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Estado de Minas

Contra a parede, oposição venezuelana deve decidir se disputa eleições


postado em 08/02/2018 22:30

A oposição venezuelana, dividida e com uma crise de liderança, deverá decidir se participará das presidenciais de 22 de abril, eleições que preveem maior isolamento internacional para o governo de Nicolás Maduro e a piora da economia.

Os adversários de Maduro receberam como um golpe a decisão do poder eleitoral de fixar a data das eleições antecipadas, após o fracasso da negociação de quarta-feira para entrar em consenso sobre este ponto e as garantias do processo.

"Como boxeadores, estamos aturdidos após recebermos tantos golpes", admitiu nesta quinta-feira Julio Borges, chefe negociador da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD), que acusa a entidade eleitoral de servir ao governo.

Como uma primeira sacudida, Borges anunciou reuniões entre líderes da MUD e de setores sociais para traçar o caminho a seguir, além de uma nova viagem internacional para denunciar a crise política e socioeconômica.

E reconhecendo que um dos maiores obstáculos da aliança são suas divisões, pediu unidade para impedir a reeleição de Maduro por seis anos. "Sem unidade, estamos mortos", advertiu.

Maduro disse nesta quinta-feira estar disposto a continuar o diálogo, se a oposição assinar o documento que surgiu das negociações. "Assinem o acordo. Se há novos temas, continuamos conversando", acrescentou.

O adiantamento das eleições foi rechaçado pelos Estados Unidos e pela Eurocâmara, que prometeram não ficar de braços cruzados.

- O dilema -

A MUD - integrada por cerca de 30 partidos - está dividida por diferenças sobre a estratégia para tirar Maduro do poder, objetivo que teve um capítulo dramático em 2017 com protestos que deixaram 125 mortos.

E aparece enfraquecida, com seus principais líderes inabilitados politicamente e a desconfiança de um setor por ter dialogado com um governo que chama de "ditadura".

Agora, com as eleições à vista, precisam decidir se irão às urnas. Mas tem outro desafio: eleger um candidato de consenso a tempo, pois as inscrições serão entre os dias 24 e 26 de fevereiro.

Borges citou dois dos cenários analisados pela MUD: ficar à margem, ou inscrever um candidato para evidenciar as "irregularidades" do processo.

Um consenso se mostra complexo, o que favorece a candidatura de Maduro, que tem uma grande rejeição popular pela crise econômica, mas que soube fissurar seus adversários, segundo analistas consultados pela AFP.

"A vitória de Maduro está clara, a não ser que a oposição chegue a alguma decisão unitária", opina a cientista política Francine Jácome.

Com o risco de mais fissuras, as forças opositoras não deveriam participar, considera Leandro Area. "Não se trata de se abster, mas de não participar de uma fraude", considera.

Mas outros especialistas, como Luis Salamanca, observam que o caminho eleitoral é o que tem "mais possibilidades" de gerar mudanças, sem excluir as pressões das ruas e diplomática.

- 'Impacto demolidor' -

A participação da MUD se chocaria com a advertência de vários países de não reconhecer eleições convocadas pela governista Assembleia Constituinte, que rege com plenos poderes e a qual consideram ilegítima.

Washington disse nesta quinta-feira que continuará "pressionando o regime" de Maduro para restabelecer a democracia, enquanto a Eurocâmara anunciou que apenas reconhecerá eleições com condições "equitativas, justas e transparentes", e pediu sanções para Maduro.

Os Estados Unidos, por sua vez, ameaçam restringir as importações petroleiras da Venezuela.

Maduro acusa o governo de Donald Trump de propiciar a sua derrubada mediante uma "guerra econômica" para se apoderar da maior reserva petroleira do mundo.

"Uma eleição apresentada nesses termos não dará a Maduro a legitimidade que tinha ante a comunidade internacional", apontou Jácome.

"É difícil imaginar que se possa manter no poder nestas condições por mais de um ou dois anos", considerou a consultora Eurasia Group, embora tenha assinalado que é improvável uma "mudança de regime" nestas eleições.

Às múltiplas derivações da crise se somou nesta quinta-feira a decisão do Tribunal Penal Internacional de abrir análises preliminares por "supostos crimes" na Venezuela durante os protestos de 2017. O governo a rechaçou.

Maduro, ex-motorista de ônibus de 55 anos, baseia sua força em um controle institucional de várias áreas, incluindo os militares.

No entanto, este enorme poder não conseguiu deter o colapso econômico: dependente da renda petroleira que diminuiu, o país está em recessão desde 2014, a hiperinflação pode chegar a 13.000% este ano, segundo o FMI, e a escassez de alimentos e remédios é crônica.

Tudo isso gerou uma diáspora, especialmente para a vizinha Colômbia, que nesta quinta-feira anunciou maiores controles fronteiriços.

"O impacto esperado é demolidor" para a economia "e todos viveremos isso, sem garantia de mudança política", advertiu o presidente da empresa Datanálisis, Luis Vicente León.

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