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Estado de Minas COVID-19

Polêmica: cresce pressão por vacinas em adolescentes em Belo Horizonte e MG

Movimento de grupo de mães ligadas a uma escola particular em BH se alastra. Médicos ameaçam deixar Câmara Técnica do Ministério da Saúde


19/09/2021 07:55 - atualizado 19/09/2021 08:48

Enquanto em Belo Horizonte e Minas a indicação é de que adolescentes serão vacinados quando tiver imunizantes, São Paulo e Rio não colocaram esse porém
Enquanto em Belo Horizonte e Minas a indicação é de que adolescentes serão vacinados quando tiver imunizantes, São Paulo e Rio não colocaram esse porém (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
O fato de o Ministério da Saúde recuar e não indicar, na última quinta-feira (16/9), a vacinação contra a COVID-19 em adolescentes gerou discussão em todo o Brasil. Em Belo Horizonte, mães se mobilizaram pela imunização das pessoas abaixo dos 18 anos. O movimento segue mesmo com os anúncios da Prefeitura de BH e do governo do estado de que seguirão vacinando os jovens, ao contrário do agora defendido pelo governo federal.

A decisão do Ministério da Saúde de recomendar a suspensão da vacinação de adolescentes pegou participantes da Câmara Técnica Assessora de Imunizações (CTAI) da pasta de surpresa. Os técnicos não foram consultados sobre a medida e ameaçam deixar a comissão caso o ministro Marcelo Queiroga não volte atrás.

"O mais grave e que mais surpreendeu os presentes foi a postura dos representantes do Ministério da Saúde durante a citada entrevista coletiva, inédita em 48 anos de existência do Programa Nacional de Imunizações, trazendo a público dúvidas sobre a vacinação. Chamou a atenção orientação do Sr. Ministro aos pais para não levar seus filhos aos postos de vacinação contra a COVID-19. Isso pode gerar um dano difícil de ser reparado não só nesta campanha, mas a todas as vacinas, especialmente em um grupo onde a adesão é mais difícil, como os adolescentes", diz a nota de resumo da reunião feita pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Em Belo Horizonte, a mobilização pela vacinação de adolescentes até 17 anos começou em um grupo de mães de estudantes do Colégio Loyola, escola particular de classe média alta situada no Bairro Cidade Jardim, Região Centro-Sul, mas já conta com mães e pais de escolas públicas e até de escolas de ocupações, segundo Stella de Araújo, de 58 anos. Ela, que é médica clínica e sanitarista, é uma das mulheres que compõem o grupo ligado inicialmente ao Loyola e faz coro na pressão para que a imunização aos adolescentes aconteça.

"Resolvemos fazer uma carta para as mães e os pais que queiram assinar, para ajudar a pressionar. Minas e BH já falaram que vão vacinar se tiver vacina, e vamos pressionar para ter vacina também, pois São Paulo e Rio de Janeiro nem colocaram esse porém, só continuaram ignorando o informe federal", disse ao Estado de Minas.

O manifesto, chamado "Mães mineiras pela vacinação dos adolescentes" também busca o apoio das autoridades. "Vamos tentar falar com parlamentares para que esse aporte chegue, a gente não defende a vacinação ou de adolescente ou de idosos. Queremos somar as doses suficientes para terceira dose e para adolescentes, vamos monitorar isso. Na próxima semana, vamos marcar uma conversa com autoridades e ficar em cima até o último adolescente ser vacinado em BH e, porque não, em Minas", completou Stella.

EM CORO

Marta Maia tem uma filha que estuda na Escola Estadual Leopoldo de Miranda, no Bairro Santo Antônio, também na Região Centro-Sul da capital mineira, e é outra a participar do coro pela vacinação dos adolescentes. A professora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) relembra que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou, no dia seguinte à posição do Ministério da Saúde, a manutenção da imunização das pessoas com menos de 18 anos.

