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Estado de Minas COVID-19

O 'novo' Natal: famílias planejam confraternização atípica; confira dicas

Especialistas alertam para os riscos da reunião familiar; se forem realizados, encontros devem ter poucas pessoas, sem abraços e beijos


22/11/2020 04:00 - atualizado 22/11/2020 13:57

(foto: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A. PRESS)
(foto: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A. PRESS)

"É difícil celebrar sem abraços, mas vamos fazer o quê? E os presentes serão entregues de longe. Nunca na minha vida pensei que fôssemos enfrentar uma situação assim"

Lindalva Silveira Carneiro, designer de moda, ao lado do marido, Anatólio Carneiro

A pouco mais de um mês do Natal, as famílias já começam a pensar nas confraternizações de fim de ano, que, desta vez, serão de forma nunca imaginada devido às medidas sanitárias impostas pela pandemia do coro- navírus. Será possível festejar sem abraços, beijos, apertos de mãos e votos de felicidades desejados bem perto do rosto? Cada um tem seu roteiro para celebrar: distanciamento, uso de máscara, "cotoveladas" à meia-noite e entrega de presentes bem de longe.
 
Membro do Observatório COVID-19 BR, o físico Vitor Mori, pós-doutorando na Faculdade de Medicina da Universidade de Vermont (EUA), destaca que a confraternização familiar apresenta um risco elevado, uma vez que pessoas estarão próximas dentro de um mesmo ambiente. Apesar disso, o especialista dá dicas para diminuir as chances de contágio.
 
O primeiro passo, de acordo com Mori, é adotar a quarentena 14 dias antes da noite de Natal. O isolamento no prazo citado – que é considerado por especialistas o tempo em que os sintomas da COVID-19 costumam aparecer – garante uma segurança maior aos parentes no dia da confraternização.

“Dá para fazer isolamento mais curto, mas isso tende a aumentar os riscos e diminuir a eficiência da quarentena. Eu não recomendo isolamentos menores do que sete dias. Fazendo o isolamento de 14 dias, tomando todos os cuidados, dá para encontrar todo mundo tranquilo, não precisa se preocupar tanto, dá para garantir uma segurança maior”, pontua Vitor.

A quarentena de 14 dias, para quem puder, também é fundamental, de acordo com o especialista, para pessoas que vão visitar parentes em outras localidades. Nesse caso, segundo Mori, o isolamento tem que ser feito já na cidade dos familiares. A dica é válida sobretudo para pessoas que vão utilizar ônibus ou avião como meios de transporte.
 
“Para quem não puder, uma dica que dou é tentar fazer um encontro com menos gente. Eu sei que é o momento que a gente quer trazer toda a família, mas é um ano atípico e que a gente tem que tomar certos cuidados. Então, é tentar fazer um encontro com um número de familiares mais próximos, como pai, mãe e irmã”, ressalta.
 
Outra opção para diminuir os riscos durante a confraternização de Natal é a realização de testes, com exceção do teste rápido. “Tem que ser o RT-PCR ou o RT-LAMP, que pegue a presença do vírus no momento. Mas, mesmo assim, não é risco zero. Tem muito falso- negativo”, alerta Mori. Ele também lembra que é fundamental escolher um imóvel com espaço amplo para realizar a ceia de Natal – de preferência, uma casa que tenha um espaço ao ar livre, como um quintal.

Caso a família seja recebida em um apartamento, olho na ventilação, com todas as janelas abertas. Uma boa tática para a troca de ar é a ventilação cruzada, quando um ventilador fica próximo da janela puxando o ar de fora para dentro, enquanto outro aparelho, em outra janela, faz o movimento inverso: puxando o ar de dentro para fora.
 
Mesmo em família, Vitor Mori destaca que é fundamental o uso da máscara enquanto estiver havendo diálogo, uma vez que é na fala que gotículas são expelidas, o que aumenta o risco de contágio. Nesse caso, são exigidos acessórios de boa qualidade, sobretudo para quem é do grupo de risco, que deve usar máscaras modelo N95.

Ao alimentar, os parentes devem evitar compartilhar utensílios como talheres, pratos e copos. “Na troca de presentes, o mais importante é estar de máscara. Se for num local aberto, você tem uma segurança maior. Eu recomendo usar máscara até em local aberto, pois é um cuidado que vale a pena ter”, diz o especialista.
 
(foto: GLADYSTON RODRIGUES/EM/D.A PRESS)
(foto: GLADYSTON RODRIGUES/EM/D.A PRESS)
 
 

"Talvez seja até uma comemoração virtual. É fundamental ficarmos conscientes de que se trata de um momento para o qual devemos estar protegidos contra a doença"

Gilka Maria de Moraes Oliveira, moradora do Bairro Novo Glória

 

Tradição alterada

Na casa de Anatólio Carneiro, de 85 anos, procurador federal aposentado, e Lindalva Silveira Carneiro, de 83, designer de moda, a comemoração do nascimento de Jesus sempre foi motivo para rezar em família e compartilhar a alegria de reunir os cinco filhos, noras e netos, num total de 27 pessoas. Desta vez, tudo será bem diferente, "sem aglomeração, como é necessário", diz dona Lindalva, que fez aniversário na última sexta-feira e achou melhor adiar o almoço comemorativo na casa do bairro Jaraguá, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte. "Vai ficar lá para o fim do ano", avisa com tranquilidade.
 
