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Estado de Minas CLIMA

Um rastro de estragos


20/10/2021 04:00 - atualizado 20/10/2021 00:18

Parte de um imóvel desabou no distrito de Amarantina
Parte de um imóvel desabou no distrito de Amarantina. Em outra ocorrência, o operador Ademiro perdeu quase tudo o tinha em casa (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Moradores de distritos de Ouro Preto, na Região Central de Minas, lidavam ontem com os problemas provocados pelo temporal e consequentes inundações da noite de segunda-feira. Segundo a Defesa Civil estadual, choveu 220 milímetros em poucas horas na cidade. Houve transbordamento do Rio Maracujá, que passa pelos distritos de Amarantina e Cachoeira do Campo, o que causou diversos estragos. Segundo o órgão, até a meia-noite, havia mais de 25 famílias desalojadas em Amarantina. Parte dos desabrigados foi acomodada na Escola Municipal Major Raimundo Amarantina. Em algumas residências, os moradores tiveram que subir no telhado para não ser levados pela enxurrada. Boletim divulgado na manhã de ontem pela Defesa Civil lista seis cidades com registro de danos humanos no período chuvoso, um total de 8 desabrigados e 353 desalojados.

No distrito de Cachoeira do Campo, o nível da água nas ruas alcançou mais de 1,5 metro em poucos minutos. Os moradores ficaram ilhados, perderam móveis e eletrodomésticos. Um rio de lama tomou conta das ruas. Máquinas trabalharam na área atingida durante quase toda a manhã para fazer a limpeza. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros também registraram estragos nos distritos de Santo Antônio do Leite, Antônio Pereira e Miguel Burnier. O secretário de Obras de Ouro Preto, Tonico Simões, falou sobre o caso nas redes sociais: “A situação é bem crítica, muitas pessoas desabrigadas, máquinas. Agora chegou o auxílio dos bombeiros, da Brigada Municipal de Itabirito”, contou o dirigente.

Moradores juntaram objetos ao lado de campo futebol inundado
Moradores juntaram objetos ao lado de campo futebol inundado para selecionar os aproveitáveis, enquanto escola recebia doações (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Morador do distrito de Amarantina, em Ouro Preto, Região Central de Minas, o operador de máquinas Ademiro Mansueto mal teve tempo de sair de casa na noite de segunda-feira. "Sobrou praticamente a roupa do corpo, perdi tudo: máquina de lavar, TV, geladeira, fogão. Até os colchões a gente perdeu. Parte do que eu tinha dentro de casa estragou. E a outra parte a enxurrada carregou", desabafa o pai de família, que mora com a esposa e três filhos, de 6, 4 e 3 anos, a menos de 50 metros do Rio Maracujá. "Foi questão de minutos até que a chuva alagasse tudo. Eu e minha mulher só tivemos tempo de colocar as crianças nas costas e sair correndo. Estamos ficando na casa da minha irmã", conta o morador.

A comerciante Geliane Pereira também teve que carregar a mãe durante a madrugada. Segundo a moradora, a água invadiu a casa da idosa, trazendo barro e muita sujeira. "Saímos de casa correndo e fomos buscá-la. Saímos eu, meu marido e meu cunhado no meio do temporal carregando a minha mãe, que já não anda mais", descreve a mulher. Na Rua Olaria, o campo de futebol virou uma espécie de depósito de escombros da chuva. Os habitantes se reúnem no local para verificar o que será possível aproveitar.

Na Escola Municipal Major Raimundo Felicíssimo, voluntários arrecadam donativos para os atingidos do temporal. Entre as contribuições sugeridas estão cestas básicas, água, cobertores, colchões, material de limpeza e de higiene pessoal, alimentos diversos e até ração para cães.

As doações podem ser feitas diretamente na Escola Major Raimundo (R. Padre Pedrosa, s/n° – Centro), na Escola Municipal Haydee Antunes (Cachoeira do Campo) e na Secretaria de Turismo de Ouro Preto (R. Cláudio Manoel, 61). Outras informações podem ser obtidas nos telefones (31) 3559-3287 e (31) 3559-1592. Quem preferir pode fazer uma contribuição financeira por meio do pix 3198591-4602.

TRIÂNGULO E RIO DOCE 


Uberlândia, no Triângulo Mineiro, também vem sendo castigada pelos temporais. Segundo a Defesa Civil da cidade, no último domingo, em apenas 30 minutos, choveu 59 milímetros, ou seja, 50% do esperado para todo o mês. Os ventos chegaram a 73km/h. Em menos de três dias, o Corpo de Bombeiros atendeu a 11 ocorrências de enxurradas, destelhamentos e alagamentos, 30 quedas de árvore, além de destruição do asfalto em quatro pontos da cidade. Equipes da prefeitura passaram todo o dia limpando bocas de lobo e fazendo reparos estruturais. Na manhã de ontem, uma criança de 10 anos teve parada cardíaca após ser atingida por uma descarga elétrica. Ela está intubada e o quadro estável.

Em Piedade de Caratinga, no Vale do Rio Doce, a chuva inunda ruas desde domingo. A água barrenta chegou a invadir casas e lojas.

DESALOJADOS NO ESTADO 

De acordo com o último boletim da Defesa Civil de Minas Gerais, referente ao período chuvoso de 2021/2022, publicado no site da instituição às 8h de ontem, seis cidades mineiras já registram danos humanos na temporada: Betim e Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Boa Esperança, Guaxupé e Maria da Fé, no Sul de Minas, e Uberaba, no Triângulo Mineiro. De acordo com os dados, oito pessoas ficaram desabrigadas e 353 desalojadas nas chuvas da temporada. Uma morreu, em Uberaba. Não há registro de danos materiais. Os incidentes listados incluem danos provocados por temporais a partir de 25 de setembro. O período chuvoso vai oficialmente de outubro a março. Ouro Preto não é citada no documento que mostra a lista das cidades com registro de danos humanos.

BOMBEIROS 

Entre as 6h de segunda-feira e as 6h de ontem, o Corpo de Bombeiros atendeu ao menos 57 chamadas relacionadas à chuva em todo o estado. As ocorrências incluem risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos, queda de árvores e salvamento de pessoas ilhadas. Duas pessoas se feriram em Ribeirão das Neves, na Grande BH. Oito ficaram desabrigadas em Betim, também na região metropolitana.

ALERTA 

Várias regiões de Minas Gerais ainda podem enfrentar mais tempestades com grandes acumulados de chuva ainda hoje, que podem atingir mais de 300 cidades. 
      
Pelo menos é o que previa ontem o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que deixou em estado de "perigo" o Sul, Sudoeste, Zona da Mata, Vale do Aço, Campo das Vertentes, Região Metropolitana de Belo Horizonte, Central e algumas cidades do Triângulo Mineiro. O Inmet fala em chuvas que podem chegar a até 100mm por dia. É importante ressaltar que esses alertas já vêm sendo emitidos desde o fim de semana. Belo Horizonte não está incluída na lista de alerta.





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