"O Brasil precisa continuar essa vacinação para poder reduzir os índices; BH, inclusive, voltou a crescer. Se a Anvisa autorizou, não tem porquê o ministro da Saúde, a partir de um presidente que não segue recomendações pelo fato de não usar máscara, aglomerar e criticar vacinas, não seguir a orientação da Anvisa. Não sou médica, e mesmo que fosse, quem define isso são os órgãos reguladores. A vacinação tem que continuar, esses boatos que surgem de mortes de adolescentes já foram comprovados que não têm relação com a vacina, e isso só prejudica", diz Marta.

Outra mãe na corrente pela vacinação dos adolescentes é a professora Mariana Dias, de 38, que tem duas crianças no Centro Múltiplo de Interação e Cultura. "Queremos recuperar o direito à escola, e estamos conversando para criar o ambiente ideal. A vacinação dos adolescentes, ainda mais agora com as variantes Delta e Mu, é algo que precisa acontecer. As infraestruturas de escola infantil pública são favoráveis, mas alguns colégios do fundamental são mais precários, tanto da prefeitura quanto do estado. A vacinação de adolescentes já avançou em alguns lugares e já debatem até sobre imunização de crianças. Como isso, há também o direito do adolescente, para que ele volte a frequentar e utilizar seus espaços".

DECISÃO 

Minas Gerais informou na sexta-feira (17/8), após o comunicado da Anvisa, que continuaria com a imunização dos adolescentes entre 12 e 17 anos. A decisão se baseou justamente no anúncio da agência reguladora, que vai contra o estabelecido pelo ministério – em setembro, a pasta tinha autorizado a imunização, mas voltou atrás porque a Organização Mundial da Saúde (OMS) não deixa claramente definida esta imunização, mas não a proíbe.

"A Anvisa afirmou que não existe nenhuma restrição técnica da vacina para este grupo. Diante disso, Minas está liberando pela deliberação que já existia, a vacinação de todos os adolescentes, com ou sem comorbidades", disse o secretário de Saúde de Minas, Fábio Baccheretti.

Jackson Machado, secretário de saúde belo-horizontino, também se manifestou após informar que a capital seguiria as normas da Anvisa. "A nossa ideia é imunizar pessoas ainda mais jovens, porque sabemos que vacinar este público é extremamente importante para poder controlar a transmissão, pois também circulam pela cidade, e são pessoas importantes a serem vacinadas."

Contra a determinação do governo federal

Ao menos 18 estados e o Distrito Federal se posicionaram favoráveis à vacinação contra COVID-19 de adolescentes de 12 a 17 anos. Os estados de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Piauí, Amapá, Amazonas, Espírito Santo, Distrito Federal, Sergipe, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará, Pará, Rio Grande do Norte, Bahia, Roraima e Acre, além do Distrito Federal, planejam manter a vacinação. As faixas etárias variam conforme a localização, e a aplicação depende do estoque de doses disponíveis. A vacinação dos jovens de Salvador, Porto Velho e Manaus retornou ontem após interrupção. 

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou na sexta-feira (17) que as análises técnicas indicaram que “não é a vacina a causa provável do óbito” de adolescente de 16 anos sete dias depois de ter sido vacinada contra COVID-19, em São Bernardo do Campo (SP). 

A morte da adolescente foi divulgada ontem pelo Ministério da Saúde em coletiva de imprensa. A secretaria de Saúde de SP informou que os resultados da análise serão submetidos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A jovem morreu no último dia 2 e havia sido imunizada sete dias antes com a vacina da Pfizer, a única que tem autorização da Anvisa para jovens de 12 a 17 anos.Os outros estados não se pronunciaram, preferiram seguir a orientação do Ministério da Saúde ou não iniciaram a vacinação desta faixa etária.

Para os representantes da Câmara Técnica, os motivos elencados não justificam a suspensão, pois um único caso de evento adverso grave não justificaria a interrupção de uma campanha de vacinação, considerando os 3,5 milhões de doses já aplicadas na faixa etária.

"Os representantes do Conass e Conasems reforçaram as questões já colocadas, destacando que o Ministério da Saúde não só não levou em conta as orientações da CTAI, mas também tomou a decisão de forma unilateral, sem qualquer consulta ou pactuação com as demais instâncias de gestão do SUS. As críticas relacionadas a supostos erros de vacinação, que na verdade representam 0,75% das 3,5 milhões de doses aplicadas nos adolescentes, desconsideraram o enorme esforço de milhares de trabalhadores do Sistema Único de Saúde, que há quase nove meses vêm trabalhando diariamente na vacinação contra a COVID-19", completa a nota.

