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Estado de Minas

Emoção e homenagens aos heróis no 75º aniversário do 'Dia D' em Portsmouth


postado em 05/06/2019 18:43

Junto com representantes de outros 13 países e 300 veteranos, os chefes de Estado de Estados Unidos, Reino Unido e França - Donald Trump, Elizabeth II e Emmanuel Macron - iniciaram nesta quarta-feira (5) na Inglaterra as celebrações pelo 75º aniversário do desembarque da Normandia.

A cerimônia na cidade britânica de Portsmouth também contou com a presença da primeira-ministra Theresa May, seus homólogos de Canadá e Austrália - Justin Trudeau e Scott Morrison -, a chanceler alemã, Angela Merkel, e chefes de governo da Bélgica, República Tcheca, Grécia, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Polônia, Eslováquia, Dinamarca e Nova Zelândia.

"A geração da guerra, a minha, é resistente, e estou encantada de estar hoje com vocês em Portsmouth", afirmou a rainha, de 93 anos, agradecendo "pelo heroísmo, valor e sacrifício dos que perderam suas vidas" para defender "a causa da liberdade".

"Que hoje possa participar como chanceler alemã e que defendamos conjuntamente a paz e a liberdade é um presente da história que temos que proteger e apreciar", disse Merkel, após a cerimônia.

Os atos comemoram o chamado "Dia D", em 6 de junho de 1944, quando começou o enorme desembarque militar aliado na costa francesa da Normandia, um momento-chave na libertação da Europa do nazismo. Dos mais de 150.000 soldados que pisaram em solo francês nesse dia, mais de 10.000 morreram, ficaram feridos, ou despareceram.

Muitos não imaginavam que sua heroica ação mudaria o curso da História.

"Tinha 18 anos e esperava algo como uma grande aventura, embora, sim, soubesse que algo gigante estava acontecendo", contou à AFP o piloto britânico Gregory Hayward, de 93.

"É bom poder falar com outras pessoas que estiveram lá no Dia D. Se não falarmos disso, vamos esquecer, e é preciso conservar a memória", completou Thiery Cordish, de 96, outro dos 300 veteranos presentes à homenagem em Portsmouth.

Lá eles foram ovacionados pelos mandatários de Estados Unidos, Reino Unido, França, Canadá, Austrália, Bélgica, República Tcheca, Grécia, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Polônia, Eslováquia, Dinamarca, Nova Zelândia e Alemanha.

"Que hoje eu possa participar como chanceler alemã e que defendamos conjuntamente a paz e a liberdade é um outro presente da história que temos que proteger e apreciar", disse após a cerimônia Angela Merkel.

No cair da noite cerca de 250 veteranos britânicos voltaram a zarpar de seu país rumo às costas francesas, para voltar a viver o perigoso périplo do dia D, há 75 anos.

- 'Lutaremos nas praias'

As celebrações, que continuarão na França na quinta-feira, começaram com a projeção em um telão de imagens do "Dia D", mostrando os soldados que desembarcaram nas praias da Normandia. Na sequência, um grupo de veteranos subiu ao palco, muitos apoiando-se em uma bengala. Foram ovacionados pelo público e por representantes de líderes de 16 países.

Trump leu a oração que o presidente americano Franklin Roosevelt transmitiu por rádio naquele dia, falando sobre "libertar uma humanidade que sofre".

Tampouco faltaram as homenagens musicais: de uma banda da Guarda Real britânica até a coreografia de um rock and roll, passando pela apresentação do barítono britânico Willard White entoou "Le Chant Des Partisans", hino da resistência francesa durante a ocupação alemã.

Um silêncio sepulcral se impôs enquanto ressoava o famoso discurso de 1940 do primeiro-ministro britânico Winston Churchill, conhecido como "Lutaremos nas praias". Depois, May leu uma carta do capitão inglês Norman Skinner para sua mulher Gladys. A carta foi encontrada em sua jaqueta após sua morte no desembarque.

- Não subestimar a URSS

Na cerimônia, Macron leu a carta de um jovem resistente francês, Henri Fertet, fuzilado aos 16 anos. Após 87 dias de prisão e de tortura, ele escreveu aos pais.

"Eu morro por minha pátria. Quero uma França livre e franceses felizes. (...) Que morte será mais honrosa para mim do que essa? Adeus, a morte me chama (...) Mesmo assim é duro morrer. Mil beijos. Viva a França", leu Macron.

O ato terminou com uma apresentação nos céus da Real Força Aérea Britânica, que incluiu 25 aeronaves, entre aviões modernos e os lendários Spitfire.

Para honrar esse ato heróico, os 16 países representados em Portsmouth adotaram uma declaração, na qual se comprometem a que "os sacrifícios do passado não tenham sido em vão, nem sejam nunca esquecidos".

"Durante os últimos 75 anos, as nações defenderam a paz na Europa e no mundo, a democracia, a tolerância e o Estado de direito", dizem na declaração.

"Reiteramos hoje nosso compromisso com os valores comuns, porque eles apoiam a estabilidade e a prosperidade das nossas nações e dos nossos povos", acrescentam, destacando seu compromisso com organizações internacionais, como ONU e Otan.

Ausente das comemorações, a Rússia pediu para não "exagerar" a importância do desembarque e não "subestimar" o papel que a União Soviética desempenhou na derrota de Hitler.

Portsmouth foi o porto de saída para a praia de Sword, a mais ao leste da Normandia das cinco escolhidas para o desembarque aliado. Foi a maior operação desse tipo na História em termos do número de navios participantes.

Trump e May seguem nesta quinta para a França, para participarem do segundo dias de comemorações, ao lado de Macron, na Normandia.


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