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Estado de Minas

Segundo jornal, Londres e Bruxelas se entenderam sobre fronteira irlandesa


postado em 04/11/2018 09:52

Bruxelas e Londres concordaram em manter temporariamente o Reino Unido em uma união aduaneira com a União Europeia após o Brexit para evitar o retorno de uma fronteira rígida na ilha da Irlanda, de acordo com informações do Sunday Times.

Downing Street chamou tais informações de "especulações".

Segundo fontes do alto escalão citadas pelo jornal, sem nomeá-las, a primeira-ministra britânica Theresa May obteve concessões de Bruxelas, permitindo-lhe "manter todo o Reino Unido" em uma união alfandegária até que uma nova relação comercial com a UE seja estabelecida após o Brexit, previsto para o final de março de 2019.

Esta solução evitaria o restabelecimento de uma fronteira física entre a província britânica da Irlanda do Norte e a vizinha República da Irlanda, membro da UE, o que prejudicaria o acordo de paz de 1998 que encerrou três décadas de violência na Irlanda do Norte.

Também evitaria o 'backstop' proposto pela UE e prevê a manutenção da Irlanda do Norte na união aduaneira e no mercado único, caso não seja encontrada outra solução. Esta proposta é considerada inaceitável por Londres, que não quer tratar sua província de maneira diferente do resto do país.

Questionado pela AFP, o gabinete de Theresa May não confirmou a informação, chamando-a de "especulação", mas garantiu que as negociações estavam indo "bem".

Segundo o novo acordo, a UE concordaria em ter as mercadorias verificadas nas fábricas e nas lojas, e não na fronteira, de acordo com o Sunday Times.

Prevê ainda uma "cláusula de saída" do Reino Unido desta união aduaneira, para tranquilizar os Brexiters, que são a favor de uma ruptura clara com a UE.

O governo britânico precisa reunir todo o apoio possível antes de o acordo de divórcio ser submetido à votação do Parlamento Britânico em dezembro.

A fronteira irlandesa é um dos principais obstáculos para a conclusão de um acordo de divórcio entre o Reino Unido e a UE, uma vez que os dois lados ainda não conseguiram chegar a um consenso sobre como manter uma fronteira aberta na ilha da Irlanda. Esse bloqueio faz temer uma saída sem acordo final.

Na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Coveney, e David Lidington, secretário de Estado do gabinete de May, asseguraram que Dublin e Londres estavam "muito próximas" de acertar a questão da fronteira irlandesa.

Segundo o Sunday Times, este novo acordo será discutido na terça-feira pelo governo britânico, na esperança de que uma cúpula europeia extraordinária seja convocada ainda em novembro, para concluir as negociações e selar o acordo de retirada.

Ao mesmo tempo, mais de 70 líderes empresariais britânicos assinaram uma carta aberta, citada no Sunday Times, pedindo um segundo referendo sobre o Brexi.

Eles argumentam que tanto as propostas do governo britânico sobre o Brexit quanto a perspectiva de uma ruptura rígida vão dificultar o comércio com a UE. Isso irá "desencorajar o investimento", o que "será ruim para os negócios e prejudicial para a força de trabalho".

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