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Estado de Minas RELIGIÃO

Santa Luzia festeja a padroeira e espera atrair 50 mil fiéis de sexta a domingo

Cidade ainda comemora entronização de réplica de imagem de Nossa Senhora da Piedade esculpida por Aleijadinho. Confira a programação


postado em 10/12/2019 06:00 / atualizado em 10/12/2019 14:08

Presente especial: imagem de Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas, recebe bênção durante a cerimônia de entronização, que ocorreu no fim semana(foto: Stainer Elmer da Silva Júnior/Esp. EM)
Presente especial: imagem de Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas, recebe bênção durante a cerimônia de entronização, que ocorreu no fim semana (foto: Stainer Elmer da Silva Júnior/Esp. EM)


Milhares de pessoas são esperadas na sexta-feira, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), para a grande festa em louvor à padroeira da cidade. À frente do jubileu no santuário dedicado à protetora dos olhos, está o titular da Paróquia Santa Luzia, padre Felipe Lemos de Queirós, que se mostra feliz com o grande número de participantes da trezena. “Estamos com três horários, às 6h, às 15h e às 19h30, e a igreja fica muito cheia. Acredito que, de sexta-feira a domingo, receberemos cerca de 50 mil pessoas.”

No fim de semana, o Santuário Santa Luzia, localizado na Praça da Matriz, no Centro Histórico, ganhou um presente muito especial. Tendo à frente o padre Carlos Antônio dos Santos, pró-reitor do Santuário de Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas, foi entronizada uma réplica da imagem esculpida por Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814) e destaque no altar da ermida do século 18, hoje basílica, no topo da Serra da Piedade, em Caeté, na RMBH. “Estivemos na Serra da Piedade, antes, e levamos uma réplica da imagem de Santa Luzia, que está aqui no altar do santuário”, contou padre Felipe.

A procissão luminosa de 13 de dezembro (ver programação) com a imagem de Santa Luzia será às 18h, sendo acompanhada pelas bandas de música tradicionais do município. O cortejo vai passar pelas ruas do Serro, Floriano Peixoto, Bonfim e Direita até chegar à Praça da Matriz. Na chegada, haverá show pirotécnico, canto do Te Deum e bênção do Santíssimo Sacramento. O arcebispo metropolitano de BH e presidente da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, estará presente ao santuário na sexta-feira, mas a arquidiocese ainda não divulgou o horário da missa que ele vai presidir.

Para garantir mais tranquilidade aos romeiros, as barraquinhas foram transferidas para a Rua do Serro, no trecho conhecido como “atrás da igreja”. Padre Felipe adianta que, após as procissões, haverá shows no local. Neste ano, o jubileu tem como presidente o casal José Oswaldo Xavier e Flávia Patrícia Cota Xavier e vice-presidente Laura Cristina Leal Morais Lima e Leonardo Fernandes Lima. No domingo, Dia dos Romeiros, há também extensa programação, com missas e procissão às 11h, e a Missa Sertaneja, às 12h, na Igreja do Rosário.

Importância espiritual


Símbolo de fé e marco na recuperação de bens culturais desaparecidos em Minas, o Santuário de Santa Luzia, ligado à Arquidiocese de Belo Horizonte, recebeu bênção oficial em 13 de dezembro de 1778. Padre Felipe destaca a importância espiritual, histórica e cultural do templo na vida do município tricentenário. “Trata-se de uma das matrizes mais bonitas de Minas. Erguida no século 18 no estilo joanino, ou segunda fase do Barroco – mais ornamentado e pomposo, embora delicado – a igreja, hoje santuário, tem grande significado na arte e arquitetura, mas também nos trabalhos pastorais e sociais.”

Visitar o Santuário de Santa Luzia é entrar num universo de fé, beleza e história e fazer descobertas. O altar de São José, por exemplo, tem um enigma a ser desvendado. Em 1989, durante a última restauração do templo foram encontrados, na parte de trás do retábulo, um compasso e um esquadro esculpidos na madeira e em policromia dourada, que estariam relacionados à maçonaria. Já que foi deixada uma passagem sob a mesa do altar, é possível ver, com nitidez, a talha com o esquadro – para os maçons, símbolo de retidão e integridade de caráter –, e o compasso, que representa equilíbrio, justiça e vida correta.

Pela tradição oral, as peças localizadas atrás do altar pertenceriam ao forro do interior do camarim, depois ocultado em razão da ligação com a iconografia maçônica. Estudiosos dizem que, como os entalhes do trono de São José são semelhantes ao altar-mor de Santa Luzia, é possível que ele estivesse à mostra no século 18. No século seguinte, a exposição numa igreja católica criaria problemas para os padres, pois a bula Syllabus, editada em 1864 pelo papa Pio IX (1792-1878), proibia as relações da Igreja com a maçonaria.

Também se torna impossível falar sobre o santuário de Santa Luzia, localizado em área tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), sem destacar a campanha pelos bens desaparecidos em Minas, que, em 2019, completa 16 anos. No templo, estão três anjos barrocos – dois sobre o arco-cruzeiro e outro no altar de Nosso Senhor dos Passos – que simbolizam a luta empreendida por autoridades estaduais e federais para localizar imagens, retábulos e demais tesouros desaparecidos ou furtados de templos coloniais do estado. As peças em poder de um colecionador iriam a leilão no Rio de Janeiro (RJ), quando foram retiradas do pregão por ordem judicial e entregues ao Iepha, para perícia.

História

Praça da Matriz de Santa Luzia, destino da procissão luminosa marcada para sexta-feira(foto: Beto Novaes/EM/DA Press - 13/11/14)
Praça da Matriz de Santa Luzia, destino da procissão luminosa marcada para sexta-feira (foto: Beto Novaes/EM/DA Press - 13/11/14)

Conforme pesquisa da historiadora luziense Elizabete de Almeida Teixeira Tófani, a capela primitiva dedicada a Santa Luzia foi erguida por volta de 1701, formando-se no entorno um rancho para tropeiros que chegavam dos currais da Bahia a fim de abastecer a região das minas de ouro. “No início, quando era capela, ficava de frente para a Rua do Serro, e só depois que se tornou igreja é que ficou virada para a Rua Direita, como está hoje”, conta a pesquisadora.

A história se completa com informações contidas no Inventário do Patrimônio Cultural da Arquidiocese de BH/Pontifícia Universidade Católica de Minas. Entre 1721 e 1729, a capela foi ampliada por iniciativa do capitão-mor João Ferreira dos Santos e outros pioneiros com o apoio do padre Lourenço de Valadares Vieira, vigário de Sabará. Assim, o templo se tornou capela filial da freguesia de Santo Antônio de Roça Grande, já que Santa Luzia estava vinculada à Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabará.

Programação


Dia de Santa Luzia 
13 de dezembro

Missas no Santuário
» 0h, 5h, 7h, 9h, 11h, 13h, 15h e 17h
» 18h – Procissão solene com a imagem de Santa Luzia

Dia 14
» 16h – Missa com os enfermos, liturgia e Terço dos Homens
» 19h30 – Missa com os luzienses ausentes

Dia 15 
Domingo dos Romeiros,
no Santuário
» 7h, 8h30, 10h, 15h e 19h30
» 11h – Procissão dos Romeiros, saindo da Igreja do Rosário
» 12h – Missa Sertaneja, na Igreja do Rosário


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