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Estado de Minas

Liga de blocos de BH denuncia intimidação policial. PM nega excessos

Nota denuncia intimidação da Polícia Militar ao abordar o cantor e representante do Bloco Raga Mofe que sai hoje no Bairro Caiçaras. Polícia Militar não viu abusos


postado em 23/02/2020 10:02 / atualizado em 23/02/2020 12:42

Atritos entre blocos e polícia começou quando caminhões de som foram apreendidos e proibidos de circular(foto: Sejusp/Divulgação)
Atritos entre blocos e polícia começou quando caminhões de som foram apreendidos e proibidos de circular (foto: Sejusp/Divulgação)
A Liga Blocada, que representa vários blocos de carnaval de Belo Horizonte, divulgou uma nota que denuncia o que considerou uma intimidação da Polícia Militar ao abordar o cantor e representante do Bloco Raga Mofe para ratificar os procedimentos para o bloco sair no Bairro Caiçaras. A Polícia Militar considera que os procedimentos adotados tenham sido adequados. Representantes de blocos têm tido diversos atritos com a polícia desde que carros de som irregulares foram apreendidos e outros proibidos de circular por falta de documentação.

De acordo com a nota do grupo, na quinta-feira (20), "Heleno Augusto, cantor dos blocos Havayanas Usadas e Raga Mofe foi surpreendido em sua residência, no bairro Santo Antonio, em BH, por dois Policiais Militares. Sem dar qualquer explicação, os policiais determinaram o músico que divulgasse durante o evento mensagens de segurança da PMMG e ainda o advertiu no sentido de “abster-se de adotar qualquer gesto, palavras ou ações que tenham o potencial de incitar nos participantes atos que atentem contra a segurança e tranquilidade pública”, informa.

O grupo ainda considerou que mais atitudes abusivas foram tomadas naquele dia. "Indo além, a polícia ainda obrigou Heleno “ao término do evento a dirigir-se, de maneira mais ágil possível para área diversa do local de realização do evento. Se alguém tinha dúvidas do que estava por trás das exigências descabidas da PMMG em relação aos carros de som na última semana inviabilizando ou dificultando a realização de cortejos de vários blocos, não tem mais.

O grupo informa que as últimas atitudes da polícia levam a crer que mais problemas estão a vista. "Estamos diante de uma clara ameaça ao Estado Democrático de Direito e tememos o que pode acontecer nos desfiles dos Blocos Raga Mofe neste domingo (23) às 9h e Havayanas Usadas nesta segunda-feira (24), porque não abriremos mão dos nossos direitos assegurados no art. 5º da Constituição Federal de liberdade de expressão e de reunião em locais abertos ao público independentemente de autorização", afirma o comunicado da Liga Blocada, formada pelos blocos Havayanas Usadas, Sagrada Profana, Unidos do Samba Queixinho, Então Brilha, Chama o Sindico e Me Beija Que Eu Sou Pagodeiro.

Em contato com a Sala de Imprensa da Polícia Militar, a reportagem do EM foi informada que as instruções foram "acordadas em reuniões prévias e são todos procedimentos de segurança para que o evento ocorresse de forma organizada", não identificando qualquer tipo de abuso no tipo de abordagem.

 

No fim da manhã, a Polícia Militar emitiu uma nota oficial sobre a questão. Leia na íntegra:

 

"A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) esclarece que foram realizadas visitas comunitárias com representantes de blocos nas áreas de alguns Batalhões com cunho preventivo. O objetivo das visitas foi ampliar a sensação de segurança no Carnaval e solicitar o apoio dos blocos para a divulgação de dicas preventivas durante suas apresentações. Também foram repassadas orientações para que se evitassem estímulos à violência e ocorrências de crimes durante o Carnaval. 


A PMMG esclarece que os contatos com os blocos não tiveram cunho intimidativo e repressivo e ocorreram em tom amistoso e sem qualquer intercorrência. Inclusive, para todas as visitas foram geradas Boletins de Ocorrências no sentido de resguardar a intenção preventiva e comunitária desses contatos.  


A Polícia Militar ressalta ainda que tem contado com o apoio de vários blocos para difundir as dicas de segurança e fazer um Carnaval de Paz.  


Vale destacar que a redução dos crimes violentos neste Carnaval na capital já se apresenta bastante expressiva, na casa de 40% e que essa redução reforça que as ações da Polícia Militar de Minas Gerais, em conjunto com os blocos e os demais órgãos envolvidos, fazem do Carnaval de Belo Horizonte o mais seguro para os foliões". 


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