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Estado de Minas Rompimento de barragem

Brumadinho: bombeiros retomam busca por 'acalento e dignidade'

Trabalho ficou paralisado por cinco meses devido à pandemia do novo coronavírus; um ano e sete meses após a tragédia, completados na última terça-feira (25), 11 vítimas ainda estão desaparecidas


27/08/2020 13:07 - atualizado 27/08/2020 13:38

Buscas foram retomadas nesta quinta-feira (27)(foto: Edesio Ferreira/ EM/ D.A. Press)
Buscas foram retomadas nesta quinta-feira (27) (foto: Edesio Ferreira/ EM/ D.A. Press)
“O que nos motiva até hoje é esse desafio para encerrar essa ocorrência e principalmente trazer o acalento e dignidade de volta aos familiares”, afirma o coronel Alexandre Gomes Rodrigues, ao retomar, nesta quinta-feira (27), a Operação Brumadinho.

Após 159 dias de paralisação dos trabalhos operacionais, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) retoma as buscas por 11 “joias”, como são chamadas as vítimas ainda desaparecidas após o rompimento da Barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, operada pela Vale, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A operação foi interrompida em 21 de março devido à pandemia do novo coronavírus. Desde o rompimento, em 25 de janeiro de 2019, 259 corpos foram recuperados.

Em um novo cenário, com solo diferente e comportamento de higiene reforçado, 60 bombeiros militares dão continuidade aos trabalhos atuando em seis frentes prioritárias.

“Dizemos entre nós que o bombeiro não vai precisar atolar o pé na lama novamente como era feito antes, porque o terreno estará todo drenado, trazendo muito mais facilidade”, acrescenta o militar responsável pela operação.

Prevenção ao coronavírus

 
Equipes de reportagens não foram autorizadas a entrar na Base Bravo, local que abriga os oficiais. A mineradora Vale afirma que foram feitas adequações no espaço em conformidade com os protocolos aprovados pelo Comitê Extraordinário COVID-19.

Para realizar os trabalhos, os militares devem seguir uma série de normas que evitam a disseminação do novo coronavírus. Confira as principais abaixo:
  • Os militares que se enquadram nos grupos de risco não deverão ser escalados para a operação;
  • Se o militar apresentar qualquer sinal ou sintoma de resfriado ou gripe, ele deverá informar ao seu chefe direto e procurar o serviço de saúde imediatamente;
  • Obrigatoriedade do uso de máscara cobrindo nariz e boca e óculos de proteção durante todo o período do transporte, inclusive dentro do veículo;
  • Deverá ser verificada a temperatura de cada militar, diariamente, antes do embarque ou empenho matinal e ao término do empenho. Se for verificado febre, deverá ser encaminhado ao médico para avaliação;
  • Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool gel a 70% com periodicidade mínima de 2 horas, ou a qualquer momento dependendo da atividade realizada;
  • Utilizar os equipamentos de proteção individual disponibilizados, da forma correta;
  • Higienizar os equipamentos com álcool a 70% ou conforme orientação do fabricante.

Trabalho técnico

 
De acordo com o Corpo de Bombeiros, as buscas estão sendo feitas através da escolha de seis áreas que serão priorizadas através de um estudo matemático de probabilidades, onde há maiores chances de serem encontrados corpos ou segmentos.

A corporação deve utilizar equipamentos de geoprocessamento de dados, programas específicos de análises de dados, equipamento de proteção individual específico para buscas como capacete, luvas, óculos.

As buscas também devem contar com o apoio logístico da mineradora Vale, maquinário pesado como retroescavadeira, caminhões fora de estrada, e tratores de vários tipos, que fazem total diferença na escavação e movimentação de rejeitos.

Os drones da corporação – conhecidos como “vespas” –, que já eram usados antes da retomada, também vão monitorar os trabalhos, e a princípio não haverá necessidade de utilização de helicópteros.
 
 


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