O presidente americano, Barack Obama, voltou a pressionar a Câmara de Representantes, nesta sexta-feira, para que aprove uma reforma migratória que inclua a regularização de milhões de pessoas em situação ilegal nos Estados Unidos.
Obama está confiante de que o projeto tem os votos necessários para sua aprovação.
"Eu os incentivo, quando voltarem, a fazer algo, que apresentem um projeto de lei que tenha uma chance de ser aprovado", disse Obama, falando diretamente aos congressistas, que estão no recesso de verão (hemisfério norte).
Aprovar uma reforma migratória que ofereça uma saída das sombras para os imigrantes em situação irregular, especialmente os latinos, é uma das prioridades do segundo mandato do presidente Obama, que insistiu nos "efeitos positivos" para convencer o Congresso.
"Temos fortes evidências de que nossa vantagem tecnológica e científica será melhor se passarmos a reforma migratória", defendeu, em uma entrevista coletiva nesta sexta, antes de partir de férias.
Em junho, o Senado, de maioria democrata, aprovou um projeto que inclui um caminho para a concessão de cidadania para os 11 milhões de pessoas na clandestinidade, junto com um reforço de segurança sem precedentes na fronteira com o México, mudanças no programa de vistos e mais vigilância dos empregadores de mão de obra imigrante.
Desde então, o tema está paralisado na Câmara de Representantes, dominada pelos republicanos, ansiosos por mais segurança fronteiriça e resistentes em oferecer uma "anistia" aos imigrantes que cruzaram a fronteira ilegalmente.
Os grupos pró-imigrantes pressionam o governo para que o assunto seja resolvido ainda este ano, antes que as campanhas pelas eleições legislativas de meio de mandato em 2014 desviem a agenda do Capitólio.
Obama disse estar "absolutamente seguro de que os votos para o projeto do Senado" estão na Câmara, embora tenha dado espaço aos congressistas para agregar elementos. As emendas seriam discutidas em uma comissão das duas Câmaras, antes que o texto final siga para sanção presidencial.
"O problema são as políticas internas dos republicanos", criticou o presidente, enfatizando o apoio ao projeto por parte de grupos normalmente antagônicos, como sindicatos e empresários, estudantes, ou congregações religiosas.
O clamor nas ruas aumentou nas últimas semanas, com um protesto em Washington que deixou 40 detidos e terminou com a detenção - e posterior libertação - de nove jovens em situação ilegal que tentaram voltar para os Estados Unidos do México para chamar a atenção para o número recorde de deportações durante a gestão democrata.
Apesar de seu apoio a uma reforma migratória, Obama deportou cerca de 1,5 milhão de pessoas apenas em seu primeiro mandato.
