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Estado de Minas

Saiba por que as águas do Rio Arrudas explodiram durante as fortes chuvas em BH

Imagens que viralizaram de fortes jatos de água no canteiro central da avenida impressionaram e causaram preocupação com os riscos para quem passa pela avenida


postado em 26/01/2020 18:21 / atualizado em 27/01/2020 14:36

Durante as chuvas da madrugada de sábado (25) várias peças de concreto no jardim central saíram do lugar com a força das águas(foto: Túlio Santos/EM. DA Press )
Durante as chuvas da madrugada de sábado (25) várias peças de concreto no jardim central saíram do lugar com a força das águas (foto: Túlio Santos/EM. DA Press )
As imagens dos jatos de água explodindo pelo canteiro central da Avenida Andradas, no Centro de Belo Horizonte, e alcançando altura de cinco metros (ultrapassando a altura dos postes de luz) deram a dimensão da quantidade de água que caiu na capital mineira nos últimos dias. 


Compartilhados por milhares de pessoas nas redes sociais, os vídeos trouxeram preocupações sobre os riscos para quem passa pela via. O asfalto da avenida foi afetado com a força do Rio Arrudas? O rio pode transbordar e inundar a região?


Engenheiros ouvidos pelo Estado de Minas afirmam que o evento raro é resultado de uma pressão fora do normal causada pelo volume de água, mas que não representa riscos para o asfalto. No entanto, os riscos de enchentes no local são reais e a canalização de rios é considerado medida antiquada na engenharia moderna. Outros tipos de obras passaram a ser adotadas em grandes cidades.

"No meio da Andradas tem o que chamamos de suspiro. É uma caixa respiratória, que serve como um colchão de ar para aliviar a pressão do ar que acontece com o forte deslocamento da água", explica o engenheiro Henrique Castilho Marques de Sousa, superintendente da Sudecap (Superintendência de Desenvolvimento da Capital).

Segundo Castilho, as estruturas vazadas de concreto no jardim central têm exatamente a função de reduzir a força da água ao longo da canalização. Caso não houvesse esse "respiro para o Arrudas", os danos seriam significativos na avenida.

"É um cálculo estrutural. Essas estruturas servem como um alívio para a carga hidráulica e faz com que a estrutura não seja comprometida. O volume de água foi tão grande e a velocidade tão grande, que algumas estruturas se soltaram com o respiro do rio. É atípico, mas não houve qualquer dano às estruturas da via", afirma o chefe da Sudecap.

Ele lembra que o Arrudas recebe água de todos os córregos e rios das regionais Oeste, Leste, Centro-Sul e do Barreiro, o que levou a uma tromba d'água incomum durante as chuvas dos últimos dias. A Sudecap mantém monitoramento na Andradas e não foram constatados riscos no asfalto.

"Na pista temos as juntas de dilatações, que ficam entre as tampas do canal e a pavimentação. Elas são feitas exatamente para movimentar quando necessário e não causar danos na estrutura", diz Castilho.

Para o engenheiro Giovanni Cremonezi, o volume de chuva superior a 170 milímetros de água em 24 horas fez com que o sistema de drenagem da cidade ficasse saturado.

"Temos hoje grandes áreas não permeáveis, o que sobrecarrega as estruturas de drenagem. Com volumes tão acima da média como tivemos já é esperado que sistema tenha problemas. E com chuvas cada vez mais volumosas, temos regiões, como às margens da avenida Andradas, em que existe o risco de alagamentos", conta Giovanni.

 

Outras soluções da engenharia 

  

 

A canalização completa de rios é considerada pelos técnicos como ultrapassada pelos padrões modernos da engenharia e que eles ressaltam que existem formas mais avançadas para obras em grandes cidade.

"As cidades evoluem, algumas obras se tornam ultrapassadas e a infraestrutura deve acompanhar as mudanças urbanas. Vemos a tendência em várias cidades de se deixar os grandes rios ao ar livre, no lugar de tampá-los completamente. Mas cada situação precisa ser estudada e se analisar as possibilidades", analisa o engenheiro.

O superintendente da Sudecap Henrique Castilho ressalta que algumas obras que estão sendo feitas em Belo Horizonte não apostam mais na canalização dos rios para evitar alagamentos, mas na construção de reservatórios.

"Não posso comentar sobre obras feitas em gestões passadas. Na década de 1990 a engenharia da época apresentou essa solução. A cidade precisava direcionar a água e na época foram feitos os estudos necessários. Hoje estamos mudando a maneira de trabalhar em alguns locais. Por exemplo, no Vilarinho (Venda Nova), vamos fazer grandes reservatórios de água no lugar de canalizar a água", afirma Castilho.

As primeiras obras do Boulevard Arrudas (que foram divididas em várias etapas) foram concluídas em março de 2007. Outros trechos foram entregues nos anos seguintes. Hoje, cerca de sete quilômetros do Rio Arrudas estão debaixo do asfalto.  

 


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