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Estado de Minas

Sobe para nove o número de mortos em ataque em hotel na Somália

Atentado foi reivindicado por grupo afiliado da Al Qaeda, um dia após o presidente americano Barack Obama dizer que insurgentes haviam perdido força


postado em 26/07/2015 16:22 / atualizado em 26/07/2015 19:39

Segundo a União Nacional de Jornalistas Somalis, um jornalista do canal Universal TV morreu no ataque(foto: AFP)
Segundo a União Nacional de Jornalistas Somalis, um jornalista do canal Universal TV morreu no ataque (foto: AFP)
Subiu para nove o número de mortos em um ataque a bomba na Somália. A polícia local disse que um carro-bomba avançou contra o bloqueio perto do maior hotel da capital, danificando seriamente o edifício. O ataque deixou entre os mortos um diplomata chinês, de acordo com o ministro de Relações Exteriores da Somália, Abdisalam Omer. Um diplomata do Quênia, segundo Omer, está entre os cerca de 20 feridos.

"A maior parte dos mortos eram funcionários que faziam a segurança do local", afirmou Mohamed Jama, que prevê que este número deve aumentar nas próximas horas. Um jornalista do canal Universal TV figura entre os mortos, segundo a União Nacional de Jornalistas Somalis.

O atentado foi reivindicado pelos shebab, afiliados à Al Qaeda, em comunicado divulgado em páginas da internet ligadas aos jihadistas. Eles afirmam ter atuado "em represália" às recentes ofensivas contra o grupo no sul da Somália. O presidente somali Hasan Sheik Mohamud manifestou suas condolências às famílias das vítimas do que chamou de "ataque terrorista odioso". "Tenho certeza que venceremos os terroristas", afirmou.

O atentado ocorre no momento em que o presidente dos EUA, Barack Obama, está na vizinha Etiópia, e deve tratar sobre a segurança da região. Nessa sexta-feira, Obama chegou a afirmar que o grupo perdeu força.

A explosão atingiu o Hotel Jazeera, frequentado por membros do governo somali e expatriados, e que normalmente abriga missões diplomáticas e funcionários estrangeiros. No momento do ataque estavam no hotel diplomatas chineses, catarianos e cidadãos dos Emirados Árabes, mas segundo várias fontes ninguém saiu ferido.

A Missão da União Africana na Somália (Amisom), mobilizada no país para lutar contra os jihadistas shebabs, ajudou a fazer o resgate das vítimas. "O ataque hediondo contra o hotel Jazeera, um lugar que simboliza a determinação dos somalis em reconstruir seu país (...) é um exemplo das más intenções dos shebabs que não querem a paz no país", afirmou a Amisom um comunicado.

O atentado ocorreu quando Obama ia embora do Quênia, na fronteira com a Somália, onde parabenizou a Amisom pelo trabalho realizado no país. O presidente norte-americano admitiu que os shebab continuam sendo uma ameaça, mas garantiu que estavam "perdendo força".  Os Estados Unidos realizam ataques periódicos com aviões tripulados contra os shebab neste país do Chifre da África.

Explosão atingiu a frente de hotel(foto: AFP)
Explosão atingiu a frente de hotel (foto: AFP)
Fachada devastada

Abdihakim Ainte, analista político que mora no hotel, confirmou que houve "uma enorme explosão" que fez com que as janelas de seu quarto explodissem e que o hotel "está devastado". Fotos postadas em redes sociais mostraram a frente do hotel completamente demolida pela explosão.

Mohamed Moalim, que estava dentro do edifício na hora da explosão, afirmou ter visto "um caminhão carregado de explosivos". O hotel Jazeera está perto da área altamente protegida do aeroporto internacional, que abriga a ONU, embaixadas ocidentais e a sede da Amisom.

O edifício já havia sido alvo de ataques dos shebab. Em 2012, ocorreu um ataque suicida quando o presidente do país estava dentro do local. A Somália está em estado de guerra civil, privada de um governo central real desde a queda do ditador Siad Barre em 1991.

Os shebab, afiliados a Al Qaeda, travam desde 2007 um levante armado que o governo combate com a ajuda dos países ocidentais e a proteção de 22 mil soldados da Missão da União Africana na Somália. Na semana passada, a Amisom lançou uma nova ofensiva para expulsar os shebab das zonas rurais que ainda controlam no sul.


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