Publicidade

Estado de Minas COVID-19

Música une dois vizinhos que não se conheciam, em performances durante pandemia do coronavírus

Apresentação de um trompetista e de um tenor tem embalado os fins de tarde de quarentena dos moradores do Bairro Gutierrez, na Região Oeste de Belo Horizonte


postado em 17/04/2020 06:00 / atualizado em 17/04/2020 07:44

Marlon Humphreys, trompetista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, diz que quis alegrar um pouco os dias, pois
Marlon Humphreys, trompetista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, diz que quis alegrar um pouco os dias, pois "a energia era pesada" (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


Em meio à solidão causada pelo isolamento social e às medidas de quarentena impostas para a população, a música traz alegria para os moradores do Bairro Gutierrez, Região Oeste de Belo Horizonte. Isso porque os vizinhos Marlon Humphreys e Rodrigo Arantes resolveram se juntar, sem ao menos se conhecer, para levar melodia para as pessoas. Marlon, trompetista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, e Rodrigo, tenor, se apresentam todos os dias junto ao pôr do sol. Assistir à performance musical da dupla, pelas janelas e varandas dos prédios, mesmo que de longe, acabou se tornando compromisso para alguns moradores da região.

Em conversa com o Estado de Minas, os músicos contam que a paixão pela música foi o que acabou motivando as apresentações.  “Tenho a música como minha maior terapia. Sou defensor da ideia de que por meio dela seja possível trazer felicidade para as pessoas. Agora confinadas, essa é uma forma de tranquilizá-las”, explica Rodrigo. “Os dias estavam tristes. A energia era pesada. Por isso que ao olhar um pôr do sol tão bonito me ocorreu que tocar parecia certo”, conta Marlon.

Rodrigo Arantes é oficial do Ministério Público e usava seu dom para cantar em casamentos. Isolado por conta da pandemia de COVID-19, a ideia de cantar na varanda veio de um pedido da mulher, Juliana. “Eu estava me sentindo muito triste, abalada com toda a situação. Então pedi para que ele cantasse Ave Maria, de Schubert. Ele canta e nosso coração explode de felicidade”, conta a mulher.



De acordo com o tenor, assim que terminou de cantar a música solicitada pela esposa, ele escutou palmas vindas da vizinhança. Poucos minutos depois, Marlon Humphreys também foi até a janela, acompanhado de seu trompete. “Foi natural. E acredito que quando a gente faz o melhor para as pessoas, a gente também recebe o bem. Acaba trazendo alegria para estes dias tristes”, conta o trompetista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

As filhas de Rodrigo, Valentina e Catarina, de 7 e 1 ano, também adoram assistir ao pai. Até a mais nova já aprendeu o nome do parceiro de música do pai e sempre bate palmas na hora das apresentações. “A gente nunca tinha conversado. Conhecia o Marlon apenas de vista. Agora está todo mundo mais unido. Não só eu, ele e nossas esposas, mas todo o condomínio”, conta Rodrigo.
 
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

"Tenho a música como minha maior terapia. Sou defensor da ideia de que por meio dela seja possível trazer felicidade para as pessoas. Agora confinadas, essa é uma forma de tranquilizá-las"

Rodrigo Arantes, tenor

 

Amigos

O grupo do WhatsApp do prédio, antes usado apenas para assuntos do condomínio, acabou se transformando em um grupo de amigos. Com pedidos de música e conversas sobre o dia a dia na quarentena, os moradores acabaram se aproximando e se conhecendo melhor. Agora, combinam um festival de música para depois que a quarentena acabar.

Mas o que acabou chamando mais a atenção nas conversas pelo WhatsApp foi uma senhora, dona Ermelinda, que não perde um show e sempre escreve poesias para agradecer aos músicos. “Dedicação é habilidade/É capacidade/Praticar a cortesia/É harmonia/Ser alma, ser coração/É música e canção/É a celebração do viver/ É hora de renascer/Parabéns, Rodrigo e Marlon.”

*Estagiária sob supervisão da subeditora Kelen Cristina
 
(foto: Magson Gomes/Esp. para o EM)
(foto: Magson Gomes/Esp. para o EM)
 

Palavra de fé

Um hotel em Poços de Caldas, Sul de Minas, manterá a palavra “FÉ” em sua fachada, escrita com as luzes dos apartamentos, enquanto durar a quarentena pela COVID-19. É o que afirma a gerente Elaine Martins, que teve a iniciativa em 23 de março, após ver a foto de um prédio, em outra cidade, que havia formado um coração com as luzes. “Preferimos escrever a palavra fé porque é tudo o que precisamos em um momento difícil como este”, diz. A gerente tirou uma foto externa do hotel e fez o desenho no celular para ver quais apartamentos deveriam ter as luzes acesas – foram usados 26 dos 120 quartos do edifício.twit


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade