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Estado de Minas ATO POPULAR

'Parem de nos violentar': em BH, mulheres protestam contra ataque sofrido por Mari Ferrer

Em uma caminhada que foi da Praça Sete, na Região Central da cidade, até a Praça da Estação, cânticos e palavras de ordem foram entoados


07/11/2020 17:13 - atualizado 07/11/2020 17:52

Caminhada desta tarde terminou na Praça da Estação.(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A press)
Caminhada desta tarde terminou na Praça da Estação. (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A press)
Centenas de pessoas — mulheres, em sua grande maioria — ocuparam Belo Horizonte, na tarde deste sábado (7), para gritar contra a violência sofrida pela catarinense Mariana Ferrer durante o julgamento do homem acusado de estuprá-la, em 2018. Em uma caminhada que foi da Praça Sete, na Região Central da cidade, até a Praça da Estação, cânticos e palavras de ordem foram entoados.
 
Ver galeria . 16 Fotos Centenas de pessoas, mulheres, em sua grande maioria, ocuparam Belo Horizonte, na tarde deste sábado, para gritar contra a violência sofrida pela catarinense Mariana Ferrer durante o julgamento do homem acusado de estuprá-la, em 2018. Em uma caminhada que foi da Praça Sete, na região Central da cidade, até a Praça da Estação, cânticos e palavras de ordem foram entoadosGladyston Rodrigues/EM/D.A press
Centenas de pessoas, mulheres, em sua grande maioria, ocuparam Belo Horizonte, na tarde deste sábado, para gritar contra a violência sofrida pela catarinense Mariana Ferrer durante o julgamento do homem acusado de estuprá-la, em 2018. Em uma caminhada que foi da Praça Sete, na região Central da cidade, até a Praça da Estação, cânticos e palavras de ordem foram entoados (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A press )
 
 
Nas mãos, cartazes denunciavam mazelas como a cultura do estupro e ressaltavam dados que apontam o alto índice de crimes do tipo ocorridos em solo brasileiro. Nos rostos, máscaras apontavam a inexistência do “estupro culposo”, termo cunhado pelo site The Intercept para se referir ao abuso “sem intenção” exposto pela sentença que absolveu André Aranha, acusado por Mariana de ser seu algoz.
 
 
 
Nas vozes, a indignação com o tratamento dado pelo advogado Claudio Gastão da Rosa a Mariana, de 23 anos. Os insultos são tão fortes que fazem a jovem ir às lágrimas e clamar por uma intervenção do juiz, Rudson Marcos.
 
 
 
“Não vamos aceitar nenhum retrocesso e nenhum direito a menos. A busca é constante por lutar contra o machismo, a cultura do estupro, o feminicídio e todas as violências que enfrentamos no dia a dia: violência doméstica, institucional, como no caso da Mari, abusos, estupros e assédios de todas as ordens”, disse a professora de geografia Kelly Assis, 34, presente ao ato em BH. Ela compõe um dos movimentos que ajudou a organizar a passeata na cidade.
 
Para Maíra Elisa Oliveira, maquiadora de 22 anos, o caso de Mariana despertou revolta e indignação. Por isso, ela fez questão de sair às ruas para protestar mesmo ante a pandemia do novo coronavírus. “Deixaram uma mulher ser violentada, machucada e ferida.

Movimento de apoio a mulheres

Presentes ao movimento acreditam que o vídeo das ofensas proferidas em juízo pode fazer com que outras mulheres sintam-se encorajadas a contar suas histórias. “Essa é uma das nossas lutas, para que essas mulheres não se calem. Há muitas mulheres que aguentam caladas problemas como estupros e assédios, com medo da exposição negativa, pois as vítimas acabam sendo culpabilizadas. Nossa luta é para que essas mulheres ganhem coragem para trazer tudo à tona. Estamos aqui para acolhê-las”, afirmou Kelly Assis.

A jovem Carolina Vitória, de 17 anos, é uma das criadoras da versão belo-horizontina página Na rua por Mari Ferrer, movimento que impulsionou a organização das passeatas em várias cidades brasileiras. Segundo ela, em menos de uma semana, o endereço virtual da organização já recebeu diversas denúncias de abusos. “Várias mulheres entraram em contato relatando abusos sofridos na infância e, até mesmo, no trabalho e na escola. Nosso movimento mobilizou muitas a terem voz”.

O ato foi, também, para prestar solidariedade à adolescente que engravidou do tio no Espírito Santo. A gestação precoce da jovem de 10 anos foi fruto de estupro e, mesmo ante amparo legal para a realização do aborto, ela precisou passar pelo procedimento em Pernambuco. Por lá, conservadores e extremistas religiosos se reuniram em frente ao hospital para impedir a interrupção da gravidez.

Bolsonaro é alvo de cânticos

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi mencionado pelas manifestantes em parte dos cânticos entoados. “Ô, Bolsonaro, pode esperar, as mulheres vão te derrubar”, bradaram, em parte do trajeto. À frente da passeata, uma grande faixa dizia: “É pela vida das meninas”.


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