Casados há 60 anos e muito católicos, Anatólio e Lindalva mantêm a tradição de, na passagem de 24 para 25 de dezembro, ajoelhar e rezar o terço com os filhos Cláudia Fernanda, Edmilson Tadeu, Kátia Marília, Paulo Henrique e Allan César. "Faltando 10 minutos para a meia-noite, começa- mos. É muito importante, tenho todos os meus filhos bem, com saúde, é o que importa", conta Lindalva, que gosta de cuidar de todos os detalhes.

Depois, é hora de saborear a ceia preparada no capricho. Com as restrições sanitárias, apenas o casal e os filhos estarão em casa neste Natal. "E vamos rezar o terço, se Deus quiser. É difícil celebrar sem abraços, mas vamos fazer o quê, né? E os presentes serão entregues de longe. Nunca na minha vida pensei que fôssemos enfrentar uma situação assim."

Horário marcado

 
Janelas bem abertas, máscaras de proteção, distanciamento social e horário marcado. Assim será a comemoração de Natal do casal Luiz Carlos Ferreira, médico, e Paola Maria Carvalho Potenza, dona de casa, com os filhos Mariana, de 29, Lucas, de 26, e Juliana de 23, residentes no bairro Serra, na Região Centro-Sul da capital. O costume da família é celebrar o Natal na casa dos pais de Luiz Carlos, o também médico Carlos Eduardo Ferreira, de 85, e Clene Lemos Ferreira, de 84. "No total, somos sempre 15 pessoas na casa dos meus sogros, entre familiares e agregados. Felizmente, incluindo meu marido, que atua na linha de frente em hospital, ninguém desse grupo teve COVID-19", conta Paola.

As orientações do especialista Vitor Mori soam um pouco exageradas para Paola Potenza, especialmente quanto à necessidade de teste negativo para a doença e quarentena prévia, embora esteja ciente da necessidade de respeito, mesmo em ambiente familiar, ao distanciamento nos festejos de fim de ano.

"Não podemos aglomerar de jeito nenhum. Por isso, de comum acordo, resolvemos marcar horário: a ceia vai começar às 21h e terminar às 23h. Desse jeito fica mais tranquilo para todo mundo."
 
A família não abre mão das suas orações na véspera do dia 25. "Todos os anos, fazemos questão de rezar e agradecer a Deus pela vida, pedindo graças para todos", revela Paola diante de uma imagem antiga do Menino Jesus, herdada da mãe, Maria Izabel Po- tenza. "Com o horário marcado para a reunião natalina, cada um ficará livre para celebrar o nascimento de Jesus como achar me- lhor. Uns poderão ir à igreja e outros rezar em casa, como faremos à meia-noite."
 
Filhos e netos de Anatólio e Lindalva Carneiro, em confraternização antes da pandemia(foto: ARQUIVO PESSOAL/REPRODUÇÃO)
Filhos e netos de Anatólio e Lindalva Carneiro, em confraternização antes da pandemia (foto: ARQUIVO PESSOAL/REPRODUÇÃO)
 
 

 

Criatividade para comemorar

 
"Sejamos criativos." Essa é a mensagem, em tempos pré-natalinos, da professora Gilka Maria de Morais Oliveira, moradora do bairro Novo Glória, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Casada e sem filhos, Gilka e o marido têm o costume de se reunir na residência dos pais dela, onde os sete irmãos (cinco mulheres e dois homens), acompanhados de filhos, netos e três bisnetos, participam da celebração do nascimento de Jesus. Não faltam orações e mesa farta com pernil, farofa "deliciosa", segundo ressalta Gilka, bacalhau assado, muita salada e frutas. "É sempre alegre", orgulha-se.
 
O "cardápio" desta vez será diferente. "Ainda está cedo para decidir como faremos, mas certamente haverá nova dinâmica, ainda mais porque meu pai, Belisário Elias de Moraes, está com 84 anos, e minha mãe, Maria Helena de Moraes, com 80. "Então, o mais importante é sermos criativos", diz a professora, lembrando que o ponto alto da confraternização da família, que é evangélica, está no momento de oração: “Em todo Natal, agradecemos a Deus pelos alimentos, pela união e por mais um ano. Festejar o nascimento de Jesus Cristo é tradição na casa dos meus pais”.
 
A pandemia do novo coronavírus não vai impedir que a família se encontre na véspera do dia 25 do jeito que for possível. "Não sabemos o que vai acontecer até lá. Talvez seja até uma comemoração virtual. Mas creio que não precisaremos chegar a extremos, a exemplo de pedir teste para a COVID-19 ou exigir quarentena dos familiares. É fundamental ficarmos conscientes de que se trata de um momento para o qual devemos estar protegidos contra doença." 
  

Dicas de prevenção


Orientações para confraternização familiar

» Isolamento por 14 dias antes do Natal, prazo considerado por especialistas para aparecerem os sintomas da COVID-19

» Confraternização com o menor número possível de pessoas

» Fazer testes RT-PCR ou RT-LAMP, que peguem a presença do vírus no momento

» Fazer a ceia de Natal em imóvel amplo, de preferência em casa com espaço ao ar livre ou quintal

» Confraternização em apartamento deve ter muita ventilação, todas as janelas abertas

» Em apartamento, uma boa prática para a troca de ar é a ventilação cruzada, um ventilador próximo da janela puxando o ar de fora para dentro e outro em outra janela fazendo o movimento inverso, puxando o ar de dentro para fora

» É essencial o uso de máscara durante as conversas e na troca de presentes entre familiares, porque gotículas expelidas aumentam risco de contágio

» Não compartilhar pratos, talheres e copos
 


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