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Estado de Minas PANDEMIA

Mortes por COVID-19 pressionam cemitérios de BH

Puxada pela escalada do coronavírus, média de enterros dispara e põe prefeitura em alerta. Capital mineira inicia abril com recorde de óbitos


02/04/2021 04:00 - atualizado 02/04/2021 07:26

Funcionários carregam caixão durante enterro em Belo Horizonte: prefeitura monitora números e pode estender horário de sepultamentos, se necessário (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS %u2013 22/3/21)
Funcionários carregam caixão durante enterro em Belo Horizonte: prefeitura monitora números e pode estender horário de sepultamentos, se necessário (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS %u2013 22/3/21)

O momento mais severo da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) em Minas Gerais já se reflete nos cemitérios de Belo Horizonte, onde o volume de enterros de março bateu recordes, chegando a ser 46% maior que a média de 2020 e 63% superior a igual mês de anos pré-pandêmicos.

Foram realizados 1.358 enterros na capital mineira em março de 2021, um número 55% superior aos 875 sepultamentos registrados em fevereiro deste ano e 6% superior ao antigo recorde, de 1.280 procedimentos fúnebres, em julho de 2020, pico da pandemia naquele ano.

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) monitora esse ritmo crescente e informa estar preparada para estender horários e até deixar mais covas abertas nos cemitérios públicos em caso de necessidade, para que não se chegue a um colapso funerário. Boletim divulgado pela prefeitura na noite de ontem registrou novas 90 mortes por COVID-19 na capital (leia mais abaixo), recorde na pandemia. Em Minas Gerais, foram 396 em 24 horas, segundo dados do governo do estado liberados pela manhã.
 
E o monitoramento é justificado pela forte pressão do volume crescente de mortes, com os hospitais operando em zona de colapso de oferta de leitos. Somente no primeiro trimestre de 2021, a média de mortes pela COVID-19 a cada 24 horas em BH superou o dobro da registrada nos três últimos meses de 2020.

Foram 15 pessoas perdendo a vida todos os dias de janeiro a março, contra sete óbitos diários em média entre outubro e dezembro. Já chega a ser mais do que no pico anterior da pandemia em BH, em julho, quando 12 belo-horizontinos morreram a cada dia em decorrência da doença.
 
De acordo com a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) de Belo Horizonte, esse crescimento de mortes se traduziu em um ritmo de 43,81 sepultamentos diários em março. Esse compasso acelerou a necessidade de covas disponíveis nos cemitérios, sendo 28% superior aos 34,29 enterros diários dos dois primeiros meses do ano, 46,4% acima dos 29,93 sepultamentos a cada 24 horas de 2020 e 63% mais frequentes que a média antes da pandemia, que era de 26,9.
 
A FPMZB informou que, por enquanto, vai manter a sua reserva técnica diária de gavetas nos cemitérios municipais em 100, como já vinha praticando de forma preventiva. Ou seja, ao início de cada dia, pelo menos uma centena de covas deve estar preparada para receber sepultamentos em cada um dos quatro cemitérios municipais.

“No entanto, fazemos o monitoramento diário de vários indicadores e, consequentemente, as estratégias são revistas diariamente e, se necessário, adequadas. Se for identificada uma necessidade de ajuste imediato para amanhã, por exemplo, seja no aumento da nossa reserva técnica diária, seja na ampliação do horário de sepultamentos (já foi feita uma ampliação de uma hora, iniciando-os às 7h em vez de às 8h), temos plenas condições de fazê-lo também de imediato”, informou a fundação por meio de sua assessoria de imprensa.

DURO EXEMPLO

A extensão do horário já teve que ser adotada na cidade de São Paulo, epicentro da pandemia no Brasil. Os reflexos do crescimento alucinante de vítimas da COVID-19 são vistos nas grandes filas que se formaram para a liberação de caixões e a ampliação do horário de enterros em até quatro horas, dependendo do cemitério, avançando com os procedimentos noite adentro, alguns ocorrendo até as 22h, segundo a prefeitura paulistana.

Na última terça-feira, o número de enterros em um dia na capital paulista superou pela primeira vez a barreira dos 400 sepultamentos: foram 419. Até vans escolares que estavam paradas devido ao fechamento das escolas estão sendo contratadas para auxiliar no transporte fúnebre e desafogar o setor.


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