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Estado de Minas

Cúpula Trump-Kim, a atração de dois opostos


postado em 05/06/2018 15:00

Difícil imaginar duas pessoas mais diferentes do que Donald Trump e Kim Jong-un, que se encontrarão em 12 de junho para uma cúpula tão histórica quanto improvável.

Olhando mais de perto, porém, há vários pontos em comum.

O magnata americano, que festejará seus 72 anos dois dias depois da cúpula, já era o mais velho presidente dos Estados Unidos da história quando assumiu o cargo.

De idade não divulgada, mas na faixa dos 30, o líder norte-coreano continua sendo um dos líderes mais jovens do mundo.

Ele foi o artífice de uma meteórica aceleração dos programas atômico e balístico de seu país, estando hoje em medida de enviar um míssil sobre o território continental americano.

Uma proeza que agravou as tensões entre Washington e Pyongyang, duas capitais que até há alguns meses trocavam ameaças de apocalipse nuclear, enquanto seus líderes rivalizavam insultos.

Enquanto Trump chamava Kim de "homem-foguete", ou de "cão doente", este último prometia disciplinar o "americano gagá doente mental".

A retórica se apaziguou espetacularmente, porém, à medida que se confirmou a détente na dividida península coreana.

"Acho que vão se entender bem", prevê John Delury, professor da Universidade Yonsei, de Seul.

"Ao contrário do que se poderia pensar, acho que eles vão se ouvir", completou.

- Capacidade de ouvir -

Kim Jong-un, que até este ano nunca havia feito visitas oficiais ao exterior, distinguiu-se ao dar a impressão de estar disposto a ouvir.

Ele aparece conversando longamente com o presidente chinês, Xi Jinping, em uma praia de Dalian, no nordeste da China; ou ainda em uma atitude muito respeitosa em relação ao presidente sul-coreano, Moon Jae-in, durante um chá na Zona Desmilitarizada (DMZ, na sigla em inglês) que divide a península.

E, apesar de tudo, Trump também soube questionar e ouvir com atenção durante suas visitas à China e à Coreia do Sul, observa Delury.

"Eles vão entrar no lugar e se colocar boas questões, questões abertas. Trump não vai entrar dizendo: 'me dê suas bombas'. Como disse Trump, é uma relação, 'nós estamos construindo uma relação'", acrescentou.

Até chegar à Casa Branca, Donald Trump foi bem-sucedido tanto no setor imobiliário quanto na televisão, e driblou o establishment com uma campanha populista, na qual ninguém apostou no início.

O contraste não poderia ser maior com Kim Jong-un, o herdeiro preparado durante anos com o único objetivo de suceder ao pai na cúpula do poder, um líder que nunca precisou se preocupar com a próxima eleição, com as manchetes dos jornais, ou com o poder do Twitter.

Há, contudo, semelhanças em sua maneira de governar e de priorizar a confiança na família no núcleo de poder.

A irmã do líder norte-coreano, Kim Yo-jong, impôs-se como uma das conselheiras mais próximas. Ela foi sua enviada aos Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul e esteve ao seu lado durante a cúpula intercoreana de Panmunjom, na DMZ, ou ainda no encontro de Kim com o presidente chinês em Dalian.

Ivanka Trump é uma das assistentes do pai, enquanto seu marido, Jared Kushner, é um conselheiro bastante próximo, e Donald Trump Jr. teve um papel importante na campanha.

Os dois dirigentes exigem lealdade pessoal total.

- Kim 'muito preparado' -

Em um mês, a partir de 28 de fevereiro, Trump demitiu, ou assistiu à saída de vários funcionários do alto escalão de seu governo, como Hope Hicks, uma de suas conselheiras mais próximas, ou o conselheiro de Segurança Nacional, HR McMaster, ou ainda do então secretário de Estado, Rex Tillerson.

Os jornais também apontam importante dança das cadeiras na Coreia do Norte, com as substituições do chefe do Estado-Maior Geral e do ministro da Defesa.

Kim Jong-un ficou conhecido por sua personalidade implacável, chegando a executar o tio Jang Song-thaek por traição, em 2013. Seu meio-irmão Kim Jong-nam foi assassinado em 2017, em Kuala Lumpur, em um crime que teria sido encomendado por Pyongyang.

Mas, segundo pessoas que fizeram negócios com Kim, relata Delury, o líder norte-coreano é "muito preparado".

"Ele conhece os temas, ele tem notas, mas ele nem olha", afirma.

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