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Estado de Minas

EUA deixam de lado o diálogo, e estabelecem linha mais dura contra a Venezuela


postado em 08/08/2019 19:19

O caminho para o diálogo ficou mais longo na Venezuela após bloqueio econômico dos Estados Unidos, que buscam impor uma linha dura para expulsar Nicolás Maduro antes de apoiar uma negociação que dê uma sobrevida ao presidente à frente do país.

Maduro suspendeu as negociações com a oposição na quarta-feira em reprovação às medidas que congelaram os ativos do país nos Estados Unidos e limitaram severamente sua atividade comercial.

John Bolton, assessor de segurança do presidente Donald Trump, não deixou dúvida sobre o objetivo: "O tempo para o diálogo já passou, agora é hora de agir".

Washington pretende "assumir um papel de liderança e definir a agenda na Venezuela ", David Smilde, professor de sociologia e estudos latino-americanos da Universidade americana de Tulane.

A Casa Branca, que lidera a pressão para tirar Maduro, perdeu protagonismo após a fracassada tentativa de golpe militar de abril liderado pelo opositor Juan Guaidó -a quem reconhece como presidente interino do país- e pelo início em maio de um diálogo com a mediação da Noruega.

Embora a diplomacia americana alegar que apoia as negociações, o Conselho de Segurança Nacional (NSC) está comprometido com a "pressão máxima" para encerrar o governo de Maduro, diz Smilde.

Assim, com o bloqueio, Bolton e o NSC "afirmaram seu domínio na política da Venezuela", acrescentou.

- Trump, "chefe da oposição" -

Maduro, com uma popularidade muito baixa, anunciou que irá rever a negociação que ocorre em Barbados e ameaçou punir os opositores que apoiarem o bloqueio, uma decisão que busca ganhar tempo para agir.

"Em Barbados estava buscando o fim das sanções, mas o que recebeu foi uma dose maior. Não será permitido um acordo de conciliação, a menos que ele aceite as eleições presidenciais com novas autoridades eleitorais e sem ele à frente, o que não seria um bom negócio para ele, porque sua ideia é permanecer no poder", disse à AFP o cientista político Luis Salamanca.

Já Guaidó insiste que não negociará sem discutir a realização de novas eleições e que continuará jogando em todos os campos: o do diálogo, refutado por um setor opositor; o da pressão internacional, incluindo a cooperação militar dos Estados Unidos; e da mobilização popular, que resfriou nos últimos meses.

"Trump está configurando como será a política venezuelana do futuro e, acima de tudo, como será a oposição do futuro. Agora é possível dizer que Trump é o líder da oposição com estas sanções", destacou o cientista político Ricardo Sucre.

Para Salamanca, o diálogo pelo qual torcem a ONU e a União Europeia, "enfraqueceu (com o bloqueio) e seu futuro dependerá dos cálculos feitos pelos atores, do que eles veem que podem conseguir".

- Intervenção militar? -

Por enquanto, Maduro ainda se apega às Forças Armadas, às quais conferiu poder amplo mas que está dividida, e aos seus aliados Rússia, China, Cuba e Irã, a quem Bolton emitiu um aviso: "Não dobre uma aposta ruim".

Mas em um novo respaldo para Caracas, Pequim pediu que Washington parasse de "assediar" outros países, enquanto Moscou anunciou um acordo de gás com a Venezuela.

A medida que Trump aperta a corda para asfixiar Maduro, a quem acusa de ter sido reeleito de maneira fraudulenta, sua ameaça de intervenção militar perde força.

O estrangulamento econômico para forçá-lo a renunciar ou fazer com que os militares retirem seu apoio parece ser sua carta na contagem regressiva para buscar a reeleição em 2020.

"Há pouco ou nenhum movimento dentro do governo Trump para algum tipo de solução militar para o conflito", disse Smilde, lembrando que esses movimentos nos Estados Unidos não são novos para a região.

"Essas ações por si só não são suficientes para inviabilizar as negociações de Barbados. Os Estados Unidos também tentaram atrapalhar o processo de paz na América Central nos anos 80 e tiveram sucesso. É fato que estão trabalhando de forma agressiva contra a negociação, mas isso pode despertar o apoio internacional para mesa", concluiu.


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