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Estado de Minas

As causas profundas da Grande Guerra: a visão de dois historiadores


postado em 28/06/2014 06:00 / atualizado em 28/06/2014 09:44


Quais são as causas profundas da Primeira Guerra Mundial, que retrospectivamente aparece como o suicídio de uma Europa no auge de seu poderio?

                                         Veja a retrospectiva da guerra no infográfico

Explicações de dois historiadores à AFP, o alemão Gerd Krumeich, professor da Universidade de Dusseldorf, e o irlandês John Horne, do Trinity College de Dublin:

Gerd Krumeich:

"O conflito é originado, sem dúvida, nas rivalidades geradas pelo imperialismo das nações europeias. No início do século, todas consideram que um império é vital para seu desenvolvimento, em um mundo regido pela concorrência internacional.

O equilíbrio europeu perturba a vontade da Alemanha, que se tornara a maior potência industrial da Europa, de se dotar de um império colonial na medida de seu dinamismo. Comporta-se com bastante agressividade diante das outras potências: se lança em uma corrida armamentista naval que preocupa a Grã-Bretanha, disputa territórios africanos com a França e ajuda a Turquia otomana, grande rival da Rússia, a modernizar seu Exército.

Essas tentativas são contrabalançadas pelas outras potências e a Alemanha sai frustrada. Sente-se ameaçadas por ingleses, franceses e russos, que, por sua vez, consideram-se ameaçados pelas ambições alemãs e se unem em bloco contra Berlim. Isto acelera uma corrida armamentista em 1912/1913, acompanhada por uma escalada do nacionalismo na Alemanha e na França.

Em Berlim, os militares acreditam que a guerra se aproxima e só pensam que poderão vencê-la se ela eclodir rapidamente, antes que a Rússia possa concluir a consolidação militar que havia iniciado. Isso explica o papel chave da Alemanha no desencadeamento do conflito".

John Horne:

"Durante décadas, uma rivalidade ideológica opõe o princípio dinástico e multiétnico dos impérios da Europa Oriental ao de nacionalidade, encarnado pelos Estados-nação ocidentais e baseado no princípio de soberania popular. O nacionalismo que toma forma nos Bálcãs e na Europa Oriental ameaça, em particular, a Áustria-Hungria.

Por outro lado, o equilíbrio europeu foi profundamente modificado pela unificação da Alemanha em 1871, que lhe permite se tornar uma grande potência, enquanto a França declina lentamente. As rivalidades coloniais e econômicas exacerbam tensões com outras raízes.

Um equilíbrio entre os dois campos armados se instala progressivamente, regulado por um acordo entre as grandes potências para evitar que as crises regionais incendeiem o continente. Esse acordo ainda vai funcionar durante as guerras balcânicas de 1912-13. Mas em julho de 1914, o mecanismo de segurança é acionado.

Se os responsáveis tivessem entendido a natureza da guerra futura, não teriam se lançado a ela com tanta desenvoltura. Mas consideraram que a guerra era uma opção racional, sem dúvida um desafio, que não transformaria a natureza do mundo em que viviam".


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