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Estado de Minas ATAQUES NAS REDES

Crimes cibernéticos: ladrões sem rosto, febre virtual em alta

Crimes cometidos na internet vêm fazendo mais vítimas. Só neste ano, houve registro de 12 mil ocorrências em MG, 37% delas em BH. Em 2021, golpes cresceram 51%


14/05/2022 04:00 - atualizado 14/05/2022 08:19

Ilustração: Lelis

Depois de crimes cibernéticos envolvendo falso sequestro, novos tipos de golpes estão se tornando cada vez mais frequentes em Minas Gerais. Trata-se de estelionatos aplicados a partir da criação de perfis falsos ou contas ‘hackeadas’ nas redes sociais. Embora o modelo de golpe não seja novo, vem fazendo cada vez mais vítimas, conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Somente neste ano, foram registradas mais de 12 mil ocorrências desse tipo no estado.

Desse total, 37% ocorreram em Belo Horizonte. Os dados apontam um crescimento alarmante desse perfil de crime. Somente no ano passado, Minas contabilizou mais de 28 mil ocorrências de estelionato digital, volume 51% superior ao registrado em 2020 (18 mil). Esse número é quase três vezes maior do que a média registrada três anos atrás, que foi de 8.546.

Cada vez mais articulados, os golpistas se adaptam dia a dia para fazer novas vítimas. O modus operandi, porém, é quase sempre o mesmo: usar dados de uma pessoa para pedir dinheiro a amigos e familiares ou até mesmo anunciar a venda de produtos em um perfil hackeado. O início da ação fraudulenta, muitas vezes, se dá com a captura de uma foto do alvo para ser utilizada no perfil, dando credibilidade à mentira.

Na quarta-feira, K.S. foi alvo de uma tentativa de golpe. O criminoso entrou em contato pelo WhatsApp, por volta das 16h30, fingindo ser filho dela. A conversa começa com o golpista enviando uma mensagem em que diz que trocou de número. O filho em questão, porém, é uma criança. “Na hora, eu estava em casa com meu marido e meu filho, que tem só 11 anos. Eu fiquei com muito medo. Passei o telefone para o meu marido e ele seguiu dando corda na conversa”, conta K.S.

O golpista, então, solicita um depósito de R$ 1.500 alegando estar com dificuldades para realizar uma transferência por problemas em seu aplicativo bancário. “Ele disse que precisava pagar uma conta. Meu marido foi conversando com ele, até perguntou como estava a noiva”, comenta. Zombando do criminoso, o marido de K.S. chega a dizer que fez um depósito maior, no valor de R$ 4.500, e que enviou o comprovante por e-mail.

No caso de K.S., o criminoso não obteve êxito, mas, segundo a advogada especialista em direito digital Elaine Keller, os golpistas muitas vezes investigam as redes sociais das pessoas em busca de informações sobre a rotina de suas vítimas, dados valiosos para o sucesso do crime. “Eles costumam se passar por pessoas que são ativas nas redes sociais e têm perfis abertos. Pegam um pouco de como a pessoa se comunica para ter mais credibilidade na hora de se passar por ela no contato com amigos e familiares”, explica.

Hacker
(foto: Pixabay)


Com habilidade para ludibriar, os criminosos se passam até mesmo por órgãos oficiais. “Recentemente, tivemos casos de golpistas se passando por funcionários do Ministério da Saúde para tentar clonar o WhatsApp da vítima. Por telefone ou mensagens via WhatsApp, eles diziam estar realizando uma pesquisa sobre a COVID-19”, conta. Ela alerta, ainda, para as pessoas terem cuidado com abordagens sazonais. “Eles aproveitam datas especiais. Como estamos em ano eleitoral, pode ser que o próximo golpe envolverá uma pesquisa para avaliar intenção de voto”, avisa a advogada.

Vulnerabilidade

A técnica utilizada nesses casos, segundo o especialista em segurança digital Alan Morais, é chamada engenharia social, quando as pessoas são induzidas a revelar dados pessoais que dão pistas para encontrar outras informações na rede. “Quando se fala em crimes cibernéticos, as pessoas imaginam uma supertecnologia, mas muitas vezes é mais simples do que parece. Não estamos falando do emprego de uma alta tecnologia; os criminosos utilizam um método de ‘engenharia social’, investigando a vida das vítimas”, conta.

Aplicação de perfil falso alimenta rede pornô 


Ana Raquel Lelles

Contas falsas que tentam aplicar golpes com uso de pornografia também vêm se proliferando em redes sociais como o Instagram. Os criminosos seguem um padrão: pegam fotos de mulheres postadas com biquínis e decotes, mudam uma ou duas letras do user, mantêm o nome da pessoa e escrevem uma bio em espanhol com link direcionado a um site adulto.

Uma das vítimas foi T. R, de 24 anos, que acordou na quinta-feira com ligações e mensagens de amigos avisando sobre o perfil falso com sua imagem e nomes quase idênticos. O golpista bloqueou o perfil verdadeiro de T., estratégia usada para dificultar que as vítimas denunciem a conta falsa. “Pediram para seguir meu Instagram privado, que compartilho só com pessoas mais próximas. Eles (os golpistas) pegaram as fotos que julgaram ser mais ‘sensuais’”, comentou a mineira.

O padrão de golpe se repetiu com L.J., de 24. Ela também acordou com ligações de amigos avisando sobre o golpe. “Me assustei muito”, desabafou. Como em outras ações de invasão, foi bloqueada pelo golpista e precisou de ajuda dos amigos para derrubar a conta, que já está desabilitada. “Minha prioridade era tirar a conta do ar, já que estavam usando meu nome e minha imagem para divulgar conteúdos impróprios”, contou ao EM.

Com ajuda de amigos, os perfis falsos de T. e L.J acabaram desativados. “Até pessoas que não conversam muito comigo me mandaram mensagem e ajudaram a denunciar. Também coloquei no meu stories o perfil original explicando o que aconteceu”, relatou T. “A única coisa que estava ao meu alcance foi pedir que denunciassem a conta, já que estava bloqueada e não conseguia ter mais informações”, disse L.J.


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