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Estado de Minas

Bolsa nos EUA: conheça alunos de MG que brilham na busca do Google por excelência

Dos 25 projetos de cinco países da América Latina selecionados pela gigante da internet, 15 são brasileiros. Entre eles, três da UFMG


postado em 20/11/2019 06:00 / atualizado em 20/11/2019 08:59

Estudantes de mestrado e doutorado de universidades latino-americanas, além de seus professores e orientadores, receberão apoio financeiro para os estudos. Na foto, os contemplados da UFMG Derick Oliveira, Wagner Meira Júnior, Olga Goussevskaya e Otávio Augusto Souza(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Estudantes de mestrado e doutorado de universidades latino-americanas, além de seus professores e orientadores, receberão apoio financeiro para os estudos. Na foto, os contemplados da UFMG Derick Oliveira, Wagner Meira Júnior, Olga Goussevskaya e Otávio Augusto Souza (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


O Google anunciou, ontem, os 25 ganhadores da sétima edição do Latin America Research Awards (LARA) 2019, programa de bolsas para pesquisa em computação na América Latina. O evento ocorreu no Centro de Engenharia do Google, em Belo Horizonte, e reuniu professores e pesquisadores de projetos e iniciativas voltados para as áreas de segurança, detecção de doenças, meio ambiente, dados, etc. Dos ganhadores, três projetos são da capital mineira.

O programa é voltado para estudantes de mestrado e doutorado de universidades latino-americanas e também para seus professores e orientadores. Serão destinados cerca de R$ 2 milhões para suporte das iniciativas vencedoras. O intuito é ajudar projetos que busquem soluções tecnológicas para problemas do cotidiano, como empreendedorismo, inovação digital e saúde pública.

O estudante de ciência da computação da UFMG Derick Oliveira baseou seu estudo na classificação automática e interpretável do eletrocardiograma de 12 variações para as 74 classes de diagnóstico a partir desses sensores, em parceria com o Hospital das Clínicas de BH. O estudante explica que o projeto visa à um exame mais preciso e eficiente. “Com esse sinal conseguimos inferir tanto no diagnóstico feito pelo cardiologista quanto dar uma explicação, textual e visual”, conta. O estudo teve orientação do professor Wagner Meira Júnior.

Já o estudante Otávio Augusto Souza, com orientação da professora Olga Goussevskaya, propõe uma nova abordagem para redes de comunicação autoadaptativas e distribuídas, baseada em contadores. Redes que modelam a si próprias tentando otimizar a comunicação a que elas servem, no caso do projeto dele, as datas centers. “Queremos tornar essas datas centers adaptativas. Hoje em dia, é muito presente a questão da nuvem, só que a nuvem existe e está em algum lugar. Ela é física, gasta mais energia que uma cidade, por exemplo. Com essa rede adaptativa, podemos diminuir o custo de operações”, explica.

Também da UFMG, João Paulo Almeida, aluno de doutorado de bioinformática, conta que o projeto é focado no uso de novas tecnologias de sequenciamento na biologia para entender a interação dos vírus em mosquitos Aedes. “Sabemos que o Aedes é um problema de saúde atual. São milhões de pessoas atingidas todos os anos por dengue, zika e outras doenças”, comenta. O foco é entender se a infecção por vírus não nocivos ao ser humano afeta a capacidade do Aedes aegypti de transmitir vírus nocivos a humanos. “Nosso projeto é focado em usar esses dados de sequenciamento, pegar informações, classificar os vírus e tentar entender a relação desses novos com a transmissão dos que causam danos à saúde”, aponta. “Hoje, a identificação de vírus é basicamente baseada com vírus já descritos”, complementa o coorientador do projeto, Érick Aguiar.

Os estudantes veem a iniciativa do Google como uma oportunidade de alavancar as pesquisas, fortalecendo e potencializando conexões entre projetos acadêmicos, parcerias e a sociedade em geral. “Dá visibilidade maior ao projeto, que pode alcançar novas parcerias ou ensejos”, pondera Derick Oliveira.

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O diretor do centro de engenharia do Google na América Latina, Berthier Ribeiro-Neto, diz que a concepção do programa de apoio a projetos locais se baseou no conhecimento de pesquisas altamente interessantes feitas na região, mas ainda sem reconhecimento internacional: “Para minha surpresa, é óbvio que o dinheiro é importante, mas o que mais sensibiliza os estudantes é a associação com a marca Google”.

Ribeiro-Neto aponta Minas Gerais como um estado de vanguarda no quesito inovação, mas frisa que é necessário mais ênfase por parte de entidades governamentais em tecnologia: “Minas Gerais está bem posicionada e temos um momento positivo de desenvolvimento de projetos de inovação, computação e tecnologia. Estamos vivendo um momento de instabilidade, mas toda vez que passamos por uma crise, apesar dos desafios, vejo como uma oportunidade. Por que não um esforço para virar essa chave, com o apoio dos órgãos governamentais?”

Em 2019, entre as 679 inscrições recebidas foram selecionados 25 projetos de cinco países diferentes da América Latina: 15 do Brasil, cinco da Colômbia, dois da Argentina, dois do Chile e um do Peru. Desde 2013, ano de lançamento do programa, já foram destinados cerca de US$ 3 milhões a mais de 120 projetos de diversas universidades na América do Sul. *Estagiário sob supervisão da subeditora Kelen Cristina


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