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Estado de Minas ALERTA

Minas Gerais pode enfrentar 10ª epidemia de dengue desde 2009

Secretaria de Saúde registra 677 notificações de casos suspeitos da doença em Minas nas duas primeiras semanas de 2020. São 48 por dia. Um óbito está em investigação


postado em 16/01/2020 06:00 / atualizado em 16/01/2020 07:54

No auge da epidemia de dengue do ano passado, a saúde pública de Belo Horizonte teve que instalar centro de atendimento específico para a doença em UPA(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 1º/5/19)
No auge da epidemia de dengue do ano passado, a saúde pública de Belo Horizonte teve que instalar centro de atendimento específico para a doença em UPA (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 1º/5/19)


O registro dos primeiros casos de dengue em 2020 aponta para prognóstico nada animador: Minas Gerais pode enfrentar, neste ano, a décima epidemia da doença desde 2009. O pico da enfermidade ocorre nos meses de março, abril e maio, quando os casos aumentam consideravelmente. No entanto, os números registrados até o momento já são quatro vezes maiores do que os do mesmo período do ano passado. Nos primeiros 14 dias de janeiro, foram registrados 677 casos prováveis de dengue, o que corresponde a uma média de 48 infecções pelo vírus notificadas à saúde pública a cada dia. As autoridades investigam se a doença foi a causa de uma morte, mas ainda não há confirmação. Porém, a dificuldade no controle do vetor e o baixo engajamento da população no combate geram cenário desafiador para as autoridades sanitárias e médicas.

Ontem, o Ministério da Saúde alertou sobre possibilidade de surto em 11 estados da Região Nordeste e dois do Sudeste: Rio de Janeiro e Espírito Santo. Minas não está entre os estados mencionados pelo órgão federal, embora, no ano passado, tenha ocupado as primeiras colocações em levantamento nacional sobre número de casos. Entretanto, o infectologista Carlos Starling acredita que muito provavelmente o surto se repita este ano no estado, uma vez que não ocorreu nenhuma mudança estrutural que levasse a uma queda significativa nos casos da doença. “Somos limitados em termos de medidas de controle da dengue. O mosquito é muito bem adaptado às condições urbanas. Do ano passado para cá, as cidades não mudaram e o mosquito também não mudou. Então, continuaremos tendo número expressivo de casos, infelizmente”, afirmou. Entre os problemas, ele cita o grande número de lotes vagos que se tornam criatórios do mosquito.

O infectologista informa que está em circulação o tipo dois do vírus da dengue, o mesmo que causou epidemia da doença no estado no ano passado, provocando caos na saúde em várias cidades. Em Belo Horizonte, a prefeitura chegou a abrir centros exclusivos para o atendimento aos doentes para desafogar as unidades de Pronto-Atendimento (UPAs). “Devemos ter sim, infelizmente, muitos casos”, reforça. Outro indicador que preocupa é a infestação alta do mosquito nos municípios, conforme o Levantamento de Índice Rápido (Lira). “Os ovos do mosquito – que já nasce infectado pelo vírus –  estão eclodindo e se transformando em larvas”, diz.

As tempestades de verão, muito comuns em janeiro, acendem ainda mais a preocupação com a proliferação do mosquito, que é vetor também da chikungunya e da zika. A falta de cuidado com a água da chuva parada aumenta os locais onde o mosquito pode se reproduzir. Vale lembrar que em 2019 houve epidemia da doença: foram 116.484 casos, com 173 mortes causadas pela dengue. Outros 101 óbitos seguem em investigação.

Focos


Os casos registrados nos primeiros dias do ano demonstram que é preciso redobrar a prevenção para impedir a proliferação de criatórios do mosquito. Carlos Starling reforça a importância da população para barrar o avanço da doença ao adotar medidas para impedir água parada. “A orientação que o governo do estado dá é para a população se preocupar com seu espaço doméstico, onde fica a maior parte dos focos. A recomendação válida inclui ficar atento ao lixo, à água parada no vaso de flor e em outros lugares. Isso está muito bem divulgado. As pessoas têm que fazer a parte delas”, diz.

Outra medida preventiva é o uso de repelente, principalmente para pessoas idosas, mais vulneráveis a infecção mais graves. “Mas é preciso que seja repelente aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Nacional (Anvisa). Os repelentes confeccionados à base de citronela não resolvem”, explica.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, 84% dos focos do mosquito são encontrados dentro das residências. Por essa razão, cuidados diários devem ser mantidos pela população em todas as épocas do ano. A orientação é eliminar água parada em pratos de plantas, vasilhames no quintal, calhas entupidas e caixas de água destampadas.

Os agentes de combate a endemias fazem vistorias nas residências, instruindo os moradores a não deixar a água parada em qualquer tipo de recipiente e, assim, evitar o mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika. Em 2019, de janeiro a dezembro, foram realizadas quase 5 milhões de vistorias no estado.

Doenças infecciosas


O município de Campo Belo, na Região Centro-Oeste do estado, lidera o número de casos suspeitos até o momento, com 126 registros, seguido de Josenópolis, no Norte de Minas, com 106.  Desde 2018, foi identificada a predominância do sorotipo DENV2 em circulação em Minas. Até então, circulava o sorotipo DENV1. Além da epidemia de dengue, Minas registrou no ano passado 2.828 casos prováveis de chikungunya e 703 de zika, doenças também transmitidas pelo Aedes aegypti. Neste ano, foram notificados até o momento oito casos prováveis da primeira doença e um de zika.


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