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Estado de Minas

Caso Backer: falta de reagente no IML paralisa laudos de mortes por suspeita de intoxicação

Fontes informaram ao Estado de Minas que a substância está em falta no Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte


postado em 12/02/2020 15:01 / atualizado em 12/02/2020 19:10

(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
A falta de um reagente capaz de detectar a presença do dietilenoglicol, substância tóxica encontrada na cervejas da Backer, impede a realização de exames para confirmar a presença do agente nos corpos de vítimas com suspeita de intoxicação. Fontes informaram ao Estado de Minas que o reagente está em falta no Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte. A Polícia Civil confirma a informação e informa que “o processo está em andamento”. Mais de um mês depois da abertura do inquérito, familiares de vítimas cobram a celeridade nas investigações. A Backer, que está com a fábrica fechada desde 10 de janeiro, também espera respostas.

Ainda pela manhã, o EM questionou à PC sobre o tipo de reagente usado no exame para confirmar a presença do dietilenoglicol e quando foi a última licitação para a compra do item. A assessoria se limitou a informar que a questão “não está no bojo das investigações”. O dietilenoglicol e o monoetilenoglicol, fluidos congelantes usados para resfriar tanques de cerveja e que não podem ter contato com a bebida, foram encontrados em cervejas, equipamentos e na água da Backer.

Questionada pela reportagem sobre a ausência do reagente, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública explicou que "as forças de Segurança de Minas Gerais têm orçamentos independentes da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e autonomia na distribuição de recursos. Para apuração de compra envolvendo o IML orientamos que apurem junto à Polícia Civil."

Depois disso, a PC mudou o posicionamento e informou que “parte das análises laboratoriais já foi concluída e os laudos já foram liberados. Outra parte está em andamento, necessitando de finalização de compra de reagentes específicos”. Segundo a nota, os reagentes não são de uso comum nas necropsias, “não se justificando manutenção em estoque”. A corporação ressaltou que as investigações estão “bem adiantadas”.

Em 35 dias de investigação, a PC apura 34 casos relacionados ao consumo das cervejas contaminadas da Backer. Os pacientes desenvolveram um quadro chamado de síndrome nefroneural, com comprometimento, sobretudo, de funções neurológicas e renais. Seis pessoas morreram. Até agora, apenas quatro exames com a confirmação da substância tóxica no sangue dos pacientes foram divulgados pela força-tarefa que apura o caso, formada também pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

A respeito da conclusão das investigações, a polícia diz que “o prazo foi prorrogado e ainda não há previsão para a conclusão das investigações”.“As amostras recolhidas tanto na cervejaria, quanto da empresa química que vendia o monoetilenoglicol, continuam sendo analisadas pelas equipes de peritos do Instituto de Criminalística (IC), de forma criteriosa”, diz o texto.

De acordo com a PC, ainda não há previsão para a conclusão da maioria dos laudos. “Os que estão prontos já foram disponibilizados para os advogados da empresa, atendendo aos princípios constitucionais e modernos atinentes ao inquérito policial. A PCMG não vai comentar nenhum resultado isoladamente e falará sobre os exames, em momento oportuno, para não atrapalhar os trabalhos”, pontua.

A falta de respostas deixa as famílias angustiadas. “É tudo muito lento. É preciso cobrar uma responsabilidade da Backer. São muitas vidas em risco, pessoas que perderam a vida. É um descaso muito grande”, afirma Taciana Maciel, de 42, esposa de Ney Eduardo Vieira Martins, de 65. Ontem, completou 60 dias que o marido está fazendo hemodiálise. Apreciador de cerveja artesanal, ele consumiu a Belorizontina em novembro, numa festa de família. A Vigilância Sanitária recolheu exames de Ney, mas a família ainda não sabe o resultado.

Ainda não foi aprovado também pedido para a exumação do corpo de uma mulher que morreu em 28 de dezembro do ano passado, em análise pela Justiça. “Estamos apreensivos e inquietos. Por orientação do delegado, a gente acredita que possa encontrar ainda a substância no organismo, que ainda possa ter alguma coisa preservada. Mas é um processo muito moroso”, afirma Christiani Assis, de 40 anos. Ela é filha de Maria Augusta Cordeiro, que foi sepultada em Pompéu, na Região Central, em 29 de dezembro, antes dos casos virem à tona.

DEMISSÕES


A diretora de marketing da empresa, Paula Lebbos, também cobra agilidade na apuração. Com a fábrica fechada desde 10 de janeiro, a empresa demitiu 52 funcionários, um quinto de seu quadro, e estima que esse número pode ser três vezes maior, se consideradas as vagas indiretas. “É essencial ter o reagente para fazer o exame, para essas pessoas e a própria cervejaria Backer entender o que está acontecendo”, afirma.

A interdição da fábrica ocorreu em 10 de janeiro por determinação do Ministério da Agricultura. O bar da empresa, Templo Cervejeiro, também está fechado. “Estamos todos muito assustados. As autoridades que precisam dar respostas”, diz a representante da empresa. Uma entrevista exclusiva dela ao podcast O Caso Backer, do Estado de Minas, vai ao ar nesta quinta-feira.

De janeiro para cá, exames encontraram dietilenoglicol no sangue de quatro pessoas, sendo um delas Paschoal Demartini Filho, de 55 anos. Ele morreu em 7 de janeiro em Juiz de Fora, na Zona da Mata. A filha dele, que é farmacêutica, falou sobre o caso do pai e do marido, que permanece internado, ao podcast O Caso Backer. Os demais pacientes examinados sobreviveram.

“Um desses óbitos está entre os quatro casos em que foi confirmada a presença da substância dietilenoglicol no sangue. Trata-se de um homem, que esteve internado em hospital de Juiz de Fora e faleceu em 07/01”, informou boletim da SES sobre a intoxicação por dietilenoglicol. A confirmação da substância em Paschoal ocorreu em 13 de janeiro.


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