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Estado de Minas CHACINA DE UNAÍ

Chacina de Unaí: ex-delegado confirma principal prova contra Antério Mânica

Julgamento é realizado no Tribunal do Júri da Justiça Federal, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, nesta terça-feira (23/5)


24/05/2022 15:20 - atualizado 26/05/2022 12:27

De jaqueta preta, o fazendeiro Antério Mânica aguarda o carro do lado de fora do Tribunal de Justiça
De jaqueta preta, o fazendeiro Antério Mânica do lado de fora do Tribunal de Justiça no 1º dia de julgamento (foto: Marcos Vieira/EM/D.A.Press)

O ex-delegado de Polícia Civil Wagner Pinto de Souza confirmou uma das principais provas que ligam o fazendeiro Antério Mânica à Chacina de Unaí. Durante o julgamento, nesta terça-feira (23), ele sustentou que um veículo igual ao da mulher do réu foi visto no local onde estavam os executores dos assassinatos e os intermediários do crime.

As procuradoras de acusação praticamente dissecaram as provas do processo para demonstrar a participação do ex-prefeito de Unaí no crime. Em seu depoimento, que durou cerca de duas horas, o ex-delegado apontou o irmão de Antério, Norberto Mânica, como autor intelectual do crime.

Imagem mostra fachada do Tribunal de Justiça com policiamento reforçado para julgamento de Antério Mânica
"Basta impunidade": fachada do Tribunal de Justiça onde ocorre julgamento de Antério Mânica (foto: Marcos Vieira/EM/D.A.Press)

Segundo ele, apesar de o relatório policial não indicar a participação de Antério, testemunhas apontaram elementos da atuação do réu, entre eles a presença de um Fiat Marea de cor azul, que pertencia à esposa do fazendeiro, em uma reunião dos executores e intermediários da chacina.

Em contrapartida, a defesa do réu, conduzida pelo advogado Marcelo Leonardo, contesta a evidência apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF). O advogado argumenta que o MPF não conseguiu provar a participação do político no crime, já que, na época, uma concessionária da cidade já havia vendido mais de 30 veículos semelhantes.

Leia: Julgamento da chacina de Unaí mantém 'ferida aberta' de viúvas das vítimas

Acusado de ser mandante do crime, Antério Mânica chegou a ser condenado a 100 anos de prisão, em outubro de 2015, em julgamento depois anulado por suposta falta de prova.

A Chacina de Unaí

Em 28 de janeiro de 2004, Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva foram assassinados a tiros em uma emboscada quando investigavam condições análogas à escravidão na zona rural de Unaí, incluindo as propriedades da família Mânica. O motorista Ailton Pereira de Oliveira, que acompanhava o grupo, também foi morto.

Além de Antério Mânica, o irmão dele, Norberto, foi condenado como outro mandante da chacina. Ele, porém, está em liberdade. Outros condenados pelos crimes foram Hugo Alves Pimenta, José Alberto de Castro, Erinaldo de Vasconcelos Silva, Rogério Alan Rocha Rios e Willian Gomes de Miranda, que cumprem pena na prisão.


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