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Estado de Minas

Há um mês no poder, Maduro enfrenta crises política e econômica

Sucessor de Hugo Chávez lida com o questionamento sobre a lisura do processo eleitoral e tenta controlar o problema de desabastecimento que interfere na economia do país


postado em 19/05/2013 07:00 / atualizado em 19/05/2013 09:15

Funcionários de supermercado em Caracas trabalham nas prateleiras de papel higiênico, parcialmente vazias: descontentamento com falta de produtos e inflação de 12,5% no ano(foto: JORGE SILVA/Reuters)
Funcionários de supermercado em Caracas trabalham nas prateleiras de papel higiênico, parcialmente vazias: descontentamento com falta de produtos e inflação de 12,5% no ano (foto: JORGE SILVA/Reuters)

Há um mês no poder, o presidente venezuelano Nicolás Maduro enfrenta duas crises que põem à prova se o sucessor de Hugo Chávez vai conseguir levar adiante o projeto da revolução bolivariana. A contestação dos resultados das eleições de 14 de abril, uma inflação crescente e uma escassez de bens básicos que o obriga a negociar com o setor privado para evitar o colapso econômico são os desafios para o ex-chanceler.

No plano político, o líder da oposição Henrique Capriles mantém o questionamento do processo eleitoral e deu entrada com um pedido de impugnação da votação. Capriles, governador de Miranda (Norte), está à espera de uma resposta do Supremo Tribunal sobre dois recursos apresentados contra os resultados das eleições por supostas irregularidades.

Um dos recursos pede a impugnação total do pleito, para que haja repetição de todo o processo eleitoral. Outro recurso teria efeito parcial, com a impugnação de 5.729 mesas eleitorais, o que afetaria 2.320.490 votos. Uma repetição seria feita somente nesses locais. Se essa iniciativa não der certo, pretende apelar para organismos internacionais, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Na semana passada, durante um pronunciamento no estado de Barinas, Maduro disse ter conhecimento da identidade dos 900 mil venezuelanos que não compareceram às eleições. Ele discorria sobre sua decepção com os chavistas que não foram votar e declarou: "Em vez de ser abatidos pela tristeza, abateremos a tristeza e a relutância que nos atinge: 900 mil compatriotas, já sabemos, com carteira de identidade e tudo”. A oposição suspeita de um possível uso de informação privilegiada pelo partido chavista.

Capriles reagiu durante evento no estado de Anzoátegui (Leste). "Todos sabemos que o voto é secreto e, além disso, quase 1 milhão de seguidores do presidente Chávez votaram no ‘flaco’” (como Capriles é conhecido). “Se esse cavalheiro diz que sabe quem não votou nele, então está dizendo que a eleição é fraudulenta, porque a lei diz que o voto é secreto", declarou. O opositor comentou ainda que as declarações de Maduro têm como objetivo amedrontar a população. "Nosso povo pode ficar tranquilo, porque fazem isso para ver quem, entre aqueles que trabalham em instituições do Estado ou estão em um programa social do governo, cai na armadilha para depois se lançarem contra eles."

LEGITIMIDADE
O cientista político John Magdaleno reconhece que este primeiro mês foi difícil para o presidente. “Por um lado, teve de lidar com o questionamento de sua legitimidade e, por outro lado, precisou enfrentar uma crise econômica que está causando desconforto e descontentamento", afirmou.

A tensão pós-eleitoral e um episódio de violência em que 12 pessoas morreram fizeram com que Maduro radicalizasse o discurso. Ele acusa a oposição e a extrema-direita dos Estados Unidos de estarem tramando um golpe. "O plano é eliminar o povo, para fazer com que Chávez desapareça e a revolução bolivariana acabe", declarou Maduro.

Para Magdaleno, Maduro "manterá a linha dura em relação à oposição, tentando fazer com que cometa erros como no passado", explicou, referindo-se ao golpe de Estado em 2002, que derrubou Chávez por um breve período e à greve do petróleo que alguns meses depois paralisou o país. Dessa forma, o presidente tenta manter a unidade dentro do chavismo, principalmente com a proximidade das próximas eleições, as municipais, que devem ser convocadas em breve.


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