
Vinícius Pedreira
*Especial para o Estado de Minas
As eleições regionais de domingo, cruciais para o futuro da revolução bolivariana de Hugo Chávez, terminaram com a vitória avassaladora do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) – os governistas conquistaram 20 dos 23 estados do país. Os partidários do bolivariano conquistaram os governos estaduais de importantes redutos da oposição, como Zulia e Mérida. Os opositores conseguiram manter os governos de apenas dois dos sete estados que comandavam, "A realidade é que os chavistas provaram que o movimento deles está institucionalizado o suficiente na sociedade venezuelana, pelo menos em um nível regional, e isso mesmo sem Chávez", disse o cientista político Miguel Tinker Salas, professor de estudos latino-americanos na Universidade Pomona, em Claremont (EUA).
Enquanto isso, o candidato da oposição de Bolívar, Andrés Velásquez, afirmou não reconhecer os resultados. De acordo com o CNE, a vitória dos governistas no estado foi consolidada com um diferença mínima de 1% dos votos. "São muitos elementos que nos permitem afirmar que alcançamos o triunfo, acompanhados de uma população que sabe que nós ganhamos", discursou Velásquez. O candidato denunciou que o CNE divulgou o resultado enquanto faltavam contabilizar os votos de 126 seções eleitoral. Com a polêmica, formou-se um cordão militar de proteção em torno da sede da CNE, na cidade de Bolívar, por causa da manifestação de simpatizantes de Velásquez. O seu partido, Causa R, tem o prazo de 15 dias, depois do anúncio dos vencedores, para entrar com uma ação de impugnação.
CONSEQUÊNCIAS Marcadas por uma taxa de abstenção de 46,74%, as eleições regionais são consideradas por analistas como um teste para o chavismo, no momento que o presidente Hugo Chávez viu-se obrigado a se afastar para um tratamento contra o câncer, em Cuba. Em entrevista, Alejandro Velasco, especialista em história moderna da América Latina da Universidade de Nova York, cita a retomada de Zulia (um forte polo petrolífero), de Carabobo (importante centro industrial), e de Táchira (estado crucial para o comércio com a Colômbia) como símbolo da força do chavismo.
Velasco acrescenta que, apesar de recuperar terreno, conquistando quatro dos sete estados dominados pela oposição, a perda de Miranda – o segundo mais populoso – para Henrique Capriles, e de Lara, conquistado por Henri Falcón, consolida a força de Capriles para uma possível eleição presidencial, caso Chávez não consiga reassumir seu posto em 10 de janeiro. Capriles conseguiu se reeleger com pouco mais de 40 mil votos de diferença sobre seu principal adversário, o ex-vice-presidente Elias Jaua, do PSUV. Juan Cristóbal Nagel, professor de políticas venezuelanas da Universidade de Los Andes (em Santiago), concorda com o colega. "Não devemos perder de vista o fato de que o chavismo perdeu 3 milhões de eleitores, em relação à eleição de outubro. A oposição não sai tão enfraquecida", explicou à reportagem.
