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Estado de Minas

Mandela de volta ao berço; caixão está na aldeia de Qunu para enterro

Corpo do líder africano chega à aldeia de Qunu, a 700 quilômetros de Joanesburgo, onde será sepultado hoje em cerimônia de Estado, depois de rituais do clã do ex-presidente


postado em 15/12/2013 00:12 / atualizado em 15/12/2013 07:41

(foto: REUTERS/Elmond Jiyane)
(foto: REUTERS/Elmond Jiyane)

Qunu (África do Sul)
– O corpo do líder africano Nelson Mandela, que deixou de avião Pretória ontem ao meio-dia, chegou à aldeia de Qunu, 700 quilômetros ao sul de Joanesburgo, no meio da tarde, sendo recebido por centenas de pessoas onde o ex-presidente sul-africano será enterrado hoje. O cortejo fúnebre – saudado por milhares de pessoas durante o trajeto desde o aeroporto de Mthatha – foi seguido por um longo comboio de soldados das forças de segurança. As danças e canções de agradecimento a Mandela cessaram imediatamente para transformar-se em ovação quando o caixão, escoltado por soldados motorizados da Polícia Militar, tanques do Exército e dois helicópteros, passou na frente das pessoas que esperavam seu herói na entrada de Qunu.

A caminhonete preta que levava o caixão de Mandela envolvido em uma bandeira sul-africana se dirigiu depois com todo o séquito à casa do ex-presidente na cidade. Moradores de Qunu e dos povoados ao redor, assim como visitantes chegados de todos os pontos da África do Sul, agitaram bandeiras do país e do partido governante, Congresso Nacional Africano (CNA), que já foi liderado por Mandela. Uma longa fila de veículos civis também escoltados pelas forças de segurança fechou o comboio no qual viajavam os restos mortais do líder antiapartheid. “Passou demais rápido, quase não pudemos ver, mas já está descansando em casa”, disse uma senhora que não quis perder o retorno de Mandela à aldeia de sua infância, onde o ex-presidente pediu para ser enterrado.

RITUAL Cerca de 4 mil pessoas, entre elas 20 líderes internacionais e dignatários como o príncipe de Gales, assistirão hoje em Qunu à cerimônia de Estado de ex-presidente sul-africano. Mandela morreu dia 5, aos 95 anos, rodeado por sua família em sua casa de Johanesburgo, depois de uma longa enfermidade por problemas respiratórios. O clã de Nelson Mandela realizou ontem, na chegada do corpo do ex-presidente sul-africano ao aeroporto de Mthatha, na província do Cabo Oriental, um ritual para que seus antepassados saibam que ele voltou para casa. O rei do clã Themba, Buyelekhaya Dalindyebo, comandou o grupo de líderes tradicionais que deu as boas-vindas a Madiba, segundo afirmou Bantu Holomisa, amigo de Mandela à agência oficial de notícias SAnews. “Isto garantiu que Mandela fosse enviado ao mundo de seus ancestrais”, acrescentou.

De acordo com a tradição xhosa, tribo do clã de Madiba, o ritual foi necessário para que os seus antepassados soubessem que ele estava voltando ao seu lar. Os falantes de xhosa se dividiram em vários grupos, entre eles o clã Thembu, do qual Mandela foi membro. “O rei, junto aos anciãos da família, os dlomos, deram as boas-vindas a Madiba”, afirmou Bantu Holomisa. Durante a cerimônia, Mandela foi chamado por seu nome no clã (Dalibhunga), que ele recebeu após passar por um ritual de iniciação aos 16 anos. Dalindyebo gritou “Aaah! Dalibhunga” três vezes, como forma de saudar a volta a Qunu, lugar onde Mandela cresceu e será enterrado hoje.

O ritual incluiu o sacrifício de um boi antes da chegada do corpo vindo de avião de Pretória. Amanhã, um dia depois do enterro, a família de Mandela vai realizar uma cerimônia de purificação em que será sacrificada uma ovelha. Uma semana depois, será realizada uma cerimônia chamada ukuhlanjwa kwepeki (que significa lavar o equipamento utilizado para cavar os túmulos), prática comum na cultura xhosa.

TUTU Nobel da Paz e maior símbolo da luta contra o apartheid depois de Nelson Mandela, o arcebispo Desmond Tutu disse ontem que não comparecerá ao funeral do líder hoje. O governo sul-africano garantiu que ele foi convidado. “Eu gostaria de assistir à cerimônia para dar um último adeus a alguém de quem gostava e apreciava, mas teria sido pouco respeitoso com Tata (Mandela) aparecer em algo que está planejado como um funeral privado da família”, declarou, em um comunicado. Na verdade, a cerimônia não é exclusiva para a família, apenas o trecho final dela. Cerca de 5 mil pessoas, entre celebridades, líderes políticos e amigos, acompanharão o sepultamento em Qunu, vila dos ancestrais de Mandela.

Tutu é um crítico do atual presidente, Jacob Zuma, e do partido governante, o Congresso Nacional Africano. Suas denúncias de corrupção, abuso de poder e má gestão econômica o tornaram persona non grata no governo. Em seu comunicado, ele faz uma referência velada à tensão com o governo, ao dizer que não é “bem-vindo”.


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