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Estado de Minas

Trump minimiza testes de armas norte-coreanas


postado em 02/08/2019 15:55

A Coreia do Norte fez, nesta sexta-feira (2), seu terceiro teste de projéteis em oito dias, segundo o Exército sul-coreano, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não ter problemas com os disparos de Pyongyang.

Resoluções da ONU proíbem a Coreia do Norte de fazer testes de mísseis balísticos. Trump minimizou, porém, esses lançamentos.

Ontem, três membros europeus do Conselho de Segurança da ONU - Reino Unido, França e Alemanha - condenaram os testes norte-coreanos. O trio insistiu com a Coreia do Norte para que "tome medidas concretas para sua desnuclearização completa, verificável e irreversível e estabeleça negociações significativas com os Estados Unidos, segundo o acordado entre o presidente Trump e Kim Jong-un em 30 de junho".

Graças à distensão na península da Coreia desde 2018, o presidente americano se reuniu três vezes com o líder Kim Jong-un, no intervalo de um ano. Nesse período, Trump investiu grande capital político em sua tentativa de convencer Kim a pôr fim ao isolamento da Coreia do Norte e abandonar seu arsenal nuclear.

"Não tenho qualquer problema, vejamos o que acontece, mas os mísseis de curto alcance são muito padrão", disse Trump nesta quinta-feira a jornalistas.

"Pode ser que haja uma violação (das resoluções) da ONU, mas o presidente Kim não quer me decepcionar traindo minha confiança", tuitou Trump, acrescentando que acredita que o líder norte-coreano "fará o que é certo".

Em sua terceira cúpula, em junho, na Zona Desmilitarizada (DMZ) que divide a península, Kim e Trump concordaram em retomar as negociações.

Este compromisso ainda não deu frutos concretos, e o governo advertiu que o processo pode descarrilar, se forem realizadas as manobras militares entre Estados Unidos e Coreia do Sul previstas para a semana que vem.

- Alta velocidade -

Muitos especialistas consideram que os testes militares norte-coreanos buscam aumentar a pressão sobre os Estados Unidos.

Esta manhã, a Coreia do Norte disparou de sua costa dois projéteis que voaram cerca de 220 quilômetros, a uma altitude de até 25 km e a uma velocidade de Mach 6,9, segundo o Estado-Maior Conjunto sul-coreano. Esta velocidade é incomumente rápida para uma arma de curto alcance.

O perfil foi similar ao dos testes de quarta-feira. De acordo com o gabinete presidencial de Seul, tratou-se, provavelmente, de "um novo tipo de míssil balístico de curto alcance".

Pyongyang descreveu os dois projéteis lançados nesse dia como "um novo sistema de lançamento múltiplo de foguetes guiados de grande calibre".

Na semana passada, Pyongyang já disparou dois artefatos que Seul descreveu como mísseis balísticos de curto alcance. Um deles voou pelo menos 700 quilômetros.

Esta foi a "resposta" da Coreia do Norte à afirmação de Trump de que 'não há urgência' em negociar um acordo nuclear", considerou Jean Lee, do Wilson Center, de Washington.

"Busca provocar um sentimento de urgência na península da Coreia para reforçar sua posição antes das negociações sobre a questão nuclear", acrescentou.

A Coreia do Norte descreveu o lançamento da semana passada como uma "advertência solene aos belicistas sul-coreanos" e pediu o cancelamento dos treinos militares planejados entre Washington e Seul.

O Pentágono reafirmou, porém, que Estados Unidos e Coreia do Sul manterão os exercícios conjuntos.

Washington tem 28.500 soldados estacionados na Coreia do Sul para protegê-la de ameaças do país vizinho.


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