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Estado de Minas

Itália se encaminha para governo antissistema e preocupa Europa


postado em 11/05/2018 18:30

Luigi Di Maio e Matteo Salvini, líderes de partidos antissistema na Itália, abordaram nesta sexta-feira (11), em Roma, a elaboração de um programa comum de governo, sob os olhares preocupados dos dirigentes da União Europeia, reunidos para uma conferência em Florença.

"Conseguimos notáveis avanços no programa de governo encontrando grandes convergências nos temas que preocupam os italianos", declarou Luigi Di Maio, líder do Movimento 5 Estrelas (M5E), após seu encontro com Matteo Salvini, líder da ultradireitista Liga Norte.

Os dois políticos se reunirão novamente no sábado em Milão para "elaborar o programa do futuro governo de mudança, se o alcançarmos", declarou Di Maio.

Segundo a mídia italiana, os líderes antissistema informarão sobre seus avanços ao presidente Sergio Mattarella no domingo e, caso as negociações saiam bem, este poderia nomear o chefe de Governo acordado por eles na segunda-feira.

Para o cargo de primeiro-ministro, ambos os partidos parecem excluir Di Maio e Salvini, e asseguram buscar alguém que não pertença nem à Liga nem ao M5E, mas que seja um político e ofereça garantias no exterior.

Os presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, expressaram durante o mesmo encontro sua preocupação com a ascensão do populismo.

"Ser um bom italiano também significa ser um bom cidadão europeu. Deve-se repetir em voz alta, especialmente nesses momentos", insistiu Tajani.

Juncker mostrou inquietação diante dos "ressentimentos" gerados pela crise migratória. "Isso deu aos populistas e nacionalistas o material que precisavam para desfazer a solidariedade na Europa", lamentou.

Em matéria de luta contra imigração, o M5E se mostra disposto a seguir a linha dura da Liga.

"Queremos continuar no euro e na Europa. Mas repetimos que devemos voltar a analisar alguns tratados", declarou Vincenzo Spadafora, conselheiro político de Di Maio. Salvini considera, por sua vez, que o euro é um fracasso, embora não seja partidário de uma saída unilateral da Itália.

Os dois partidos querem fazer concessões para aplicar suas duas medidas principais, que dificilmente parecem compatíveis no segundo país mais endividado da zona do euro: uma diminuição drástica de impostos, para a Liga, e a adoção de um salário universal, para o M5E.

Diante das críticas surgidas por essa possível aliança na ala mais à esquerda do M5E, o partido prometeu que todo acordo será submetido a um voto de seus militantes pela Internet, sem detalhar quando aconteceria.

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