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Estado de Minas

Ex-presidente Mesa quer enfrentar Evo Morales em 2019


postado em 06/10/2018 19:30

O ex-presidente boliviano Carlos Mesa lançou neste sábado (6) sua candidatura para as eleições presidenciais de 2019, nas quais enfrentará o atual presidente, Evo Morales, que busca a quarta reeleição consecutiva.

"Tomei (...) a decisão de ser um candidato à Presidência do Estado. E eu faço isso por uma razão muito clara porque este é um tempo de inflexão histórica, porque estamos no início, no limiar de uma nova era", disse Mesa em um vídeo postado em sua conta no Twitter.

Mesa, que governou a Bolívia entre 2003 e 2005, foi o porta-voz de La Paz no processo marítimo contra o Chile, que foi rejeitado na segunda-feira pela Corte Internacional de Justiça em Haia. Esse foi um revés político para Morales, já que uma decisão favorável lhe permitiria consolidar sua polêmica decisão de buscar uma nova reeleição (rejeitada em um referendo em 2016), segundo analistas.

Observadores avaliam que Mesa - historiador e jornalista de 65 anos - é o único político boliviano que pode reunir toda a oposição contra Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia, nas eleições de 2019.

"Há um velho tempo que está acabando, que está se esgotando, que cumpriu seu ciclo", disse Mesa em alusão a Morales, um dia depois de selar um acordo com a Frente Revolucionária de Esquerda (FRI, na sigla em espanhol), um partido minoritário, para se apresentar em seu nome às primárias partidárias em janeiro.

No referendo de 21 de fevereiro de 2016, os bolivianos negaram a Morales a possibilidade de se postular a um quarto mandato em 2019, mas depois, uma sentença polêmica do Tribunal Constitucional deu luz verde ao presidente aimara para uma nova candidatura.

"O presidente Morales já não faz parte do presente e muito menos do futuro, é parte do passado, (ele) é o passado. E o é porque infelizmente decidiu que o poder é mais importante que o projeto", disse Mesa.

"Infelizmente, (Morales) considera que tem algum direito adquirido para permanecer indefinidamente no poder porque decidiu por isso dar as costas ao mandato popular expresso no referendo de 21 de fevereiro de 2016", acrescentou.

No entanto, um dirigente do partido esquerdista de Morales, Gustavo Torrico, afirmou que é Mesa quem representa uma volta ao passado.

"É um rival que poderia aglutinar (...) todos os que estão pensando em voltar ao velho passado", disse Torrico, citado pela agência Boliviana de Informação.

Morales, que assumiu o poder em 2006, tem desde agosto passado o recorde de permanência no comando da Bolívia. Se for reeleito em 2019 para o período 2020-2025, completaria 19 anos na Presidência.

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