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Estado de Minas Pandemia

COVID-19: A bola não para no país que é vice-líder em mortes

Dos 27 campeonatos de futebol no Brasil, 21 retornaram e em alguns já teve até grito de campeão


08/08/2020 14:00 - atualizado 08/08/2020 16:18

Na Itália, portões foram fechados ao público em março por conta da crise do coronavírus que se agravava(foto: VINCENZO PINTO/AFP)
Na Itália, portões foram fechados ao público em março por conta da crise do coronavírus que se agravava (foto: VINCENZO PINTO/AFP)
FALTA A FOTO

O Brasil bate em 100 mil mortes por COVID-19, número que não para de crescer. Mas para os que comandam o esporte mais popular do país a pandemia está tão controlada que o Campeonato Brasileiro, nas séries A, B e C já vai começar. Nada para se estranhar, pois até comemoração de título já ocorreu, com direito aos tradicionais abraços, choro, risadas, técnico jogado para o alto pelos comandados e dirigentes dando tapinhas nas costas uns dos outros. Obviamente tudo só é possível com autorização dos governantes.


Tanto em nível estadual quanto regional, as regras de distanciamento tão recomendadas passaram longe. Como se viu na conquista do Campeonato Carioca pelo Flamengo, em 15 de julho, no Maracanã, ou quando o Ceará se sagrou campeão da Copa do Nordeste, terça-feira, no Pituaçu, em Salvador.

Tudo bem que todos os jogos são sem a presença de torcida e têm protocolos de controle rígidos para quem deles participa, como a maciça testagem de jogadores, membros de comissão técnica, dirigentes, árbitros e até da imprensa, cuja maioria dos membros não tem qualquer contato com os protagonistas.

Mas os riscos continuam, como mostram casos por todo o Brasil. Em Minas, a final da Taça Inconfidência, entre Cruzeiro e Uberlândia, marcada para quarta-feira, foi cancelada horas antes de começar porque 13 integrantes, sendo nove atletas, do clube do Triângulo Mineiro testaram positivo para a COVID-19.



O número é assustador. Como comparação, segundo a Federação Mineira de Futebol (FMF), nas duas últimas rodadas da primeira fase, que marcaram a retomada antes dos mata-matas, 14 pessoas haviam sido diagnosticados com o novo coronavírus entres as equipes participantes. A entidade diz ter feito só nessas duas rodadas 1.030 testes, sendo 40 por equipe, 30 de oficiais de arbitragem, mais cinco árbitros suplentes, que ficam de prontidão caso alguém teste positivo, por jogo.


A avaliação inicial foi boa. “O momento de enfrentamento à pandemia exige diversos cuidados e buscamos orientação das autoridades competentes, o que nos permitiu finalizar a fase de classificação do Módulo I com 100% dos atletas testados durante o período de preparação e, principalmente, às vésperas dos jogos. O controle feito com testagem e isolamento nos trouxe resultados que nos indicam ser totalmente viável a continuação das disputas. Nosso protocolo pode servir de modelo, sem dúvidas, apesar do alto custo para aplicação de todas as medidas", afirmou, em nota, a diretoria da FMF.

"Em campeonatos com menor poder financeiro, sem grandes patrocínios, o modelo fica inviável. Ainda assim, nos campeonatos nacionais, o caminho seguido será bem parecido, já que a linha de trabalho das autoridades de saúde será a mesma. Seguimos aguardando melhora no cenário da pandemia, para que possamos flexibilizar protocolos e retomar competições profissionais masculinas e femininas, além das categorias de base”, disse a FMF, que ainda não estabeleceu a retomada do Módulo II, por exemplo.



Já para cancelar a final do torneio que reuniu do quinto ao oitavo colocado no Estadual, a FMF alegou “obrigação assumida de cumprir procedimentos rigorosos com o intuito de obter um maior controle no combate à contaminação causada pelo vírus”. E também “prevenção diante do alto risco de propagação e contaminação em massa, dando prioridade absoluta à integridade física dos jogadores, membros de comissões técnicas, árbitros e demais profissionais envolvidos”.

O fato de já ter torneio encerrado não significa que todo mundo aceitou facilmente a retomada do futebol enquanto o coronavírus não está controlado. Em Minas, Tupynambás e Villa Nova chegaram a recorrer ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) para não atuar enquanto não houvesse garantias das autoridades de saúde. Ainda não desistiram da demanda, mas, depois de rebaixados, haverá sempre a desconfiança de que estavam mais preocupados com a própria situação que com a saúde pública.


