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Estado de Minas FALTA DE CHUVAS

MG e outros quatro estados recebem alerta de emergência por período de seca

Comunicado do Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), órgão do governo federal criado em março, classifica a situação como severa entre junho e setembro


28/05/2021 18:46 - atualizado 28/05/2021 19:57

Reservatório da represa de Três Marias está com 64% de sua capacidade total(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Reservatório da represa de Três Marias está com 64% de sua capacidade total (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)

Pela primeira vez em 111 anos de serviços meteorológicos no Brasil, Minas Gerais e outros quatro estados estão em alerta de emergência hídrica em virtude da queda do volume de chuvas no período de junho a setembro.

 

 

A escassez de precipitação na Bacia do Prata se tornou alvo de preocupação do Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), que emitiu comunicado ao lado de outros órgãos federais ligados à meteorologia, como a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden). Na região, a situação é classificada como “severa” pelos especialistas.


Além de Minas, os estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná terão queda de chuvas. Os estados contam com polo de produção agropecuária e com grandes hidrelétricas que servem de abastecimento de energia para a população. 

De acordo com o relatório do SNM, a falta de chuvas na bacia do Paraná está provavelmente relacionada à influência do fenômeno La Niña, de outubro de 2020 a março de 2021, que leva ao resfriamento das águas do Oceano Pacífico, altera o padrão de circulação global e reduziu chuvas no sul do Brasil. Outra causa seria a Oscilação Antártica (OA), responsável por alterar o padrão de pressão atmosférica na região.
 
Nos últimos meses, as chuvas ficaram acima da média na Bacia do Paraná somente em dezembro de 2019, agosto de 2020 e janeiro de 2021. No restante do déficit, os estados ficaram com déficit de precipitação. Desde o começo de maio, o volume parcial foi de 27 milímetros para a bacia, bem abaixo do acumulado climatológico, que é de 98 milímetros.
 
Segundo o meteorologista Ruibran do Reis, do Climatempo, o problema de Minas Gerais é normal devido ao baixo volume de chuvas entre dezembro e abril: “O período chuvoso em Minas historicamente começa em outubro e termina em abril. E o período seco começa em maio e dura até setembro. A falta de chuvas nesse período é comum. Mas, em janeiro, março e abril ficaram muito abaixo da média. Só tivemos chuva efetivamente em fevereiro. Novembro e dezembro também choveu muito abaixo da média, sem poder encher totalmente os reservatórios. Foi, realmente, um período chuvoso muito ruim. Vamos pegar agora o período seco, o que é absolutamente normal. Tivemos aquela época do racionamento, em 2001, que foi muito pior. A seca naquele período foi bem severa também” 

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) já vem utilizando seus reservatórios para abastecer as usinas hidrelétricas. “Estamos num momento de criticidade hídrica. Estamos esperando o pior período seco do histórico, fruto de anos consecutivos de baixas precipitações. Mas temos que lembrar que o setor elétrico é interligado e quando temos um déficit de capacidade de geração em determinada região, a energia vem de outras regiões. Temos outra matriz muito ampla e temos fontes térmicas, eólicas e fotovoltaicas, que garantem o suprimento energético do sistema interligado nacional”, explica o gerente de planejamento estratégico da estatal, Ivan Sérgio Carneiro.

Uma das preocupações é justamente o reservatório de Três Marias, que atualmente está com 64% de volume útil. Segundo a Cemig, a vazão afluente está no entorno de 150m³ e uma defluência de 400m³. Por outro lado, os reservatórios de Nova Ponte (16%), no Rio Araguari, e de Borcação (22%), no Rio Paranaíba, já vivem situação de emergência.

“A Cemig tem sempre tentado preservar os despacho das usinas, estudando novas faxas operativas de unidades geradoras, avaliando as questões ambientes que eventualmente demandar uma quantidade maior de água para praticarmos defluências menores. Estamos sempre articulando com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a possibilidade de fazer despacho ótimo, preservando os níveis dos armazenamentos”, argumenta Ivan.

Ações federais


Para minimizar o impacto da seca entre julho e novembro, o governo federal fará restrições hidráulicas em usinas nas bacias dos rios Grande e Paraná. Serão adotadas medidas para armazenar água nos reservatórios das hidrelétricas, evitando que seja liberado um volume usado, por exemplo, para assegurar a navegação em rios e garantir água potável para a população de alguns municípios onde a força dos rios que deságuam no mar evita o retorno da água salgada.


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