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Estado de Minas 'FILME DE TERROR'

Troca de corpos revolta família de idosa enterrada no lugar de homem em BH

Senhora de 91 anos estava internada no Hospital São Francisco de Assis, que alega que o erro foi cometido pela funerária


13/01/2021 10:52 - atualizado 14/01/2021 00:29

Leonora de Jesus Celestino, 91, teve o corpo trocado pelo de Fernando de Jesus Reis, 68. Ambos foram vítimas da COVID-19.(foto: Arquivo pessoal)
Leonora de Jesus Celestino, 91, teve o corpo trocado pelo de Fernando de Jesus Reis, 68. Ambos foram vítimas da COVID-19. (foto: Arquivo pessoal)
"Parece filme de terror". É assim que Kelly Chagas, 36, define a situação delicada envolvendo a avó, Leonora de Jesus Celestino, 91, que morreu no último domingo (10/01) em decorrência de problemas pulmonares, com suspeita de COVID-19. Ela foi velada e enterrada por engano no lugar de um homem em Belo Horizonte, após uma falha nos protocolos de identificação e encaminhamento dos corpos.

Segundo Kelly, a avó ficou internada por cerca de dois dias no Hospital São Francisco de Assis, no Bairro Concórdia, Região Nordeste da capital. A família foi comunicada do obito no domingo (06/01) e o sepultamento estava previsto para esta segunda-feira (11/01), no Cemitério da Saudade, que fica no bairro homônimo, Região Leste de BH. O corpo da senhora, contudo, não chegou ao local.

A família então procurou o Hospital São Francisco, onde constatou que Leonora havia sido encaminhada por engano ao cemitério da Consolação, no Bairro Jaqueline, Região Norte da cidade. Por lá, foi velada e sepultada por parentes de um outro paciente do São Francisco, Fernando de Jesus Reis, 68, diagnosticado com a COVID-19 e que morreu no mesmo dia da idosa, na mesma ala hospitalar. Como o protocolo municipal para óbitos pela doença inclui ritos fúnebres com caixões fechados, os parentes dele não puderem constatar a troca. 

"Não sei nem te falar o tamanho dessa dor que estou sentindo. Perder uma pessoa que a gente ama já é difícil. Não poder nem enterrá-la faz doer muito mais. Estamos todos revoltados e machucados", desabafa a neta da falecida. 

Cova coletiva

Os familiares de Leonora podem não ter a chance de se despedir dela. De acordo com Kelly, o cadáver de sua avó foi inserido em uma cova coletiva do cemitério da Consolação. Depois do enterro, outros dois corpos foram adicionados ao túmulo. Conforme as normas da necrópole, a remoção da aposentada requer autorização das famílias desses dois finados e uma delas já teria informado que não vai permitir a exumação.

"Só sei que queremos enterrar minha avó. O erro não foi nosso. Quem errou tem que resolver. Essa situação pela qual estamos passando é indigna!", afirma Kelly.

Ela relata que, nesta manhã, seus tios foram convidados para uma reunião com a diretoria do hospital São Francisco, que teria se comprometido a ajudá-los a resolver o impasse.

Os parentes de Fernando de Jesus Reis aguardam para sepultar o verdadeiro cadáver, que permaneceu no hospital até a noite dessa terça (12/01) e ainda não havia sido liberado até as 11 desta quarta (13/1).

Hospital culpa funerária

Procurada pelo Estado de Minas, a Fundação Hospitalar São Francisco de Assis (FHSFA) informou, em nota, que o equívoco que resultou na troca dos corpos foi cometido pela Funerária Emirtra, citada como responsável pela preparação dos mortos. 

O comunicado diz que essa empresa não realizou a devida conferência no processo de recolhimento e deslocamento dos cadáveres para os cemitérios e, inclusive, já teria admitido o erro. A funerária também teria se comprometido a solucionar a questão e arcar com todas as possíveis despesas que o transtorno causará às famílias dos pacientes.  

"Apesar de não ter nenhuma responsabilidade sobre o triste fato ocorrido, a Fundação lamenta muito e se solidariza com as dores dos familiares. Sabemos que é um momento de muita tristeza e o enterro faz parte do processo de luto", finaliza o texto. 

A reportagem tentou contato com a Emirtra, mas não obteve retorno.


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