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Estado de Minas LESTE DE MINAS

COVID-19: Prefeitura de Ipatinga deixa de divulgar dados sobre mortes

A decisão polêmica causou insatisfação na classe médica que vê a medida prejudicial à transparência e à democracia na apresentação da saúde pública


12/01/2021 20:45 - atualizado 12/01/2021 21:57

O médico infectologista Márcio Castro, de Ipatinga, considera a sonegação de informação de saúde pública, uma ação prejudicial ao combate à COVID-19(foto: Reprodução redes sociais)
O médico infectologista Márcio Castro, de Ipatinga, considera a sonegação de informação de saúde pública, uma ação prejudicial ao combate à COVID-19 (foto: Reprodução redes sociais)
A decisão da Prefeitura de Ipatinga de não divulgar o número diário de mortes pela COVID-19, nem as informações relacionadas a essas mortes, causou indignação às comunidades do Vale do Aço e à classe médica, especialmente aos profissionais que trabalham na linha de frente do combate à doença.

Desde o dia 9 de janeiro, os boletins epidemiológicos divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde de Ipatinga, omitem essa informação, que era repassada à população desde o início da pandemia do novo coronavírus.

A Prefeitura justificou a omissão dos números, informando que depois de uma avaliação dos dados de mortes relacionadas à COVID-19, percebeu “incongruência nos dados anteriores”. E que por causa disso, até que seus profissionais de saúde tenham segurança quanto à exatidão e fidelidade desses números, eles não constarão nos boletins. 

Profissionais da área criticam medida


A não divulgação dos dados relacionados às mortes por COVID-19 já está prejudicando o trabalho de combate a doença, segundo afirmou o médico infectologista Márcio Castro. 

“A gente tinha até recentemente, além da divulgação diária do número de mortes e dados acumulados, alguns gráficos que ficavam no portal da Prefeitura. Isso nos permitia acompanhar o número de óbitos por dia e o acumulado na semana, e fazer análises estatísticas e epidemiológicas com base nos dados públicos”, explicou Márcio Castro. 

Ele afirmou que a situação da COVID-19 em Ipatinga é crítica. “Até a última divulgação de dados, Ipatinga tinha 325 mortes por COVID-19, numa população de 265 mil habitantes, o que configura uma taxa de 122 ou 123 mortes por 100 mil habitantes. Esse coeficiente é um importante alerta para a mortalidade”, disse.

Márcio Castro disse que o Brasil tem taxa abaixo de 100 e está abaixo do vigésimo pior país do mundo no combate à COVID-19. E observou que se Ipatinga fosse um país, “seria o sétimo pior país do mundo”. 

“Essa medida de suprimir informações, de negar a publicização de dados, gera menor compreensão da população quanto à gravidade da situação e impede que os meios de comunicação possam fazer um debate acerca dos dados epidemiológicos. Qualquer atitude que maqueia, omite ou suprime informação, prejudica a transparência e a democracia na apresentação da saúde pública", disse.



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