No Rio, dois grandes, Botafogo e Fluminense, que foi finalista do Campeonato Carioca, também se mostraram contrários à volta do futebol. Mas o máximo que conseguiram foi adiar jogos, tendo de cumprir a tabela depois. Às vésperas das semifinais da Taça Rio, no início de julho, lançaram manifesto reafirmando o posicionamento. “Honrados em mantermos nossa posição e nossos princípios é que protestamos contra o que se está vendo do atual cenário do futebol do Rio de Janeiro. Uma cena triste cujo pano de fundo é este momento tão difícil da história nacional, quando vidas estão sendo ceifadas não apenas pela pandemia, mas também a golpes de insensatez e de falta de empatia. O que todos estão assistindo em primeiro plano nesse show de horrores é ao espetáculo de desmandos e desrespeito com que os clubes e seus torcedores vêm sendo tratados”, diz o texto divulgado por ambos os clubes.

 




Alguns dias depois, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) acionou os dois filiados na Justiça, pedindo R$ 100 mil de danos morais, indenização por danos materiais em valores a serem levantados e exigindo retratação pública, passível de multa de R$ 1 milhão em caso de descumprimento. Segundo a entidade, Botafogo e Fluminense ‘expuseram grosseira e mentirosamente uma série de supostas irregularidades imputadas à Autora” e diz que “é muita covardia de ambos mandatários agirem às expensas das instituições que administram para tentar infligir alguma dor na moral alheia, visando amealhar alguma fugaz repercussão social”.

Indefinição nos estaduais

 

Por enquanto, 21 dos 27 campeonatos locais já retornaram ou têm previsão para retornar. Em Goiás, decidiu-se adiar a disputa para o ano que vem, não só pela pandemia, mas também pelos compromissos pelo Campeonato Brasileiro. Em outros locais, como Rondônia, a competição voltará este ano, mas ainda sem data exata. Já nas disputas nacionais, os clubes aguardam definições da CBF. Falta definir o início da Série C do Brasileiro e a retomada da Copa do Brasil.

 

Situação do futebol brasileiro na pandemia

Estaduais

  • Campeonato    Retorno
  • Acreano    15/8 (*)
  • Alagoano    29/7
  • Amapaense    27/8
  • Amazonense    Indefinido
  • Baiano    23/7
  • Brasiliense    8/8
  • Capixaba    Indefinido
  • Carioca    18/6
  • Catarinense    8/7 (**) e         29/7
  • Cearense    13/7
  • Gaúcho    22/7
  • Goiano    13/1/2021
  • Maranhense    1/8
  • Mato-grossense    Indefinido
  • Mineiro    26/7
  • Paraense     1/8
  • Paraibano    16/7
  • Paranaense    18/7
  • Paulista    22/7
  • Pernambucano    19/7
  • Piauiense    18/11
  • Potiguar    10/8
  • Rondoniense    Novembro
  • Roraimense    10/10 (*)
  • Sergipano    27/7
  • Sul-mato-grossense    Indefinido
  • Tocantinense    Indefinido
(*) A confirmar        
(**)  Interrompido em seguida
 

Regionais

        Campeonato             Retorno

  • Copa do Nordeste   21/7
  • Copa Verde             Indefinido
 

Nacionais

        Campeonato    Retorno

  • Série A             8/8
  • Série B              7/8
  • Série C              8/8
  • Série D               Indefinido
  • Copa do Brasil    Indefinido

 

Na Europa, reinício consciente

Como no Brasil, na Europa os organizadores também correram para terminar as competições tão logo quanto possível. A diferença é que as principais competições do Velho Continente só foram retomadas quando a pandemia de COVID-19 deu mostras de estar arrefecendo.


Para isso, muitos países optaram por completo isolamento social. E, não por coincidência, onde houve mais colaboração por parte da população mais rápidamente as regras foram relaxadas e o as atividades puderam ser retomadas, inclusive o futebol.


Foi o caso, por exemplo, da Alemanha, primeiro país a retornar com a liga local, em 16 de maio. A partir daí, outras federações se organizaram para dar prosseguimento às competições paralisadas por causa da pandemia do novo coronavírus. O Campeonato Português foi retomado em 3 de junho. Oito dias mais tarde os clubes espanhóis voltaram aos gramados. Já na Itália, as semifinais da Copa da Itália foram realizadas em 12 e 13 de junho. Em 17 de junho quem retornou foi a Premier League inglesa.

Quem deve ter se arrependido foram franceses e holandeses, que anunciaram ainda em abril o encerramento da competição. Na França, o PSG de Neymar foi decretado campeão por estar na liderança, tendo ganhado em campo, em julho, a Copa da França e a Copa da Liga Francesa. Já na Holanda o Ajax foi indicado para a disputa da próxima Liga dos Campeões da Europa por liderar quando o torneio foi paralisado. Não houve promoção ou rebaixamento.

A pandemia de COVID-19 mexeu também com as competições entre seleções. As eliminatórias para a maior delas, a Copa do Mundo, deviam ter começado em março, mas foram adiadas. Inicialmente, a Fifa previu a volta em setembro, mas em julho o presidente Gianni Infantino adiou o pontapé inicial para outubro, em data a ser confirmada.


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