FIQUE atento 

Confira o cronograma para os próximos dias

» Hoje: não haverá vacinação
» Amanhã: segunda dose para pessoas de 53 anos, vacinadas com a AstraZeneca. Só poderão tomar a segunda dose no dia 20 as pessoas de 53 anos cuja data do cartão de vacina esteja marcada para até 27 de setembro.

Horário e local

. O horário de funcionamento dos locais de vacinação em dias úteis é das 8h às 17h para pontos fixos e extras, e das 8h às 16h30 para pontos de drive-thru. Já aos sábados, os postos fixos e extras funcionam das 7h30 às 14h, e os pontos drive-thru das 8h às 14h.

. As pessoas convocadas devem se vacinar nos locais listados para cada grupo e sempre checar os endereços, disponibilizados no portal da Prefeitura (www.prefeitura.pbh.gov.br), antes de se deslocar aos pontos de imunização. A Secretaria Municipal de Saúde orienta que o usuário se vacine no dia da convocação.

. Segundo a pasta, caso a pessoa se dirija às unidades em data posterior, está sujeita a enfrentar filas, já que os pontos de repescagem estão distribuídos em uma unidade por regional e por tipo de vacina.

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(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)

"Que alívio! Demorou, mas chegou. Sou diretora de uma escola e estava apreensiva. Agora, é esperar os 14 dias para me sentir imunizada e muito feliz"

Márcia Cristina Laurico, pedagoga


Faixa etária de 54 anos é imunizada

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) aplicou ontem a segunda dose para pessoas de 54 anos, vacinadas com a AstraZeneca. Só tomaram o imunizante aqueles cuja data do cartão de vacina esteja marcada para até 25 de setembro.

A pedagoga Márcia Cristina Laurico foi uma das moradores que não deixou de comparecer à unidade de saúde mais próxima de sua casa para garantir sua imunização. ''Que alívio! Demorou, mas chegou. Sou diretora de uma escola e estava apreensiva. Agora, é esperar os 14 dias para me sentir imunizada e muito feliz'', disse.

A advogada Ana Maria de Melo Pinheiro compartilhou da mesma emoção ao sair do posto de saúde Centro Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Serra, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, no fim da manhã de ontem. ''Estou feliz da vida. É uma sensação de tranquilidade mas com certeza vou continuar com os cuidados'', afirmou. Ela ainda agradeceu e elogiou os profissionais de saúde que a atenderam no posto.

Parte das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Pernambuco e até mesmo Minas Gerais estavam sem o imunizante para aplicar a segunda dose. Isso porque a Fiocruz informou um atraso na entrega do componente utilizado para a produção dos imunizantes, chamado de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), que vem da China, que complicou toda a logística de entrega ao Ministério da Saúde, e, por consequência, aos estados e municípios. Mas, em Belo Horizonte, não faltou imunizante para a faixa etária.

O consultor de negócios internacionais Leonardo Ávila contou que estava contando os dias para a 2ª dose. ''A prefeitura demorou a soltar e, pelo cartão de vacinas, a imunização ocorreria na sexta. Então, fiquei um pouco preocupado. Mas, agora, superaliviado. A AstraZeneca é uma vacina com ótima cobertura. Agora, vou continuar me cuidado, usando máscara, porque a pandemia não acabou'', relatou.

52 mortes em Minas

Minas Gerais registrou 52 mortes e 2.406 novos casos de COVID-19, no período de 24 horas. Os dados são do boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), divulgado ontem. Desde o início da pandemia, o estado já acumulou 2.110.768 casos confirmados e 54.023 mortes pelo vírus. Além disso, os casos em acompanhamento são 32.316. Essa classificação se refere a pessoas que ainda estão em tratamento e também a registros que precisam de atualização por parte das secretarias municipais de saúde. Já o número total de recuperados é de 2.024.429.


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