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Estado de Minas SABIA NÃO, UAI!

As histórias de fantasmas que povoam o imaginário de BH

Lendas urbanas de Belo Horizonte não têm nome de família nem aterrorizam casas. Habitam a rotina da cidade que não acumula memória, em constante transformação


12/12/2021 04:00 - atualizado 13/12/2021 11:10

arte mostra desenhos de lendas urbanas de bh, como o capeta do vilarinho e a loira do bonfim
(foto: Arte sobre ilustrações de Lelis)

Você já viu uma mulher de branco caminhando, sem destino, pelas ruas de Belo Horizonte? Ou então, na calada da noite fria, um homem de terno vagando pela Lagoinha? Se não, pense bem e responda: conhece a Maria Papuda?. Bem, em tempos de fantasmas de carne e osso por todo lado, não custa nada conhecer mais sobre a história de Belo Horizonte, que, ao longo dos séculos, “figuras do outro mundo” assombram o imaginário popular e ainda fazem os cabelos de muita gente arrepiar.

As lendas urbanas de Belo Horizonte

VELHOS FANTASMAS

 

ilustração que mostra o Fantasma da Serra
(foto: Lelis/Arte EM)
Fantasma do Bairro da Serra
Cumpre seu destino, pontualmente, à meia-noite e trinta do mês de junho, na Rua do Ouro, quase na esquina da Avenida do Contorno. Um cavalheiro de terno preto e guarda-chuva, imóvel, na rua. Talvez um dos funcionários públicos anônimos do começo da história de Belo Horizonte. O lugar da aparição marca também uma das margens originais de onde principiava a zona suburbana da capital. No Bairro da Serra, se refugiaram despossuídos de toda espécie, parte significativa dos milhares de operários da construção civil vagando, depois de erguida a capital, sem trabalho – destino semelhante ao dos burocratas foi o esquecimento, a escuridão da noite, vazio, o ilimitado do espaço urbano.

ilustração que mostra a Moça Fantasma
(foto: Lelis/Arte EM)
Moça Fantasma

Mais romântica das personagens dessa história de fantasmas que povoava o imaginário dos antigos moradores de Belo Horizonte. A aparição desce a Serra do Curral até a Savassi, na Região Centro-Sul, para encontrar amores perdidos. E como saber dessa aparição? Tremei, pois aí vai a resposta: “Você sabe que vai vê-la porque sente um perfume de dama-da-noite no ar”. No vídeo do Memorial Minas Gerais Vale, a história da Moça Fantasma chega de forma curiosa, com direito a efeitos visuais. Se a luz apagar, não foi problema com a rede elétrica. Foi ela...

 

ilustração que mostra o Avastema da Lagoinha
(foto: Lelis/Arte EM)
Avantesma da Lagoinha
Um senhor vestido todo de preto, mas sem traço de rosto ou feição. Ao contrário de seu similar da Serra, o Avantesma da Lagoinha é uma aparição disforme, excêntrica, cruel, que exala vago cheiro de enxofre e chora um choro convulsivo. Antigamente, costumava descarrilar bondes sentando-se, imóvel, entre os trilhos. Talvez porque lhe pareça necessário revelar os rastros e a presença de uma gente submetida por muito tempo ao princípio de segregação física e espacial que orientou o projeto original de construção da nova capital. O Bairro da Lagoinha serviu de primeiro refúgio para boa parte da população pobre de Belo Horizonte construir suas cafuas e barracos. Hoje, o Avantesma da Lagoinha ainda se pendura pelas bordas do complexo de viadutos que se esparrama em direção à Pampulha.

 

 

NOVOS FANTASMAS 

 

ilustração que mostra o Capeta do Vilarinho
(foto: Lelis/Arte EM)
Capeta do Vilarinho
Lenda urbana da década de 1980 que fez tremer muito garotão. E meninas também. A história teve origem na Avenida Vilarinho, artéria principal da região de Venda Nova. Por volta de 1982, pipocavam forrós e bailões nessa área da cidade. Contam que, numa quadra de baile popular, houve um concurso de dança e um homem desconhecido e de chapéu decidiu participar. E ganhar. Ao tirar o chapéu para comemorar a vitória, o misterioso deixou à mostra dois chifres no meio da testa. O local entrou em ebulição e o desconhecido sumiu no mapa. O certo mesmo é que, passado tanto tempo, ninguém se esquece do caso, que vai ganhando detalhes e muitas outras versões. Afinal, “quem conta um conto aumenta um ponto”, conforme diz a sabedoria popular.

 

ilustração que mostra a Maria Papuda
(foto: Lelis/Arte EM)
Maria Papuda

Duas personagens com o mesmo nome e apelido: a Maria Papuda que morava no último casebre do Arraial de Curral del-Rei, sobre o qual foi construída a nova capital – e amaldiçoa a cidade; e a outra, que morava onde hoje está o Palácio da Liberdade. Contam que Maria Papuda também expulsou os velhos, os pobres, os loucos, as mulheres, os doentes de bócio, enfim, todos os moradores do velho arraial. E mais: no Palácio da Liberdade, aparecia ao governador e esse, para quem ela aparecia, morria. Ao que parece, já matou quatro: Silviano Brandão (1902); João Pinheiro (1908); Raul Soares (1924) e Olegário Maciel (1933). Talvez esse fato explique por que Juscelino Kubitschek, Israel Pinheiro, Tancredo Neves e Itamar Franco se recusavam terminantemente a ficar no palácio depois que anoitecia.

 

ilustração que mostra a Loira do Bonfim
(foto: Lelis/Arte EM)
Loira do Bonfim
Para dar um clima bem retrô à história, os mais velhos preferem se lembrar da Loira do Bonfim, em vez de Loura. O fantasma dessa alma penada começou a assombrar por volta das décadas de 1940 e 1950. Ela aparecia por volta das duas horas da madrugada, sempre vestindo roupas brancas, se insinuando para os boêmios de plantão que aguardavam o bonde no ponto diante de uma drogaria, no Centro da cidade. A mulher dizia que morava no Bonfim e estava a fim de um programa, mas, quando alguém se interessava, ela o levava para o cemitério do bairro, que é o mais antigo da capital. O problema é que desaparecia ao chegar ao chamado campo santo. Como às vezes a criatura preferia chamar um táxi, os motoristas desses veículos de aluguel, além dos motorneiros e condutores dos bondes, passaram a não aceitar a escala de trabalho no horário noturno.


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