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Estado de Minas 'VIDAS NEGRAS IMPORTAM'

Amigos e seguranças protestam após morte de colega agredido com soco-inglês

Crime ocorreu em Divinópolis neste sábado (25/9); movimentos sociais e seguranças manifestaram, e lideranças políticas lamentaram o ocorrido


27/09/2021 18:26 - atualizado 27/09/2021 18:40

Segurança protestaram na porta da delegacia de Divinópolis pedindo justiça pela morte do colega de trabalho
Segurança protestaram na porta da delegacia de Divinópolis pedindo justiça pela morte do colega de trabalho (foto: Divulgação)

A morte do segurança Edson Carlos Ribeiro , de 42 anos, tem gerado comoção e indignação. Ele foi morto na noite de sábado (25/9) enquanto trabalhava em uma festa no parque de exposições de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, com um soco. 

Seguranças protestaram na porta da delegacia regional na tarde desta segunda-feira (27/9) pedindo por Justiça. Ainda na noite de ontem, integrantes do Movimento Negro de Divinópolis (Mundi), o Conselho Municipal de Promoção de Igualdade Racial também protestaram em frente à loja do suspeito, no bairro Bom Pastor.

A suspeita é que o empresário Pedro Lacerda, de 32 anos, tenha agredido a vítima com um soco-inglês. Após ter tentado entrar no camarote sem autorização, a vítima o teria advertido. Insatisfeito, o suspeito o atingiu com um soco.

A versão foi confirmada por testemunhas à Polícia Civil que tipificou o crime como lesão corporal seguida de morte. Lacerda está preso preventivamente no presídio Floramar e nega o crime.


Manifestação


Ao protestarem na porta da loja, com cartazes afixados nas grades, os manifestantes entoavam o lema "vidas negras importam".

“Estamos atentos à toda prática racista, ao racismo estrutural. Com o que aconteceu nós teríamos que ir para as ruas sinalizando que não vamos desistir enquanto a Justiça não acontecer. Foi mesmo um assassinato”, afirmou a ativista e membro do Conselho, Maria Catarina Vale.

“Vamos cobrar para que realmente seja feita Justiça. Ela não pode ser só para o branco. Se fosse um negro, com certeza não teria condições nem de pagar fiança. O negro sempre está sob o rigor da lei e o branco consegue se desvencilhar”, comentou o presidente do Mundi, Adjanir Silva.

Os movimentos, a partir de agora, vão se organizar para dar apoio assistencial e jurídico à família de Edson. 

Na internet, uma vaquinha on-line arrecadou até às 17h de hoje R$12.935,47. A meta é R$30 mil. O dinheiro será destinado à família da vítima. Edson deixou a esposa e uma filha de 12 anos.

Movimentos sociais estão se mobilizando para dar apoio jurídico à família do segurança morto em Divinópolis
Movimentos sociais estão se mobilizando para dar apoio jurídico à família do segurança morto em Divinópolis (foto: Amanda Quintiliano)


Lideranças políticas lamentam


O prefeito Gleidson Azevedo (PSC) lamentou o ocorrido. "O Executivo, que não é Judiciário para julgar, está de luto. Um pai de família no seu trabalho, independente da raça, foi morto pela ignorância humana. Que a população não leve mais um soco na cara e que o assassino pague pelo crime sem fiança. Meus sentimentos à todos os familiares", postou.

A vereadora Lohanna França (Cidadania) participou do protesto. Pelas redes sociais, ela tentou mobilizar a população. "O vida negras importam precisa sair da internet. Justiça por Edson".

O presidente da Câmara de Divinópolis, e também organizador de eventos, Eduardo Print Jr. (PSDB) publicou: "Minha indignação é pelo pai, pelo trabalhador, pela família do Edson. Antes de vereador, sou cidadão e produtor de eventos. Sei o quanto os seguranças se doam nos seus trabalhos. Saem de casa na incerteza de um dia tranquilo de trabalho. Desta vez, o Edson, de apenas 42 anos e com um legado na família, saiu para buscar o sustento e não voltou".
A morte do segurança também gerou indignação entre os internautas. 

“A morte do Edson foi um crime incentivado por uma sociedade racista. Solidariedade a sua família que além da perda, tem sido obrigada a lidar com comentários ignorantes e igualmente criminosos em Divinópolis”, postou uma internauta.


Na contramão


Uma página em apoio ao suspeito foi criado no Instagram. Na bio, os administradores descrevem a página como “um perfil criado por amigos para desmistificar e esclarecer alguns fatos falsos que estão sendo divulgados”.

Na contramão do depoimento do empresário, que nega a agressão, o perfil fala em “atitude explosiva” que o suspeito teria tomado na noite do crime. Diz não querer “passar pano” e que o objetivo é desmentir as informações falsas com a intenção de agravar o caso. 

*Amanda Quintiliano especial para o EM


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