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Estado de Minas COVID-19

Sem doses, fila da vacina por idade continua parada em BH

Imunização por faixa etária empacou no dia 11. Prefeitura afirma que recebeu lotes aquém do esperado e insuficientes para expandir grupos


22/06/2021 04:00 - atualizado 22/06/2021 00:09

Grávida de 7 meses, Geraldine Rosa se vacinou no dia 17: hoje, dose será para qualquer idade gestacional (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Grávida de 7 meses, Geraldine Rosa se vacinou no dia 17: hoje, dose será para qualquer idade gestacional (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Depois de Belo Horizonte receber duas remessas de imunizantes abaixo do total esperado pela administração municipal, a vacinação contra a COVID-19 por idade segue empacada na cidade, embora 50% do público-alvo – maiores de 18 anos – já tenha tomado a primeira dose. A última faixa etária composta por pessoas sem comorbidades contemplada por esse critério recebeu a primeira dose entre os dias 7 e 11 – ou seja, há 10 dias completados ontem – e incluiu moradores de 56 a 59 anos. As doses entregues ontem à capital foram destinadas à vacinação, a partir de hoje, de grávidas que não pertencem a nenhum outro grupo de risco, independentemente do período gestacional, puérperas, além do público já chamado que, por alguma razão, não concluiu o esquema vacinal com a CoronaVac. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a expectativa era ampliar a vacinação por faixa etária e para lactantes, mas o quantitativo novamente foi insuficiente. Uma nova esperança se acende, com o anúncio da chegada ao estado de 862 mil doses de vacinas dAstraZeneca ontem (leia texto nesta página).

Na última remessa, distribuída pelo governo de Minas na sexta-feira e retirada ontem, Belo Horizonte recebeu 9,5% dos imunizantes entregues ao estado. No lote, anterior, 3,3%. Até então, os percentuais – que variam de acordo com a população da cidade em relação à do estado e a participação do município nas campanhas de imunização contra a gripe nos últimos três anos – variavam de 12% a 14% dos lotes enviados pelo Ministério da Saúde ao governo de Minas, responsável pela distribuição aos municípios.

Já na primeira redução, no início da semana passada, o secretário municipal de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Machado Pinto, convocou entrevista coletiva e anunciou que levaria ao conhecimento do Ministério Público de Minas Gerais uma subtração de 50 mil doses no total esperado, que seriam suficientes para vacinar pessoas de 53 a 55 anos. Nos cálculos da prefeitura, BH teria direito a 70 mil doses de imunizantes, mas ficou com pouco mais de 19,3 mil. "Não resta a menor dúvida de que isso foi por uso político da vacina. E me deixa indignado o fato de usarem a vacina – e a pandemia – como motivo de política”, disse o secretário. Ontem, a prefeitura informou que os documentos que sustentam a queixa já foram enviados ao Ministério Público.

Por sua vez, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) alegou, na semana passada, que a redução foi necessária para equilibrar diferenças no cálculo referendado por entidades como o Conselho de Emergência em Saúde (COES) e a Comissão Intergestores Bipartite (CIB), ligada à SES, que passou a considerar as pessoas com comorbidades em proporção ao total de habitantes que têm entre 18 e 59 anos. “Nas últimas remessas, Belo Horizonte recebeu doses correspondentes a 12% da população com comorbidade, enquanto vários municípios receberam quantitativos menores, entre 7% e 8%. Portanto, para equilibrar essa distribuição, a última remessa enviada à capital foi com uma quantidade menor de vacinas, conforme decisão em CIB", disse o governo de Minas, por meio de nota.

A DISTRIBUIÇÃO


O lote entregue a BH ontem, entretanto, também ficou abaixo dos percentuais que vinham sendo praticados anteriormente. A capital recebeu 49.058 doses, de um total de 508.170 entregues pelo Ministério da Saúde no 25º lote, quando esperava cerca de 78 mil. O número recebido é bem próximo do quantitativo que a administração municipal informou, na semana passada, que seria necessário para imunizar a população de 53 a 55 anos de idade. Mas o grupo não entrou na lista. "Devido ao quantitativo disponibilizado ao município, ainda não será possível. A Secretaria Municipal de Saúde aguarda uma nova remessa e reafirma a disponibilidade de pessoal e de todos os insumos necessários para a imediata continuidade do processo de vacinação", informou a PBH, no fim da tarde.

A remessa retirada ontem pela capital é composta por 850 doses da AstraZeneca/Oxford, 40.600 CoronaVac (Butantan/Sinovac Biotech) e 7.608 doses da Comirnaty (Pfizer). A escolha dos grupos a serem vacinados com os lotes seguiu a lógica da oferta e normas do Plano Nacional de Imunização. Grávidas sem comorbidade só podem ser vacinadas com a Pfizer – até ontem, apenas as que estivessem a partir da 29ª semana gestacional vinham sendo vacinadas – e 37 mil pessoas estão com a segunda dose da CoronaVac atrasadas. Sobram cerca de 3 mil vacinas CoronaVac e as doses da AstraZeneca, insuficiente para chamar um novo grupo, explicou a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde.

O governo de Minas, por sua vez, disse não ter autonomia para mudar o quantitativo dos repasses, definido preliminarmente pelo Ministério da Saúde. E que as doses deveriam ser encaminhadas ao público prioritário listado pelo PNI.

BALANÇO DA VACINAÇÃO

1.019.775
Total de pessoas que receberam a primeira dose de vacina contra a COVID-19 em BH,

50%
Percentual de pessoas com 18 anos ou mais vacinadas na capital

414.605
Total de moradores de BH que receberam as duas doses da vacina

20,3%
Percentual| dos adultos que completaram o esquema vacinal na cidade

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde de BH




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