Após recusar a mais alta distinção concedida na França, o economista Thomas Piketty causou nova polêmica ao acentuar, nesta sexta-feira, suas críticas ao governo socialista de François Hollande.
"A ação do governo nos dois últimos anos tem sido catastrófica, e que não preciso da Legião de Honra para dizer ou escrever isso", declarou ao jornal Le Monde o autor do best-seller mundial "O Capital do Século XXI".
Ele justificou novamente seu gesto afirmando ter "sempre achado essa história de Legião de Honra uma coisa completamente ultrapassada".
Piketty anunciou na quinta-feira à AFP sua recusa da distinção, oficializada em 1º de janeiro, dizendo acreditar que "não cabe a um governo decidir quem é honorável ou não".
"É uma pena que eles não tenham falado comigo antes, pois assim teríamos evitado todo esse teatro", afirmou ao Monde o economista. Abertamente de viés à esquerda, ele se distanciou dos socialistas após a eleição do presidente François Hollande em 2012.
"Eles podem até temer que eu não queira ser condecorado por eles", disse, "mas eu teria feito a mesma coisa" com outros governantes.
A recusa de Thomas Piketty à mais alta distinção francesa foi alvo de críticas por parte de diversos membros do executivo.
O secretário de Estado para a reforma do Estado, Thierry Mandon, não acredita que a recusa do economista tenha sido motivada por "humildade".
Thomas Piketty, que participou da campanha de François Hollande, critica principalmente o presidente por ter abandonado alguns projetos de reforma fiscal inspirado em suas teses.
Última obra deste especialista em desigualdade, "O Capital do Século XXI" - traduzido em diversos idiomas e com mais de 1,5 milhões de exemplares vendidos desde 2013 - rendeu notoriedade internacional a Piketty.
