A perda de terra atribuída à desertificação e à seca custa até 5% do Produto Interno Bruto (PIB) Agrícola ou cerca de US$ 450 bilhões ao ano, reportou o estudo apresentado em uma conferência das Nações Unidas esta terça-feira.
Segundo a pesquisa, todos os anos, uma área cerca de três vezes maior do que a Suíça se perde devido à degradação do solo, enquanto 870 milhões de pessoas sofrem de fome crônica no mundo.
Acredita-se que entre 4% e 12% do PIB agrícola da África se percam anualmente devido à degradação de terra e na Guatemala a cifra é de 24%, acrescentou a pesquisa.
No Uzbequistão, os campos cultivados para produção de alimentos diminuíram entre 20% e 30% devido à degradação do solo, enquanto na África oriental aproximadamente 3,7 milhões de pessoas precisam de assistência alimentar em consequência da seca de 2011, acrescentou.
O estudo, um resumo de pesquisas publicadas, foi apresentado na abertura de uma conferência de quatro dias em Bonn sobre a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (CNUCD).
Segundo o organismo, esta é a pesquisa mais detalhada sobre o custo econômico de terras degradadas e desertificadas desde 1992.
Ao mesmo tempo, o custo direto anual foi estimado em US$ 42 bilhões.
"Para estimativas atuais, a melhor aposta é de US$450 bilhões ao ano perdidos como resultado da degradação do solo, da seca e desertificação e da perda de solo fértil", afirmou Walter Ammann, presidente do Global Risk Forum Davos, que promove a discussão sobre questões de risco global.
"Bangladesh, por exemplo, está perdendo 2% de seu solo fértil ao ano", acrescentou Ammann em uma entrevista por telefone de Bonn, antiga capital da Alemanha ocidental.
"Se você calcular isto de forma linear, então em 50 anos Bangladesh não terá solo fértil disponível", concluiu.
