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Estado de Minas

Prisão de Guantánamo, o provisório que permanece

Congresso impede fechamento, recusando-se a desbloquear verbas para transferir os detidos para os Estados Unidos ou outros países


postado em 10/11/2011 16:21

Nas colinas de Guantánamo, em meio a arames farpados e mirantes, as instalações penitenciárias ainda funcionam, apesar das promessas do presidente americano Barack Obama de fechar a prisão, onde ainda estão 171 detidos.

Há dez anos, 20 prisioneiros chegavam do Afeganistão à base naval americana em Cuba. Até 778 deles estiveram, ao mesmo tempo, atrás de suas grades - um número que apenas diminuiu com o decorrer dos anos e não acabou devido à falta de um local adequado para acolher os prisioneiros. O presidente Barack Obama "prometeu que fecharia Guantánamo e estamos determinados a realizar este objetivo", lembrou recentemente Jeh Johnson, do departamento jurídico do Pentágono. O decreto 13492 ordenando o fechamento da prisão, datado de 2009, não trouxe nenhuma mudança. "Aguardamos até que nos mandem fechá-la", declarou à AFP o tenente-coronel Todd Breasseale, porta-voz do Pentágono. "Enquanto isto, damos prosseguimento às operações em curso e planejamos as futuras, para tomar conta dos detidos". Um hospital para os prisioneiros foi "construído a toque de caixa" há 10 anos, bem como escritórios para os funcionários, assim como casas para os empregados que ficam no meio dos cáctus e do mato. No total, 1.850 pessoas, entre militares e civis, trabalham ainda na prisão, informa o comandante Tamsen Reese, do setor de relações públicas de Guantánamo. Com a redução da população carcerária, os três primeiros campos foram abandonados; 80% dos detidos se aglomeram, agora, atrás dos muros do campo VI, mergulhado na obscuridade onde se observa prisioneiros em 'djellabah', a veste longa e larga dos muçulmanos, vivendo em comunidade. Confinados Os detidos podem passar a maior parte do dia em espaços comuns. Mas, se infringirem o regulamento, são enviados ao campo V vizinho, onde são obrigados a usar o famoso unifome laranja, ficando confinados, com permissão de deixar as celas apenas duas horas por dia. Quando "colaboram", os detidos são colocados em segurança no campo Echo e, quando podem ser liberados, são instalados no Iguana, onde seis uigures aguardam para ser transferidos. Em Guantánamo, há também o campo VII. Mas ninguém fala nunca dessa fortaleza, onde estão 15 detidos considerados importantes para os Estados Unidos, entre eles os cinco acusados do planemaneto do 11 de Setembro e o cérebro presumível do atentado contra o navio americano USS Cole. "É uma penitenciária, uma verdadeira penitenciária", comenta o advogado deste último, Richard Kammen, que nunca obteve permissão para visitar o cliente no local. "Não vejo nenhuma indicação que possa ser fechado num futuro próximo", disse ele, durante a retomada de audiências nos tribunais militares. "Nossos aliados se recusam a cooperar conosco em antiterrorismo por causa de Guantánamo", comenta Zachary Katznelson da União para as Liberdades Cívicas (Aclu). Em sua opinião, "esta ameaça para nossa segurança deve chegar ao fim".


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