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Estado de Minas

Papa encontra grupo de vítimas de padres pedófilos nos Estados Unidos

Pontífice prometeu que os responsáveis "vão responder por seus atos"


postado em 27/09/2015 11:16 / atualizado em 27/09/2015 12:21

O pontífice recebeu durante meia hora em um seminário três mulheres e dois homens,
O pontífice recebeu durante meia hora em um seminário três mulheres e dois homens, "vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero, educadores e membros de suas famílias" (foto: AFP PHOTO/JEWEL SAMAD )

O papa Francisco se reuniu neste domingo na Filadélfia (leste dos EUA) com vítimas de padres pedófilos, além de educadores e membros das suas famílias, e declarou que "Deus chora" por esses crimes, no último dia de sua passagem pelos Estados Unidos.

"Deus chora. Os crimes contra menores não podem ser mantidos em segredo por mais tempo. Comprometo-me com a zelosa vigilância da Igreja para proteger os menores e prometo que os responsáveis vão responder por seus atos", declarou Francisco em uma reunião com os bispos americanos.

O pontífice recebeu durante meia hora em um seminário três mulheres e dois homens, "vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero, educadores e membros de suas famílias", informou em um comunicado do Vaticano.

"Irmãos bispos, bom dia. Carrego gravado em meu coração essas histórias, o sofrimento e a dor dos menores que foram abusados sexualmente por sacerdotes", afirmou o a Papa no início da reunião com os bispos, acrescentando que "aqueles que sofreram tornaram-se verdadeiros heróis da misericórdia"

Filadélfia, cidade da costa oeste americana a meio caminho entre Washington e Nova York, foi uma das regiões mais atingidas nos Estados Unidos por este escândalo na década de 1980. "O Papa escutou os testemunhos dos visitantes e lhes dirigiu algumas palavras, antes de falar com cada um individualmente", informou o Vaticano.

Francisco já havia tratado o caso em várias ocasiões durante esta viagem, mas sempre de forma discreta. Seu antecessor, Bento XVI, encontrou-se com vítimas da pedofilia em Boston em 2008.

Estrela humilde

O sumo sacerdote de 78 anos planeja dizer adeus aos Estados Unidos com uma missa na qual são esperadas 1,5 milhão de pessoas, que também servirá de encerramento para o VIII Encontro Mundial das Famílias Católicas.

Antes, visitará a prisão de Curran-Fromhold para conversar com uma centena de prisioneiros, uma atividade que é muitas vezes parte de suas visitas pastorais.

Esta décima viagem do primeiro papa das Américas começou em Cuba, onde pediu que o país continue no caminho da reconciliação.

Muito envolvido no restabelecimento do diálogo entre Havana e Washington, Francisco foi recebido muito calorosamente e pessoalmente pelo presidente Barack Obama no aeroporto e na Casa Branca.

Desde sua chegada a Washington, que também incluiu um discurso inédito na quinta-feira ante as duas casas do Congresso, Francisco despertou grande alegria, com multidões que o seguiram para todas as partes.

Tratado como uma estrela do rock, o Papa se manteve firme em seus princípios de humildade e proximidade com os setores mais vulneráveis, despertando a admiração de líderes de todas as classes políticas, da imprensa e até mesmo dos não-católicos.

Em Nova York, deixou uma forte mensagem na ONU contra a opressão financeira sobre o mundo em desenvolvimento e a favor da luta contra as mudanças climáticas, antes de visitar o Memorial do 11 de Setembro.

Paladino dos imigrantes

Para os milhões de imigrantes indocumentados que vivem nos Estados Unidos, Francisco tornou-se um verdadeiro paladino, defendendo-os e pedindo respeito pela sua dignidade e identidade.

Filho de italianos, exortou-os no sábado a "não desanimar" e "nunca se envergonhar" em um discurso simbólico no local da declaração de independência dos Estados Unidos em 1776.

Através de exemplos históricos como Abraham Lincoln ou Martin Luther King, ele pediu aos americanos para lembrar os valores fundadores da nação.

Muitos imigrantes latino-americanos acreditam que o Papa mudou o rumo do debate sobre a reforma da imigração nos Estados Unidos, uma das pedras angulares da campanha presidencial de 2016.

"O Papa pode interceder para ajudar os imigrantes e parar as deportações", disse à AFP Marta Dominguez, uma mexicana que vive em Norristown (32 km ao norte da Filadélfia) que esteva no Independence Hall.

Capaz de um diálogo franco, sem frases enigmáticas, também defendeu a família como a "fábrica de esperança", em um discurso improvisado para uma multidão.

Com a sabedoria popular que provoca tanta admiração entre os seus seguidores, Francisco pediu para que as famílias superem suas dificuldades com paciência e amor e nunca terminem o dia "sem se reconciliar".

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