", declarou o primeiro-ministro para tentar conter os boatos.
Além da disputa no Parlamento, a batalha acontecerá nos tribunais: uma corte de Edimburgo e outra de Belfast examinarão ações apresentadas contra a suspensão do Parlamento.
